quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Deve ser patológico

Devo ter alguma disfunção em relação a números. Minhas contas não batem, anoto medidas que a régua não mostra, me perco em contagens simples.

Logo no primeiro mês depois de entrar na casa, pus o pé na pia do banheiro e levei ao chão a cuba junto com parte do mármore. Durante muito tempo, fiquei com medo de cair pra trás ao ouvir o valor da prancha de mármore e desencanei de consertar o estrago. Passei a usar o outro banheiro da casa. O outro banheiro era até mais interessante: além de ter pia, tem uma descarga ecológica, que puxa a água por baixo, tipo banheiro de avião. Mas daí passei a dividir a casa com o Marcelo. Tomei vergonha na cara e fui na marmoraria.

O preço do metro do mármore nem era de outro mundo, e a vendedora me disse que o mármore branco era o mais vagabundo (palavras dela) que tinha. Mostrei uma foto do mármore pra vendedora e relatei as medidas que eu tinha anotado num caderninho. Algumas medidas eu não sabia, como por exemplo o diâmetro mais longo da pia, já que toda a parte da direita tinha se despedaçado. Mas estimei 38cm.

Ela deu prazo de oito dias pra entrega. Depois de oito dias, consegui um carro emprestado e fui comprar a cuba. A medida do diâmetro maior não batia com a medida que eu tinha informado na marmoraria: 5 cm de diferença. A moça da loja de coisas de banheiro me mandou pra marmoraria com a cuba. Chegando lá, a vendedora agradeceu a visita e disse que tava pra me chamar, já que eu tinha indicado medidas fora do padrão.

No dia seguinte, a vendedora da marmoraria me ligou perguntando como as faixas pretas se encaixavam no mármore: se eram recortadas, encravadas, sei lá. Tirei foto do mármore por baixo e voltei na marmoraria.
Chegando lá, a vendedora me levou na produção. Rodeada de homens escondidos atrás de máscaras, fiquei surda e mergulhada numa nuvem de pó branco. Quando o funcionário pegou a minha prancha, me espantei com o tamanho dela: era muito maior do que eu esperava. E se fosse instalada do jeito que tava, não daria pra sentar na privada. O papel das medidas foi recuperado, o mestre veio, gente foi aglomerando e eu tentava falar com as mãos, pra driblar o barulho. Decidiram que um funcionário tinha que ver com os próprios olhos o que tinha nas fotos que eu tava mostrando.

- Eu tô de bicicleta.
- Tudo bem, eu também.
- Minha casa é lá no Cohab e a gente vai pedalar 5 km.
- Tem problema, não.

Ele veio pedalando a Barra Forte azul dele na minha frente (furando todos os faróis). Olhou pra pia e entendeu que a prancha de mármore tinha um metro, não um metro e meio. Que vergonha... Duas das sete medidas que forneci estavam erradas. Só conseguiram fazer a peça quando receberam a cuba e quando o funcionário veio medir o mármore aqui em casa.

2 comentários:

Ma disse...

ai, ai, ai, e reclama dos erros dos seus estudantes!...
Ve se conserta isso aí antes de a gente chegar de visita, viu?
Voce pode mandar uma lista de livros que eu trago com prazer.
E tem outra: quero papaia todos os dias no café da manha, ok? E água de coco de vez em quando...pra matar a saudade.

iglou disse...

Anotado.