terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ciclista no volante

Durante os dois meses da greve, dirigi três carros diferentes: aquele que eu acidentei, aquele que eu aluguei e aquele que me emprestaram.

De imediato, notei que eu olhava para a cara das pessoas. Olhava nos olhos de pedestres e motoristas. Quando ando de bicicleta, não fixo o olhar nos agentes de trânsito, mas observo o trânsito. Procuro espaços vazios, procuro prever comportamentos, me oriento pela sinalização. Não tenho carência nenhuma de estabelecer contato com outros olhos.

Depois reparei nessa coisa que é a velocidade. Mesmo se houver mais ciclistas que motociclistas circulando, haverá mais acidentes de moto que de bicicleta. Por causa da velocidade.

Daí percebi que a cada viagem de carro, eu calculava o custo do trajeto. Ao invés de colocar moedinhas na máquina, era preciso abastecer o carro para poder andar. Me peguei achando tudo longe. De bicicleta, eu calculava o tempo que eu levaria, mas não achava nada longe/ caro.

O último carro acendia uma luzinha de um desenhinho esquisito. Bicicletas não se comunicam com seu condutor através de sinais luminosos. Perguntei no posto de gasolina que luzinha amarela era aquela. Injeção eletrônica. A-há. Não pedi pra explicar o que é isso. Perguntei pro dono do carro o que eu devia fazer em relação à luzinha perene. Apesar da resposta tranquilizadora dele, a luzinha não me deixou em paz. Fui em três mecânicas e não consegui fazer com que trocassem a peça (alguma coisa com "lambda") que já estava no porta-luvas do carro. Cogitamos a possibilidade de não levar minha mãe e minha tia no aeroporto de madrugada com o carro da luzinha acesa por medo do carro travar de repente.

Volto a apreciar as vantagens da bicicleta: nela, não me sinto só; não provoco acidentes graves; não gasto tanto dinheiro; sei consertar.

Um comentário:

matias disse...

tenho o mesmo sentimento... esses dias quebrou a droga do meu carro, uma correia. Pedi ajuda pro meu pai que comprou outra correia e veio ao meu encontro, mas e pra trocar a bagaça? Tomei um baile e acabei tendo que recorrer a um mecânico profissa que cobrou pela troca da correia o dobro de seu valor. Sentimento ruim, mas pra mim isso faz parte do trabalho que no fudo é bom.