quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O resgate vem com ar condicionado

Ontem de noite seria apresentado o segundo documentário da Mostra Marília Rocha no SESC (A falta que me faz). Marcelo chegou em casa a tempo de decidir se ia ou não no SESC. Pensamos qual era o melhor jeito de ir: de ônibus ou de bicicleta. Seria um ônibus só, que passa a cada 20 minutos a duas quadras daqui e nos deixaria na porta do SESC. Contudo, dois fatores contavam a favor da bicicleta: o tempo que demora pra chegar no outro lado da cidade é o mesmo que o ônibus demora (pelo menos quando eu pedalo a Amarilda); e eu precisava comprar ração na pet shop perto do SESC (porque só lá tem a ração dos meus gatos), que não fica no trajeto do ônibus.

Fomos de bicicleta. Eu de Amarilda, Marcelo de Laranja Mecânica. Escolhi um caminho plano, tendo em vista o fato de que a bicicleta que ele tinha era mais pesada e não tinha marcha. Chegamos 8 minutos atrasados no SESC. Depois do filme, as duas bicicletas tinham ganhado um companheiro no bicicletário normalmente vazio (e inacessível por causa das motos estacionadas na entrada do bicicletário: faroeste...).

Tinham dito que tinha uma outra mostra, de curtas, na praça Madeira-Mamoré. Colocamos a praça na nossa rota e vimos dois curtas esquisitos. Pegamos a 7 de Setembro e entamos na Campos Sales. Na subida, chegando no cruzamento com a Almirante Barroso, percebi que o meu pneu de trás estava furado. Era o segundo furo na mesma semana. Desci e empurrei, Marcelo me acompanhou. Descemos e subimos e descemos e subimos aquela avenida sem calçada, em que o mato seco beira o asfalto irregular nas bordas. Pelos meus cálculos, tínhamos 6km de chão pela frente.

Antes do trevo da Eletronorte, uma pickup com caçamba grande parou na beira da estrada. Pressenti um resgate, cuja aceitação eu negociaria com o Marcelo. Quando chegamos perto, ouvi:
- Oi, professora! Quer ajuda?

O motorista tinha sido meu aluno exatamente dois anos atrás. Botamos as bicicletas na caçamba e voltamos pra casa no ar condicionado da cabine. Pra ele, que é obeso, a imaginação de Marcelo e eu empurrando bicicletas de noite até o Cohab era aterrorizante. Eu fiquei impressionada que ele me reconheceu de costas, de noite; e com a solidariedade dele.

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