30 de março foi a data em que se registrou o pico da "cheia histórica" em Porto Velho: 19,74m acima do nível normal do rio. Agora as águas já baixaram aproximadamente 1 metro e o desafio é limpar o que sobrou da casa, as ruas e a orla da cidade.
As áreas alagadas são agora consideradas "áreas de risco". E os moradores que voltaram para suas casas depois que a água baixou - e que passaram pelo esforço de limpar e recuperar a casa e os pertences - foram retirados de suas casas durante o feriado. E remanejados pro "Abrigo Único".
A enchente não afetou a classe média e alta que reside em Porto Velho. A cheia alagou as casas, plantações e criações de populações já vulnerabilizadas, que viviam às margens do Madeira sem acesso a água tratada e encanada, sem esgoto, sem iluminação pública, sem asfalto, sem coleta de lixo regular. Esse cenário agora é chamado de "área de risco". Se antes essas populações vulnerabilizadas não eram atendidas pelo Estado, agora são proibidas de retornar aos seus lugares e obrigadas a esperar que o Estado providencie compensações. Não querem indenização em dinheiro: querem terra e casa.

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