sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Outra percepção

Semestre passado dei aula de Linguística Geral. Quem presentificou esse fato na minha memória foi a minha chefe de departamento. Os alunos reprovados em Linguística Geral não puderam se matricular no curso de Fonética, porque Linguística Geral é pré-requisito. Foram na Dirca (Diretoria de Registro e Controle Acadêmico) pedir peloamordedeus. O responsável lá disse que o sistema não permitia matrícula em matéria que tinha pré-requisito não cumprido (leia-se: o sistema não é maleável) e sugeriu que esses alunos conversassem com a chefe de departamento (leia-se: as pessoas são maleáveis).

Minha chefe achou esse papo de quebrar pré-requisito muito estranho e explicou que ela não tem esse poder de mudar a grade curricular e suas condições. Eles não entenderam e continuaram a insistir peloamordedeus que ela abrisse uma exceção.

Hoje uma dessas alunas me parou no corredor, explicou a situação e me pediu pra melhorar a nota dela em Linguística Geral. Dei risada na cara dela. Daquelas risadas que sai mais ar do que som. Daquelas risadas que sopram na cara do outro o absurdo que é o pedido.

Que percepção distorcida da vida acadêmica é essa? Não estudaram pra prova, não estudaram pra repositiva e se conformaram com a reprovação. Daí, quando não conseguiram fazer a matrícula de uma matéria, acham que o mundo vai acabar e que é preciso, a qualquer custo e de qualquer maneira, conseguir acompanhar a turma. Será que essas tentativas de burlar o sistema já eram praticadas na escola? Reprovar na escola significa repetir um ano. Reprovar na universidade significa repetir uma disciplina.

E repetir se faz necessário, já que a pessoa não conseguiu passar essa etapa de forma proveitosa. Se não aprendeu na primeira, vai na segunda.

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