segunda-feira, 1 de abril de 2013

Acabou em pizza

Objetivamente falando, eu sei que pizza boa se come em São Paulo; mas é claro que isso é subjetivo. Pois o fato é que a geladeira tava tão vazia e a chuva tão fria, que recorri a um dos panfletos de tele-entrega de pizza no Camobi. Escolhi aquele que tinha as cores menos gritantes, as letras menos garrafais e o papel menos brilhante. Vi que eles tinham opções de combos (com refrigerante, com sobremesa, com sei lá o que), mas não estudei nenhuma delas, afinal de contas eu queria pedir uma pizza.

Liguei. O sabor que eu queria não tinha, porque o abacaxi tinha acabado e era possível que o rapaz não voltasse a tempo, já que a encomenda era grande e tava chovendo. Escolhi outro sabor; a outra metade era de tomate seco com rúcula. Achei o valor meio salgado, mas na verdade o quilo justo se comparado com os preços de São Paulo.

Ouvi a buzina, abri a janela, vi um vulto e uma moto, abri a porta, cheguei no portão e vi que o cara equilibrava um bujão de gás no ombro.
- Eita, eu pedi pizza, não gás.
- Ah, moça - frustrado por fazer força à toa, ele depositou o butijão no chão.
O moço achou quem abrisse a porta pra ele, eu voltei pra dentro de casa. Em seguida, tocou a campainha. Duas motos, um vulto de mochila quadrada e o portão aberto.

A primeira coisa que o rapaz tirou da mochila quadrada foi uma garrafa de Coca-Cola. Não pedi refrigerante. A segunda coisa que ele tirou do isopor fumegante foi uma pizza gigante. Não pedi gigante. A terceira coisa - me dou conta agora - que ele deveria ter tirado da bolsa quadrada é o saquinho de rúcula; mas a pizza veio sem nada de verde.

Entendi que nessa pizzaria, eles funcionam em piloto automático - e o que a gente pede, não interfere muito na vida deles. Justiça seja feita: a pizza estava ótima, pena que o que sobrou não cabe na geladeira (e só amassando muito, coube no forno. Ainda bem que está frio).

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