domingo, 20 de novembro de 2011

É assim mesmo até que haja indignação

Depois de 67 dias de greve, a situação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) ganha visibilidade na mídia. O que foi preciso para que as atenções de cidadãos brasileiros fossem voltadas para a greve da UNIR? Bilhetes que continham ameaças de morte direcionadas a alunos e professores grevistas. Este não é o primeiro ato de terrorismo vivenciado pelos grevistas. E terrorismo, segundo Stéphane Hessel, é sintoma de desespero.

O público (e a mídia) responde prontamente aos atos de terrorismo. A prisão (por agentes à paisana) do professor de História fez o número de visualizações do blog do Comando de Greve triplicarem de um dia para o outro. A detenção dos alunos que saíam da gráfica com panfletos igualmente comoveu o público e mais uma vez chamou atenção para o despreparo da Polícia Federal. Foi preciso que os estudantes ocupassem a Reitoria para que o MEC voltasse sua atenção para Rondônia.

Esta greve não é por salários, não se trata de um confronto entre patrões e empregados. Esta greve é por condições de trabalho e estudo. Foi preciso parar as atividades docentes para evidenciar que o que a gestão da UNIR vinha fazendo não é normal.

Não é normal abandonar oito campi e não empregar as verbas vindas pelo REUNI na manutenção das instalações e realização de novas obras. Não é normal não oferecer restaurante universitário, hospital universitário, moradia estudantil, laboratórios, salas de aula, computadores, livros etc. Não é normal repassar dinheiro a uma instituição inidônea (Riomar). Não é normal que um sindicato lute contra aqueles que deve representar. Não é normal oferecer cargos de confiança a recém-concursados. Não é normal aprovar pessoas em concurso numa cidade do interior, onde o curso está em formação de quadro docente e em seguida removê-los para a capital. Não é normal plagiar trabalhos acadêmicos. Não é normal a universidade oferecer cursos profissionalizantes em convênio com um instituto, receber inscrições e dinheiro, rescindir contrato com o instituto, não notificar a população e não devolver o dinheiro aos pagantes. Não é normal que o campus, que sofreu uma vistoria técnica dos bombeiros, não seja interditado por uma decisão política. Não é normal que alunos sejam detidos por portar panfletos que continham uma charge do reitor. Não é normal que a Administração Superior de uma universidade precise de uma comissão de apoio vinda do MEC para botar ordem na casa. Não é normal que um reitor que não consegue acessar o seu gabinete por 46 dias não renuncie. Por fim, não é normal que grevistas sejam agredidos pelos seus colegas.

Por não considerar essas e outras situações normais, nos indignamos e permanecemos em greve. Finalizo com as palavras de Hessel: “Criar algo novo é resistir. Resistir é criar algo novo”. Através da nossa resistência, pretendemos criar uma nova universidade.

Um comentário:

Mônica disse...

Finalmente vcs ganharam espaço na mídia nacional e talvez conquistem algumas reivindicações. A ocupação e a greve na UNIR tem uma causa pela qual se deve lutar. Enquanto isso, aqui em SP os alunos da USP ganharam capa da Veja porque ocuparam a reitoria defendendo o direito a fumar maconha na universidade (defender uma ideia pode até ser, mas enquanto o ato for proibido, não dá para abrir exceção, né?).