quinta-feira, 28 de junho de 2012

Última aula de campo de fitogeografia

FloNa
Quando cheguei na Unir Centro, pontualmente às 7:30 da manhã, só havia lá o motorista. Desconfiada, liguei pro Narcísio, confirmando a viagem. Aos poucos, as pessoas foram chegando. Dessa vez, partimos em direção a Ariquemes (sudeste). A primeira viagem, em direção a Humaitá, tinha sido no rumo norte (para ver manchas de cerrado) e a segunda foi em direção a Guajará-Mirim (sudoeste, para ver campinas e campinaranas).
A FloNa é uma unidade de conservação enorme em que três empresas exploram minério. Outras empresas trabalham na recuperação de áreas degradadas.
Na trilha para a Pedra Grande
Um brigadista abria a trilha, outro a fechava. Assim controlavam o grupo em dois sentidos: cuidavam para que ninguém se desviasse da trilha e para que nenhum taxonomista (Narcísio) coletasse plantas. Essa parte da proibição de coleta foi a mais penosa para o Narcísio, porque ele encontrou uma espécie de bromélia (com flor!) que uma colega dele do Rio de Janeiro estava pesquisando e somente identificou no Pacaás.
Pedra Grande
Na Pedra Grande, novamente pudemos confirmar como o solo determina (limitando) a vegetação. Vimos na formação rochosa plantas recorrentes no cerrado amazônico, como por exemplo essa (Ficus Devendus o nome) da flor amarela e a Pseudobombax (que nome da hora!), que eu não lembro de ter visto nunca.
Muito recorrente: flor do cerrado

Pseudobombax
Nessas formações rochosas, havia várias ilhas de orquídeas, que proliferavam em fendas que acumulam água e nutrientes.

Orquídea nas fendas da rocha
Caminhando pela trilha na floresta ombrófila aberta com palmeiras, reparamos que o solo era arenoso pacas. A floresta é "aberta" porque as copas das árvores não se tocam: há luz entrando na floresta.
Castanheira
Caminhando na floresta, observamos a trilha (pra não tropeçar em raízes), os troncos das árvores e o que caiu delas (frutinhas, sementes, flores, folhas). Por essas pistas, os professores da disciplina (Laffayete e Narcísio) determinaram que a árvore na foto acima é uma castanheira.
Ombrófila aberta com palmeiras (babaçu)
Quando visitamos uma floresta de transição, duas semanas atrás, também estávamos numa ombrófila aberta com palmeiras, mas as palmeiras de lá eram predominantemente de açaí. Aqui predominava o babaçu. Nas florestas, a disputa é pela luz. Quando abre uma clareira (porque uma árvore caiu, por exemplo), é hora de ocupar esse lugar. As plantas da floresta têm duas estratégias básicas para ocupar esse lugar ao sol: banco de sementes e crescimento veloz. O babaçu, por exemplo, tem sementes muito bem protegidas contra água, que podem esperar pra germinar por 40 anos. Outras árvores fazem suas sementes germinar logo, mas o tamanho das árvores é médio. Elas ficam meio que em standby. Quando abre a clareira, elas disparam e atingem a altura das copas das outras em um prazo relativamente curto.
Curcubitaceae
Sentirei saudades dessas aulas no meio do mato, ó?

Nossos caminhos na FloNa. Na foto acima, estamos numa área de recuperação. O trabalho de recuperação consiste em plantação de espécies robustas, adubagem química, plantação de outras espécies e mais adubagem. Esta região de recuperação depois da mineração nos foi apresentada como região prototípica. Já há plantas que germinaram espontaneamente (sementes trazidas por animais) e todas parecem bem alimentadas. Os trabalhos começaram 15 anos atrás e as árvores não são de grande porte. Voltar ao original é impossível.
Passiflora
E pra encerrar, mais um lindo maracujá. Desconfio que este seja diferente daquele que vimos na aula anterior.

2 comentários:

Mônica disse...

Como é linda essa floresta! Dá vontade de sair já e passear por aí para ver e sentir tudo isso.

E que linda é tal pseudobombax! Nunca tinha visto.

iglou disse...

Hehe, não contei das abelhas que assediavam a gente, inclusive entrando no olho. Não dói, mas incomoda. Uma das alunas que faz pesquisa na FloNa e está acostumada com as abelhas, disse que elas gostam do sal do líquido do olho. Essa garota era a piadista da turma, mas acho que essa parte não foi brincadeira.

Engraçado, de todas as imagens, a minha mãe também escolheu a pseudobombax pra elogiar.