segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Revolução será televisionada?

Se der IBOPE, será.

Hoje de manhã exibi Free Rainer para os alunos de Jornalismo, com a proposta que escrevam uma resenha recuperando o que leram de 1984 de George Orwell. Hoje vimos um filme em que se mostra a dependência da programação da audiência. A televisão, segundo Maiwald (personagem que faz o papel de diretor de uma emissora), mostra o que o povo quer ver e assim o mantém pacificado, anestesiado, ocupado.

Hoje de tarde e noite, as pessoas se movimentaram nas ruas. Muito mais de 250 mil pessoas caminharam por capitais empunhando cartazes, bandeiras, gritando por uma sociedade mais justa. As passeatas em São Paulo se dividiram, sendo que uma grande massa de manifestantes se dirigiu para a zona sul. Curiosa, acompanhei seus movimentos: o que fariam no Brooklin? Seu destino era a ponte Estaiada, ou a ponte do Estilingão, primeira via pública a ser inaugurada desrespeitando a lei que determina que toda via pública nova deve ser acompanhada de ciclovia. Quem já viu o Jornal da Globo local de São Paulo sabe que a ponte do Estilingão é o pano de fundo da Rede Globo.

O repórter que sobrevoava a ponte disse, para o Jornal Nacional, que os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a Rede Globo. Patrícia Poeta, sozinha no estúdio, explicou, com ares defensivos, que a  Rede Globo transmitiu todas as informações sobre as manifestações desde seu início. Claro que não lembrou que, em certos momentos, o vandalismo dos protestantes e a violência física sofrida por um policial foram mais enfocados que o número real de manifestantes, a truculência da polícia ou mesmo  os motivos que levaram a população às ruas. Explicou que é o dever da Globo transmitir todas as notícias, driblou mal e passou a bola.

William Bonner parecia totalmente deslocado em Fortaleza, para fazer a cobertura da Copa das Confederações: não estava com a bola da vez. A vitalidade, os gestos abundantes e a alegria que o apresentador demonstrou quando esteve em Brasília, na ocasião em que o Brasil ganhou de 3 a 0 do Japão, não estavam estampados em seu rosto. Comentou, em poucos segundos, que em Fortaleza tinha havido manifestações na frente do hotel em que está hospedada a Seleção - mas, disse, esses protestos não tinham relação com a Seleção, eram contra os gastos da Copa.

A população brasileira, que decidiu fazer fogueira da faísca do aumento da tarifa de transporte coletivo matou no peito e correu pra área. As manifestações são contra a manipulação de informações por parte da mídia corporativa, contra o abuso de poder da polícia, contra os eventos carnavalizados como a Copa que desestabilizam completamente a região em que acontecem, contra o descaso dos representantes do povo com os equipamentos públicos.

Estou na torcida para ver a Revolução acontecer. Estou torcendo pra que ela seja transmitida pela mídia (a Folha está com um subtítulo vermelho-magenta: País em Protesto). Quero ver a Globo anunciando o gol.

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