segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Tomara que um dia eu volte

Foto: Felipe Szymanski
Tomara, tomara aqui
Foto: Felipe Szymanski
 Tomara, tomara cá
Foto: Felipe Szymansnki
Tomara que um dia eu volte nesse mesmo lugar
Foto: Felipe Szymanski
Um pouco eu deixo aqui
Foto: Felipe Szymanski
Um pouco de ti vou levar
Tomaracá - Grupo Tarancón

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Com um fotógrafo

Ao comparar as minhas fotos com as do Philip, chego a ficar triste. As dele são muito mais legais que as minhas. Ângulos, cores, temas, iluminação, tudo é muito melhor.

Favela

Não é a pobreza, é a riqueza de cores, linhas e ordens próprias. Não é a exclusão social, é o abandono completo de jardins e casas (às vezes prédios inteiros estão abandonados, vazios, decadentes e descascando). Não é a falta de planejamento, é o planejamento apertado, apoiado no outro, em cima do outro, que faz os dois brasileiros aqui pensarem que a favela não é da nossa terra, mas portuguesa.

Vinho do Porto

Para visitar as Caves, onde o vinho do Porto é produzido, armazenado, exibido e vendido, é preciso sair do Porto.
A ponte leva a Vila Nova de Gaia, e de lá se tem uma bela visão do Porto, porque o sol se põe sorrindo pro cais do Porto.
Entramos na primeira cave que se nos apresentou, não sentimos tanta dificuldade assim de decifrar o português nativo daqui e até provamos dois tipos de vinho - pra decidirmos nunca mais beber um gole sequer dessa bebida.

O outro lado do oceano

Finalmente vimos o outro lado do Oceano Atlântico. O mar é bravo e os molhes são fortes. O castelo que visitamos, no entanto, se chama Castelo de Queijo.
Ali onde o Douro deságua no mar, se dá um espetáculo da força das águas.

Lello

Cheguei à Livraria Lello com uma pergunta legítima: se tinham um certo livro que me foi encomendado. Mas acabei me encantando (como todos os outros presentes) com a decoração e escada decorativa no meio da livraria.
Tinha sabonete artesanal, quadros e outros produtos pouco prováveis de serem vendidos numa livraria. Entendo, porque afinal de contas, a livraria é um ponto turístico.

Peões

Não somos pedestres, mas peões e a passagem de pedestres é a via pedonal.

A campanha de que "todos somos peões!" quer chamar atenção para os 1166 mortos em 2009 no trânsito de Porto. Hoje de noite, vindo pro restaurante que tem wireless grátis, vimos uma senhora atropelada por um ônibus. Muito sangue e som de ambulância: mais uma vítima.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cobertura total

Trouxe o meu celular Nokia que funciona pela operadora TIM. (É que as minhas férias não se passaram exclusivamente na Europa - passei antes por Gramado, São Paulo e Campinas.) Chegando na Alemanha, o meu irmão quis saber se dava jogo de botar um chip alemão no celular. Pra saber se isso funcionava, era preciso saber se o celular estava bloqueado ou não. 

Fomos à loja e perguntamos ao atendente da O2 se o meu celular era bloqueado. O moço sentiu o peso do aparelho, reparou no adesivo da TIM, respirou fundo e me disse que aquele era um celular austríaco bloqueado. Dei risada e me dei conta de que só a Áustria tem TIM. Quando eu disse que o celular era brasileiro, o atendente suspirou e puxou pela memória as melhores férias de sua vida. Contou causos de João Pessoa, descreveu os cheiros e disse que às vezes é até melhor nem conhecer esses lugares paradisíacos - especialmente quem volta a viver a vidinha na Alemanha.

Compramos um chip da Tchibo, que na verdade é uma marca que vende roupas, cafeteiras, guarda-chuvas e outras coisas. O chip eu tentei colocar no celular abandonado (já ouviu falar em obsolescência programada, né) do meu irmão, mas daí o celular quis saber o número PIN. Inventei umas sequências de números, daí ele pediu um número PUK. Daí então dei uma olhadinha no manual do usuário.

A bateria do celular obsoleto do meu irmão tava dando problema, então tentei enfiar o chip Tchibo no meu celular. Pediu o PIN e eu dei. Tudo certo, o telefone não estava bloqueado. Quando eu telefonava com o meu irmão a partir de um trem em movimento, a ligação caía. Funklöcher: buracos na rede de transmissão. A cobertura não parecia ser excelente em nível nacional.

Quando eu fui pra Espanha, achei que eu fosse ficar sem cobertura. Em Tarragona, a Movistar assumiu o posto da Tchibo. Em Terra Seca (onde a Gabriela faz natação), a minha operadora passou a ser Orange. A caminho de Barcelona, na altura de Altafulla, o celular indicava ser da Vodafone ES, e em Barcelona voltou a ser Movistar.

Enfim, as operadoras parecem trabalhar em parceria para não deixarem o cliente que se desloca na União Europeia desconectado. Amanhã vou a Portugal, vamos ver o que acontece lá.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Reclamação e cultura

Me sinto mais brasileira quando estou fora do Brasil. Isso acontece quando observo comportamentos que não fazem parte da minha cultura. Um desses comportamentos é a reclamação.

Na Alemanha, as pessoas reclamam quando estão descontentes. Muitos exageram o tom, reclamam por força do hábito e não se dão conta de que reclamam de barriga cheia. Mesmo assim, as relações sociais de respeito mínimo não se desfazem: é possível reclamar de um serviço, por exemplo, ser atendido com um sorriso (em vez de um olhar dardejante) e agradecer com um sorriso pelo atendimento da reclamação. Em outras palavras, a reclamação não é uma ofensa pessoal, mas a exigência de um item contratual (tipo: estou pagando por um prato de comida quente, portanto vou reclamar se a comida estiver fria) ou de um direito.

No, Brasil, reclamar não é de bom tom. Se um brasileiro reclamar, por exemplo, que a comida está fria, ele pode contar com a possibilidade de ganhar um inimigo e não deve se surpreender se o cozinheiro ou garçom  cuspir no seu prato. Tenho a impressão que, para os brasileiros, reclamação e gentileza são coisas completamente diferentes, que não se misturam nem sob pressão.

Nesses exemplos, um serviço esperado não foi cumprido e o usuário reclama. Me parece que o nível de tolerância dos brasileiros a serviços insatisfatórios é maior com o prestador de serviços do que o nível de tolerância dos alemães. Para os outros (os amigos, por exemplo), tanto os brasileiros como os alemães reclamam - e com gosto. Porque aí se tem um aliado, que vai contar outras estórias de serviços mal prestados; não se tem um oponente que detesta receber reclamações (alguém gosta?).

Mas o que disparou toda essa reflexão sobre reclamação e ser brasileiro foi um episódio no avião da Ryanair. Esta empresa oferece voos baratos (mesmo!) e quase nenhum conforto: paga-se por mala despachada, paga-se (caro) pela comida (poucos passageiros compram comida no avião), os assentos não reclinam nem meio centímetro, não tem TV nem rádio e o tempo todo os comissários de bordo tentam te vender produtos (comida, bebida, raspadinhas, duty free).

Passageiros Ryanair sabem que podem levar gratuitamente uma bagagem de mão que não ultrapasse 10kg e que se limite a certas proporções (55cm x 40cm x 20cm). Quando eu entrei no avião, a minha mala feita sob medida para voos Ryanair já não cabia nos compartimentos superiores. Me restava a alternativa de enfiar a mala embaixo do assento. Não foi fácil pressionar uma mala de 55 x 40 x 22cm pra debaixo do assento no corredor, mas consegui. Sentei e observei os gestos da comissária encenando a queda das máscaras de oxigênio e tal.

O cara sentado atrás de mim começou a chutar a minha mala. Perguntou meio rosnando se eu não podia botar a mala mais pra frente. Apontei pros meus pés e disse que não, senão os meus pés não teriam lugar. Senti todas as energias negativas que o cara atrás de mim despejou em cima de mim e da minha mala. Ele continuou chutando a mala. Verifiquei se dava pra colocar a mala embaixo do assento na minha frente, pra aliviar a tensão. Parecia estreito. A vantagem do banco da frente é que ele e o da frente estavam desocupados. De trás veio a voz grave indicando o banco da frente. Levantei, tirei a mala debaixo do meu assento, pedi licença pro cara que tava sentado na janela, na fileira em frente à minha e enfiei a mala embaixo do assento à frente do assento à frente do meu (compliquei, né: vazio, vazio, eu, reclamador). Vi que se eu tivesse colocado a mala embaixo do assento à minha frente, eu teria que dobrar os meus pés pra trás. Em outras palavras, me dei conta que a mala era maior que o assento.

Não quero nem discutir quem tinha razão (porque provavelmente eu não tinha), mas apontar para um outro contexto de reclamação. Não era o caso de eu fornecer um serviço mal feito, mas de invadir (sem me dar conta disso) o espaço do cara atrás de mim. Eu não teria incomodado o cara de propósito, apenas não calculei as consequências volumétricas da ação de colocar a mala embaixo do meu assento.

O contrato entre a pessoa que reclama e a pessoa que recebe a reclamação é acerca da má divisão do espaço compartilhado. O alemão atrás de mim se sentiu incomodado e reclamou. Eu me senti agredida pela reclamação dele, porque eu, como brasileira, teria reagido de maneira diferente. Pra mim, reclamar provavelmente não seria uma opção. Ou eu dobraria os pés pra trás, me adaptando à invasão do espaço, ou eu proporia uma solução (o banco da frente). Propor uma solução é muito diferente de reclamar, porque muda um elemento fundamental: a postura da pessoa. Não é possível reclamar sorrindo, mas é melhor propor uma solução com um sorriso no rosto.

Outra reflexão interessante sobre reclamações de brasileiros em relação a espaço (nas escadas rolantes) é do Dio e está aqui.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fachwerk

Um aspecto tipicamente germânico da arquitetura é o Fachwerk. A madeira forma o esqueleto da casa, os tijolos preenchem os espaços entre a madeira. Isso significa, na prática, um monte de vigas e pilares no meio da casa e vento passando por entre as frestas. Sim, quando ventos de 148km/h varriam o Harz, sentimos uma brisa na casa. A foto de cima eu tirei de cima do beliche, a de baixo é da sala, no terceiro andar da casa vertical.
A cidade inteira - e muitas cidadezinhas ao redor de Wernigerode -  foi construída e depois reconstruída e restaurada em Fachwerk. A reconstrução foi necessária por causa de uma queimada histórica. Depois da reunificação das Alemanhas, a restauração foi no sentido de atrair o turismo através das casas em Fachwerk - que já é raro no resto da Alemanha. Na sala se vê vigas mais escuras, mais velhas. São as originais. As outras todas são resultado da restauração do Ferienhaus.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Schloss Wernigerode


De fora não é óbvio, mas o grande diferencial desse castelo é a sua assimetria. Os duzentos cômodos são todos um diferente do outro e quase nada se repete em termos de arquitetura.


Das kleinste Haus

A casa laranja é a menor casa de Wernigerode. A do lado é a casa que habitamos. Num dia, fiquei sozinha em casa, revisando um livro. Fiz almoço e tive o azar de superaquecer a frigideira - vazia. Quando pus a manteiga na frigideira infernalmente quente, ela logo ficou preta e a cozinha se perdeu na fumaça cinzenta. Abri a janela que dá pra rua. Os turistas olhavam pra dentro, e pela janela saía a fumaça e o samba-rock de Jorge Ben Jor: "moro num país tropical..."
Hoje a menor casa estava aberta pra visitação. Até 1976 tinha gente morando lá dentro. De lá pra cá virou museu. Além de ser pequena, a casa tem o pé-direito altamente baixo. Apesar dos pesares, a casa já abrigou uma família de 9 pessoas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mais um filminho

Reparem como a vegetação vai mudando ao longo da viagem: primeiro floresta de árvores misturadas, depois só pinheiros, depois cada vez menos árvores.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Der Brocken

Para subir ao ponto mais alto, ermo e frio do norte da Europa, é preciso primeiro sair de casa. E como a nossa casa em Wernigerode está situada ao lado da menor casa da cidade, isso significa um monte de turistas parados na porta de casa e enfiando a cara na janela da nossa cozinha.
Pegamos um trem a vapor, tipo Maria Fumaça, até Drei Annen Hohne (ou algo assim) e depois baldeamos pro trem que escala o Brocken.
A viagem de trem foi longa e lenta, atravessando uma floresta de Fichten (um tipo de pinheiro) e subindo sempre. Vi muitas pegadas de animais silvestres na neve, riachos congelados e ocasionais nuvens da Maria Fumaça. Chegando lá em cima, tivemos que correr pra ainda ver o sol, glorioso sol. Ventava muito e tudo doía.
Mas o pôr-do-sol espetacular valeu a pena todo o frio. Me perguntaram de quanto era a diferença entre ali e PVH. Respondi 50, mas acho que se forem consideradas as sensações térmicas, tá valendo: sensação térmica de 40°C em Porto Velho contra sensação térmica de -10°C no topo do Brocken. E olha que pra mim não tem diferença entre 0° e -9°, porque congela tudo do mesmo jeito.
O Brocken fica no Harz, que foi um dia Alemanha Oriental. Minha mãe reconhece resquícios de DDR nos banheiros públicos: é preciso sempre pagar uma moeda de 50 centavos. E tem que ser certinho, numa só moeda, não adianta ter o valor. Na história da Alemanha Oriental, o Brocken ocupou um posto estratégico. Hoje serve menos à segurança militar e mais à meteorologia (tem uma estação lá) e comunicação (tem outra estação de rádio e TV). Mas a maioria das pessoas que visita o Brocken vai mesmo é pra ver o mundo de cima.
O vento cruel e frio esculpiu umas formações pontudas na neve acumulada na cerca.
Subimos na torre que tem um restaurante, é um hotel e mirante. A ponta do Brocken está no centro do círculo.
Um cara tava filmando o pôr-do-sol de lá de cima. Pelo tempo que a câmera tava lá, suspeito que ele tava tirando várias fotos de tempos em tempos, pra depois mostrar um pôr-do-sol em Zeitlupe ("lupa do tempo". É que 'slow motion' parece paradoxal, porque o tempo normal do sol se pondo é mais lento que o vídeo que o cara lá supostamente vai criar).
Voltando a câmera para o mesmo objeto, nos despedimos do sol antes de entrar no último trem que desce.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Momento histórico

Chegamos em Wernigerode, uma cidadezinha que ficava na Alemanha oriental e foi fortemente reformada e ajeitada para o turismo. As casas no centro, perto da praça do Mercado (talvez "feira" seja uma tradução melhor) são todas em Fachwerk, inclusive a casa de três andares (basicamente um cômodo por andar) que estamos habitando por uma semana.

É, meus pais saíram pra segunda lua de mel e levaram a filha junto. A mulher que alugou a casa nos mostrou um caderninho com vários cupons de desconto (incentivo ao turismo) para as atividades turísticas e gastronômicas daqui. Metade dos cupons era de 5% de desconto em restaurantes que os meus pais achariam interessantes. Não jantamos em nenhum deles.

Já no carro, vindo pra cá, anunciei que eu queria comer um Döner. Segundo o meu irmão, Döner é uma comida tipicamente alemã - apesar de ser um prato tradicional turco. O lance é que, na Turquia, o Döner é um prato tradicional, daqueles que se come sentado e com tempo. Na Alemanha, o Döner foi transformado em fast food. Nem na Turquia tem o Döner alemão.

Não sei o que aconteceu. Talvez tenha sido a curiosidade deles, talvez simplesmente apoiaram uma ideia, talvez tenham tido preguiça de escolher outra coisa. O fato é que os meus pais comeram fast food feito por um turco num restaurante que serve cerveja na garrafa (sem copo) - e gostaram.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bodas de prata

Ontem os meus pais comemoraram 25 anos de casados. Teve culto, teve festa, teve cantoria, teve alegria, teve um monte de presentes e surpresas, teve casa cheia. O convite eu não recebi, mas está aqui:
Durante a festa, fiz algumas fotos.
As duas irmãs. Quase minhas duas mães.
Martina fez o culto. Martina a gente já conhece desde 1990 e dela e do Werner aprendemos a jogar Doppelkopf. Numa família de jogadores, esse jogo de cartas virou tradição. Mas as regras são meio nossas.
Uma pessoa na comunidade comentou que a minha mãe já está com o cabelo branquinho e meu pai ainda parece tão jovem.
Philip e Julia, que super ajudaram com os convidados. Eu também quis ajudar, mas eu enganchava nas mesas com pessoas que não me viam faz 10 anos, tentava explicar que eu era professora na universidade e me espantava com a deferência deles. No dia seguinte descobri que aqui Professor é uma categoria mais elevada que Dozent.

sábado, 29 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Em Barcelona

Cheguei em Barcelona de trem. Esteves e Ambra tinham acabado de chegar de avião da Itália. De mala e cachorro, me encontraram na estação. Esteves e Ambra tinham estado no Brasil antes de irem pra Itália. Ainda no ano passado, em São Paulo, ele me ligou pra marcar encontro. Teríamos meia hora. Achei que era muita correria e acalmei-o, dizendo que eu estava indo pra Europa e que podíamos nos ver com mais tempo em Barcelona.
Acabei ficando menos que um dia, mas foi muito massa rever um figura que eu já conheço faz 15 anos e cujas loucuras e aventuras acompanhei.