segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Die schwarzen Brüder

Liza Tezner escreveu um romance sobre um menino de 13 anos que foi vendido e forçado a trabalhar como limpador de chaminés na Itália. Entre os anos de 1800 e 1920 a venda de meninos por causa da seca ou outra catástrofe que causasse a miséria no cantão de Ticino, na Suíça, era comum.
Setenta anos depois de publicar seu romance, Hannes Binder recontou a mesma estória em gravuras de Giorgio, Alfredo e tantas outras crinças. A técnica se chama scraping, e do fundo preto o artista raspa partes brancas. O resultado é Irmãos pretos, um romance ilustrado.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Bambi

Quem diria, Pequena Lou assistindo Bambi! Pois é, essas coisas acontecem. Tem uma caixa cheia de fitas VHS de filmes infantis no canto da sala. Não sei de quem são, nem como foram parar numa república onde a moradora mais velha completa 30 anos este ano. O fato é que a caixa está lá, chove lá fora há dias e fiquei com vontade de uma experiência radicalmente diferente. Assisti Bambi.
Barbaridade, essa é a velha Walt Disney, que se preocupa em sincronizar os movimentos dos personagens com os sons da orquestra. O filme todo é uma aula de ecologia, mostrando que o homem (que não aparece no filme, apenas é indicado pelos seus sinais: disparos de tiro, fumaça saindo de chaminés, corvos, cães de caça, um acampamento abandonado e o fogo se alastrando pela floresta) é o topo da cadeia alimentar.
Tem música, mas é música clássica, e às vezes tem cantoria, mas não são os personagens que cantam (que é o que eu acho mais detestável nos musicais: do nada, a personagem desata a cantar). As cores são em tons quase pastel, e a técnica parece ser predominantemente aquarela. Um filme bonito, se comparado com a Disney mais atual.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Vallat

Este é Vallat, um espião suíço envolvido numa investigação dadaísta. Minha compulsão por histórias em quadrinhos continua me obrigando a adquirir quadrinhos de toda espécie. Na maioria dos casos, a arte gráfica é mil vezes mais sofisticada que a arte narrativa. A estória raramente é cativante, interessante, envolvente. Exceções raras são Persépolis da Marjane Satrapi, Palestina do Joe Sacco e Sandman do Neil Gaiman. Nestes casos, a estória vale muito mais que o desenho, porque ou o desenho é tosco (Persépolis e Palestina), ou o desenhista de Sandman sempre muda, e nem sempre é Miguelanxo Prado.
Mas eu estava falando de Vallat. A estória não é ruim, trata-se de um detetive meio sem característica marcante tendo que resolver um caso que ele mal entende, e acaba se envolvendo com um grupo de dadaístas, só pra aumentar a confusão mental do homem.
O que mais chama atenção nesta HQ é a arte gráfica. Massimo Milano usa a página inteira, sem as subdivisões em quadrinhos, pra criar seqüências de ações. O resultado é um painel muito bem arquitetado, com movimentos fluidos. Preto e branco, elegante e levemente dadaísta.

Tapioquenses

Ruy fez tapioca pra nós, tapioquenses e agregadas. Agregadas são as namoradas dos tapioquenses. Ruy é um dos primeiros tapioquenses, e por causa da tapioca dele a nossa casa se chama Oca da Tapioca. Naqueles tempos de casa grande e nove nego debaixo do mesmo teto, aconteceu de ter tapioca toda sexta-feira, pelo menos 3 vezes.

Pablares, tapioquense de primeira geração, também compareceu. Visita ilustre de BH. Pois é, cada um acabou seguindo o seu rumo, mudando pra outra cidade, mas sempre volta pra Oca. A Oca da Tapioca tem, inclusive, duas filiais: uma a 3 quadras daqui, onde duas tapioquenses dividem uma casa (Livinha e Vanessa), e uma outra em São Paulo, onde três tapioquenses dividem um apartamento (Lígia, Hagar e Ferrone).
Luciana e Junior, o casal zen. Muito poucos de nós não fizeram aulas de Tai Chi Chuan com o Junior. Ele foi o primeiro tapioquense que veio depois de mim, o que faz de mim a mais antiga tapioquense desta Oca.
Ju e Dani. Dani pra Ju, porque a gente chama ele de Caldo ou Caldinho. Aconteceu de ligarem pedindo pra falar com o Daniel e eu não saber que tínhamos um Daniel em casa.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

No Vale das Sombras

Clint Eastwood, Sean Penn e Tommy Lee Jones se tornaram muito parecidos pra mim. Os três são ótimos atores e diretores de cinema, e fazem filmes muito bons, mas predominantemente marrom-acinzentados. O cenário é escuro, o figurino é discreto, os diálogos são escassos e as explosões afetivas muito raras.
Detesto filmes de guerra, e acho uma pena que os filmes anti-guerra precisam mostrar a guerra e ocupação de territórios distantes com todos os seus absurdos pra nos mostrar como não vale a pena obedecer ordens cegamente, ser patriota, levar a "democracia" ao Iraque.
O filme não mostra a guerra, mas a ocupação das tropas americanas no Iraque. Não só a ocupação, mas o próprio esquema militar são criticados. Ser "homem" no serviço militar significa abusar de autoridade perante civis, abusar do próprio corpo para acompanhar os hábitos dos companheiros e perder a própria identidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Alta

O meu fisioterapeuta me deu alta hoje.
Foi assim:
- Se você quiser, pode voltar daqui uns dois, três meses.
- Precisa?
- Não, eu estou satisfeito com o seu pé.
- Então chega de fisioterapia e chega de me sentir deficiente.
- Então eu te dou alta.
- Feliz ano novo!

Conhece-te a ti mesmo

Normalmente, quando ouvimos, lemos, escrevemos ou dizemos esta frase, pensamos num conhecimento da psiqué. Pensamos que o imperativo é voltado ao conhecimento da alma, do espírito, do caráter, da personalidade da pessoa humana. Mas não pensamos nunca na parte fisiológica do homo sapiens.

O que me interessa no momento são as relações entre as manifestações observáveis no corpo e seus processos internos, e chego à conclusão de que tudo seria mais fácil se o nosso corpo falasse uma língua que compreendemos, tipo português. Não entendo o que o meu corpo quer dizer quando tenho dores de cabeça. Não entendo o que foi que eu fiz de errado quando vomito de hora em hora, inclusive quando já tenho o estômago vazio. Não consigo interpretar a informação que o medidor de pressão sangüínea da Oma me dá. Por que tenho uma média de 50 batimentos cardíacos, quando o normal para uma pessoa da minha idade é 65? Não sei até onde posso forçar o meu tendão de Aquiles, antes que ele se rompa. Devo tentar correr?

Se o meu corpo falasse português, eu talvez pudesse previnir mal-estares. Mas ele não teria autorização pra me falar tudo o que acontece (hm, oxigênio e gás carbônico entrando pelas fossas nasais, ai, bexiga enchendo rapidamente, ui, batimentos cardíacos acelerados), porque aí eu teria uma sobrecarga de informações e ficaria louca. Não, ele teria que apenas responder às minhas perguntas. Hm, mas se fosse assim, eu não descobriria nunca que tenho uma baixa taxa de batimentos cardíacos, porque eu nunca pensaria em perguntar ao meu coração como ele está.

Pelo visto, conhecer-se a si mesmo no sentido fisiológico depende da ajuda de profissionais que ajudam a pessoa a interpretar os sinais que o corpo dá.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Will

Cheguei tarde em Curitiba. Tarde demais pra pegar um ônibus a São Paulo e chegar num horário em que houvesse qualquer meio de transporte à disposição de uma Pequena Lou cansada. Duas possibilidades se abriam diante desta viajante sonolenta: procurar um hotel em Curitiba e seguir pra Sampa no dia seguinte, ou pegar um ônibus mais tarde ainda, que chegasse em SP de manhãzinha. Optei pela segunda alternativa e comprei passagem pras 22:30, botei a mochilona no malex e peguei um taxi pro centro.
O taxista ia me mostrando a cidade: aqui é muito perigoso andar de noite, aqui, moça sozinha, nem pensar, esse shopping fica aberto até às 22:00, aqui também não é legal de andar mais à noite, mais pra baixo tem outro shopping, e aqui é o calçadão.
Desci no calçadão e fui até uma ponta. Passei por um clown interagindo com a galera de um bar. No fim do calçadão, resolvi voltar e filmar o clown.
Caminhei em sua direção, ele tinha acabado de brincar com um casal e estava à procura de sua próxima vítima. Nossos olhares se encontraram. Não, peraí, eu vim pra ser público, pra te filmar, não pra me expor. Rapidamente identifiquei um banco vazio. Caminhei até o banco tão concentrada no banco, que não percebi que um moço fazia o mesmo. O moço hesitou, eu olhei pro palhaço e o moço disse: Bitte, setzen Sie sich. Olhei pro chão, sentei. Sprechen Sie Deutsch? Woher kommen Sie? Olhei pro moço. Um mulato com herança genética bem misturada: pele de negro, olhos de índio e sorriso amarelo. Conversamos sobre como ele foi parar na Alemanha, rap, hip hop, pixação e graffiti, projetos sociais e como passar o tempo sem muito esforço. Num dado momento, decidimos que era hora de ele voltar pra casa e eu pra rodoviária. Will me acompanhou pelo calçadão inteiro até o ponto de ônibus dele, e no caminho ia cumprimentando os mano, as mina, os tio e as prima. Um barato, caminhar com tão ilustre figura pelo calçadão de Curitiba que ia se desertificando lentamente.
Depois de me despedir do Will, andei por todos os lugares desrecomendados pelo taxista.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ciclistas curitibanos

Uhuuuu, será que todos os ciclistas curitibanos têm speed e se identificam com esta imagem?

Pra refrescar

Chafariz na frente da prefeitura de Blumenau. Eu achei esse humor quase sarcástico. As imagens européias da árvore de Natal e do soldadinho de chumbo se refrescando no chafariz, fugindo do calor congolês da Blumenau tropical.

Blumenau

Blumenau não é pequena e passear por lá sem saber o que te espera é meio furada. Como eu não conheço ninguém em Blumenau, Oma fez com que eu conhecesse. O meu Opa era de Blumenau e ainda tem uma irmã morando lá. Essa Ingried é madrinha da minha mãe e o filho dela, Carlos, é primo da minha mãe. Pode ser que eu já os tenha visto, mas não lembro.
Cheguei numa segunda-feira às 6 da manhã em Blumenau, e Carlos me buscou na rodoviária pra me levar pra casa e tomarmos café da manhã. Depois de conversar um pouco com a Ingried sobre encontros familiares, a idade, a família, as doenças e o noivo que eu não tenho, Carlos me deixou no centro e foi trabalhar. Achei meio estranho conhecer membros da família assim, com os minutos contados, mas agradeço ao Carlos por ter me dado esse tempo. Itajaí-açu, o rio chocolatoso que corta a cidade. Blumenau fica num caldeirão, entre monhtanhas verdes. Não sopra um ventinho sequer, e quando chove, o rio transborda e metade da cidade alaga. É quente pra dedéu e chove violentamente quase todo dia no verão. A chuva eu senti vindo já às 10 da manhã, quando comecei a mancar pela cidade. Não vi chuva até meio-dia, mas garanto que choveu.
Fachwerk decorando a parte comercial da cidade.
Castelinho. Hoje o Fachwerk é falso, mas os imigrantes que construíram a cidade sob a direção do Dr. Blumenau, ergueram casas de Fachwerk de verdade.
A prefeitura decorada.
Ponte estreita por onde passava o trem. Hoje não tem mais trem, mas os carros podem passar, num único sentido.
Internet. Achei essa casa quando procurava pelo Parque São Francisco. Perguntei prum monte de gente onde fica a entrada do parque localizado no centro da cidade, e ninguém soube me responder. Não sei, não sou daqui, não faço idéia. Achei o parque depois de muito perambular, seguindo instruções vagas de um mapa não muito preciso e me deparei com uma placa enorme anunciando que o parque estava fechado devido às chuvas do dia anterior. Maravilha.
Os nomes das famílias escritos nas paredes das casas. Hering e Odebrecht são as mais famosas.
Não tirei foto da igreja luterana, que tem um formato octogonal, é toda de madeira e fica no topo de um morro, mas garanto que a católica é seu oposto. Grande, clara e iluminada, cheia de colunas, é antagônica ao estilo gótico da pequena igreja luterana.

Despedida do jardim

Um sapo paralisado quando me notou, deixou que eu o fotografasse de perto. Será uma perereca? Ainda existe a possibilidade de ser uma rã...
Gata e gatinha depois de serem mimadas pela Oma.
Königin der Nacht. Diferente das damas-da-noite que eu conheço.
Sonnenblume girando em direção do sol.
Não sei o nome dessa daí, mas lembro que a Oma ficou feliz quando ela abriu.

Ninho das Águias

Na volta da colônia italiana, subimos a serra pra Nova Petrópolis. Eu perdi a noção da profundidade. É muito bizarro você ouvir o motor do carro gritando, saber que está subindo a serra, mas ver uma descida. Não sei se é do cansaço ou das milhares de curvas. Quando vi a placa indicando um local de vôo livre, não tive dúvida.
A estrada de terra bastou pra me chacoalhar e acordar um pouco. Depois de 5km de subida nervosa, chegamos ao topo da montanha com as suas rampas de decolagem. Não tinha vento, mas muitas nuvens pesadas migrando, portanto não havia pilotos em atividade.
Oma abraçou um coqueiro que lhe recompensou, jogando um coquinho na cabeça dela.

Klein Italien

Sem mapa, e sem saber ao certo pra onde ir, Oma e eu resolvemos explorar a colônia italiana no Rio Grande do Sul. Sair de Gramado custa caro. Todas as 3 entradas da cidade (tá, a entrada por Canela não tem pedágio em Gramado, mas depois de Canela) são providas de pórticos e pedágios. Pra sair de Gramado, o cidadão sentado num carro tem que, invariavelmente, pagar R$ 6,10.
Se o camarada quiser ir pra Caxas do Sul, tome outro pedágio de R$ 4,50, bem depois do trevo pra Feliz. Nós duas viramos à esquerda e passamos por Feliz, Bom Princípio (repare nos nomes das cidades!!!) e chegamos a Carlos Barbosa, a cidade onde fica a Tramontina. Alguns reais mais pobres, mas com a sacola mais cheia de inox, seguimos a Garibaldi.
Garbaldi é a cidade dos espumantes. O vizinho da Oma disse que 90% da produção brasileira de champagne vem de Garibaldi. Achei difícil acreditar, mas melhor não duvidar. De Garibaldi seguimos a Bento Gonçalves, a cidade do vinho. Entre as duas cidades há o Vale dos Vinhedos. Fiquei empolgada, mas depois decepcionada. A coisa é estritamente comercial. Eu esperava ver vinhedos de perto, mas o que se vê são casas de agricultores que oferecem queijos, vinhos, salames e o caramba. Consegui uma foto de parreiras no estilo europeu (não daquelas que formam um teto de vinhas) e de uvas cheias de agrotóxico.

O canion

A primeira vez que vi este canion, eu era pequena. Os meus pais nos prometeram que quando o Philip tivesse 10 anos de idade, desceríamos as paredes do canion todos juntos.
Este ano o Philip completa 27 anos e ainda não calhou de voltarmos os quatro pra lá. Eu já voltei pro Itaimbezinho com a Oma pela segunda vez, mas não tenho coragem de propor a ela uma descida.
A segunda foto mostrava uma cachoeira virando. No canto direito a água começa a despencar. Eu dei a volta no canion e estou de frente pra cachoeira.
Dá pra ver o arco-íris discreto?

Itaimbezinho

Oh, as araucárias imperam aqui no sul.
O parque tem uma sede, que é essa. Lembro que quando eu tinha menos que 13 anos, essa construção já existia. As trilhas pavimentadas até os canions ainda não existiam, mas havia uma casa meio fechada e misteriosa lá. Talvez não tenha nem mesmo sido essa. Memórias turvas.
Quatro anos atrás, nós duas estivemos aqui e Oma me disse uma coisa impressionante quando eu tentei encorajá-la a continuar na trilha. Ela parou, respirou fundo e disse que preciso ter em mente que ela tem 60 anos a mais que eu.
Mentira. São 59.
Samambaias meio diferentes. Mais carnudas, provavelmente pra suportar as variaçãoes metereológicas.
Floresta de árvores velhas e cobertas de musgo e "Affenbart" (barbas de macaco).

Pampas

Os pampas são mais ou menos assim: muito céu e muito morro. Entre um morro e outro pode acontecer de haver um lago. Onde tem água, tem vegetação mais exuberante que a grama que cobre todos os pampas.
Se você está se perguntando como fui parar nos pampas, saiba que Oma alugou um carro e fomos ao Itaimbezinho, no Parque Aparados da Serra. Sim, dessa vez a viagem foi mais modesta que a dos anos anteriores. Ano passado fomos às Missões, ano retrasado demos a incrível volta na Lagoa dos Patos.

Lago Negro

Foto tradicionalíssima do Lago Negro. Não podia faltar. Minha mãe aprendeu a nadar nessas águas. Eu estou aprendendo a nadar (será que já desaprendi tudo?) em águas com muito cloro.
Ela não gosta de ser fotografada, mas eu insisto mesmo assim.
Bromélia lá no alto de uma árvore perto da bica ao lado do Lago.
Curti esse senhor caminhando na mesma velocidade que Oma e eu.
Mombretzien. Não sei se escrevi o nome das flores cor-de-laranja certo.