sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Osso duro de roer

Apesar de ter saído do cinema verde e vomitando, eu achava que Cidade de Deus era mais filme de gente grande do que Tropa de elite. Em Cidade de Deus, a favela é o personagem. No Tropa de elite, o capitão Nascimento é o herói. Num filme hollywoodiano, cheio de adrenalina e testosterona, um policial é o herói. A trilha sonora e o narrador dão o tom do filme.

Acabo de ver Tropa de elite 2. Menos adrenalina, menos trilha sonora, mais palavrão, muito mais tiro e aquele narrador com cartas na manga continua lá. A primeira cena do filme é a emboscada que armaram pro herói. Como é o herói que narra e o público brasileiro ainda não está acostumado com narradores mortos, o público confia, desde a primeira cena, que toda a estória será contada até o momento da emboscada. A poucos minutos do final, chega a cena da emboscada. Se o filme tivesse chegado a essa cena na metade, o público sacaria que "é cedo pro narrador morrer". A poucos minutos do final, o público já suspira pelo herói e rejubila quando percebe que a vítima da emboscada tinha armado pra cima do inimigo. A força e o descontrole (físicos) do capitão Nascimento se transformaram, no andar do coronel Nascimento, numa postura de tartaruga puxada pelo rabo.

Dos filmes que vi do José Padilha, fico com o Ônibus 174.

Um comentário:

bill disse...

Concordo contigo, Ônibus 174 é o melhor.

Mas o Tropa 1 e 2 ainda me parecem filmes bastantes relevantes, que tem muito a dizer.

E o 2 me parece mais interessante que o primeiro.