quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Propaganda em tempos de crise

A imagem das duas usinas instaladas no rio Madeira anda bem abalada depois da cheia do Madeira. Desalojados e desabrigados durante a cheia afirmam que a cheia foi intensificada pelos impactos das usinas.

Para se defender das chamadas à responsabilidade, afirmam que o desastre foi da Natureza. O governador do estado de Rondônia e a presidenta do Brasil ecoam que a cheia foi natural. Tenho observado que foi adotada uma nova estratégia de defesa - especialmente pela Santo Antônio Energia, que fica a 5km do centro da capital do estado.

Em 15 de julho o Jornal Diário da Amazônia noticiou que 30 taxistas de Porto Velho visitaram a UHE Santo Antônio. Quem tiver curiosidade de ler a matéria, que clique ali. Explicaram aos taxistas, que são pessoas que conversam com muitas pessoas por dia, que a energia gerada pela usina era capaz de abastecer 1,4 mi de residências. Será que mencionaram que essa energia gerada aqui vai direto pro linhão que atravessa o Brasil e chega em Araraquara (SP)? Será que mencionaram que a energia gerada aqui não abastece residências, mas a indústria eletrointensiva? A matéria menciona o sindicato dos taxistas e um taxista que opera no aeroporto. Potenciais multiplicadores de propaganda da usina.

Hoje o mesmo jornal noticia um evento que a Eletrobras promoveu: palestras e visita à usina. Quem são os multiplicadores da vez? Jornalistas. Isso mesmo. Agora os jornalistas são capacitados para escrever sobre as usinas usando como fonte fidedigna (e exclusiva) a própria usina. A jornalista entrevistada confirmou minhas suspeitas: "[...] elaborar matérias sobre e para o setor elétrico não é tarefa fácil [...]". Eu entendo que essa segunda preposição, em negrito, tem um valor de "encomendadas por": matérias encomendadas pelo setor elétrico para tranquilizar os leitores do jornal.

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