quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Virada megaevento

Luis e eu nos despedimos com calma de Lucena e voltamos pelos coqueirais (e não pelo ferry-boat) para João Pessoa. Almoçamos e cortamos cabelo para terminar o ano velho e começar o ano novo bem e conseguimos nos comunicar com o Ninno por telefone.

O drama do telefone foi o seguinte: Luis tinha ganhado um telefone moderno (touch) de Natal, mas o devolveu pra mim, porque achou que teria dificuldades para manusear o aparelho. Digitar naquele teclado era difícil, atender chamadas foi um drama (que botão se aperta - e como?), coordenar os chips uma agonia (que saiu cara).

Conseguimos aprender a usar o telefone quando tivemos que combinar com a locadora de veículos a devolução do carro. Como a agência fica na beira da praia - que ficaria interditada por causa do réveillon - marcamos lugares e horários alternativos. O último combinado foi deixar o carro no estacionamento do aeroporto. E como ninguém receberia o carro, o horário da devolução ficava meio a nosso critério - contanto que antes da partida do avião.
Lírio aos 4 de quatro por Angry Birds
Seguimos as direções recebidas e paramos num bar perto da universidade para ligar pro Ninno. Estávamos a duas quadras de sua casa e fomos recebidos pelo Ninno e Lírio.
Ninno e Renata
Além da surpresa de ver o Lírio desse tamanho e tão a cara da Andréia, tivemos outras várias surpresas, como por exemplo encontrar o Luis Lafuente, ex-aluno meu da Unir, hospedado ali e reclamando do calor de Porto Velho. É que no Nordeste tem brisa... ou, formulado de outra maneira, ele era infeliz e não sabia.
Luis Lafuente
Passamos grande parte do tempo na casa de Ninno e Renata descansando, recobrando forças e baterias. O nosso voo partiria às 2 e meia e o plano do Ninno era que fôssemos todos à praia, ver a queima de fogos. Até que cada um tomasse banho, arrumasse cabelo, até que a comida no forno ficasse bem assada, demorou mais que o planejado. Luis estava com mais medo que não conseguíssemos voltar a tempo de pegar o carro estacionado na frente da casa do Ninno que eu, que ouvia do Ninno que daria certo e ouvia do taxista que em meia hora dava tempo de chegar da praia no carro.
Na cozinha-sala tem um balanço. Foto: Luis
Entramos todos num táxi e fomos pra beira da praia, olhando sempre no relógio. O trânsito estava pesado, mas não parado. Caminhamos bastante no calçadão até os amigos de Ninno e Renata e tivemos 5 minutos de espera até a meia-noite (que já tinha passado no resto do Brasil em que há horário de verão). Demos um abraço de feliz-ano-novo e de despedida nos nossos anfitriões e refizemos o caminho até o lugar onde pretendíamos pegar um táxi.

O trânsito fluía, esse não era o problema. O problema foi achar um táxi vazio. Todos estavam com passageiro, os pontos de táxi tinham deixado de existir e os pontos de ônibus estavam lotados, assim como os poucos ônibus. O tempo passava e o nosso desespero foi aumentando. Sabíamos que o nosso carro estava no Castelo Branco, o que dá uma corrida de R$ 40, mas não sabíamos o caminho, nem tínhamos meios de chegar até lá. A sensação de impotência era similar à que tivemos em Gramado, no Natal Luz, quando saímos para buscar os pais do Luis depois do Nativitaten e acabamos presos no trânsito parado por uma hora numa noite de frio. E eles lá, na beira do lago, passando mais frio ainda, esperando por nós.

Luis teve a ideia de abordar o primeiro que víssemos entrando num carro e pedir que nos levasse pelo dinheiro que tínhamos no bolso até o carro no Castelo Branco. Mas demorou pra isso acontecer. E quando aconteceu, já era 1 hora da manhã. O casal de velhinhos que nos ouviu, sentiu o desespero de perder o avião na nossa voz. Com toda a calma do mundo, nos levaram até o carro e receberam de bom grado os R$ 43 que nos restavam.

Claro que eu errei o caminho até o aeroporto uma vez e tive que pedir informações duas vezes (parece que estou desenvolvendo meu senso de desorientação e parece que ele tem picos em momentos de estresse). Claro que nos arrependemos de termos nos metido em outro evento de massas perto da água com queima de fogos com o tempo contado. Claro que aprendemos (na marra) a evitar multidões e megaeventos. Promessa de virada de ano: nunca mais ler horóscopo. O meu e o do Luis tinham alertado para evitar multidões na virada. O horóscopo se mostrou mais eficiente que a previsão do tempo! 

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