quarta-feira, 20 de abril de 2022
Três homens, duas motosserras e uma árvore em um dia
domingo, 17 de abril de 2022
MAO fechado
É a terceira vez (desde o início da pandemia) que cancelamos uma viagem a Manaus. Nas outras vezes foi o medo da covid, dessa vez foi a condição de saúde da Agnes. Foram dois dias de hospital. No primeiro dia, fomos de mochila preparada para internação, já que Agnes estava vomitando muito e com diarreia. No segundo dia, fomos com o resultado dos exames na mão. Não era bactéria: era viral, então a cura se daria pelo tempo, hidratação e alimentação sem leite ou gordura.
O atestado que a médica nos deu garantiu que não tivéssemos que pagar as taxas de cancelamento na companhia aérea. Não embarcar com doença infecto-contagiosa é premiado.
Nessas idas ao hospital, a gente mergulha na vida de tanta gente, participa de tantos dramas alheios... Hoje, por exemplo, tinha mais criança aguardando atendimento do que adulto.
Será que devemos desistir de conhecer Manaus?
sábado, 16 de abril de 2022
As palavras e o mingau
Meus pais ligaram de manhã pra cantar parabéns e desejar feliz aniversário pra Agnes que completa 6 anos hoje. Aí ela contou que estava comendo mingau. Meu pai perguntou o que era mingau e a menina se escandalizou:
"Você nunca comeu mingau em toda a sua vida? Você não conhece mingau???"
Intermediei, explicando que Opa fala alemão e que o que ela conhece como mingau ele conhece como Brei.
"Eu tô comendo Brei, Opa."
*
As palavras e as coisas...
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Festa no susto
Ontem veio bilhetinho na agenda da Agnes pedindo um bolo de chocolate com cobertura pra comemorar a Páscoa. Agnes e eu fomos na confeitaria escolher um bolo bem bonito e nos demos conta que não haveria mais oportunidade de comemorar o aniversário dela (sábado) porque viajaremos na semana que vem por uma semana.
Pedi pra cantarem parabéns pra ela, mandei velas e um balão junto com o bolo. Como a escola já tem prática de aniversários, deu tudo certo.
quarta-feira, 6 de abril de 2022
domingo, 3 de abril de 2022
A estrada embaixo da água
Antes de sair de casa, verifiquei o nível do Madeira pela ponte. Tava alto. Agnes e eu atravessamos a ponte sobre o rio Madeira olhando os troncos descendo no rio. Reparei que na estrada da beira não tinha quase movimento.
Eu estava com medo dessa água parada transbordar, mas como existe desnível, continuava sendo possível adivinhar a estrada embaixo da água. Ali no Maravilha, seria preciso lembrar onde era a estrada...
quinta-feira, 31 de março de 2022
10 anos Scielo Books
Minha fala é de 7 minutos e começa depois do marco de 1h24min. Fui convidada a falar no painel porque represento a ABEU no Comitê Consultivo da Scielo Livros. A comemoração foi uma imersão no universo editorial: bem bacana.
Detalhe: quem me apresenta é Márcia Abreu, ex-editora da Editora Unicamp que publicou o meu livrinho sobre sinais de pontuação!
quarta-feira, 30 de março de 2022
domingo, 27 de março de 2022
Discurso na demência
Estou em Novo Hamburgo (RS) para visitar o meu pai. Avisei o pessoal da casa de repouso que viria, então elas tiveram tempo para preparar o Harro pra surpresa.
Quando cheguei, ele logo me reconheceu: "como foi que você chegou aqui?" Mas será que ele sabia quem eu era? Em outras vezes, eu tinha a sensação de ele oscilar entre me classificar como filha ou esposa. Daniele chegou pra ele e perguntou à queima-roupa se ele sabia quem eu era: "claro que eu sei!" Insistiu: "Então quem é?" Ele deu olé: "Tu não sabe quem é ela? Como é que tu deixa gente estranha entrar aqui?" Daniele cresceu pra cima dele: "O que ela é tua?" Ele se espremeu: "Minha amiga, ela vem me visitar."
Reparei que ele tinha um discurso vago: "Agora estou trabalhando mais do que antes. Agora que cheguei na minha meta, estou conseguindo desenvolver bem. Antes eu precisava de muitas pausas, precisava caminhar para pensar em boas soluções, agora está tudo mais automático." Assim como sumiu o meu nome ou o tipo de vínculo que tenho com ele, sumiram a casa, o trabalho, as referências. Mas alguma coisa da conexão ficou: eu disse que Philip trabalha com crianças e ele logo respondeu que o menino tinha sido talhado pra isso mesmo, pro trabalho prático, que o estudo sistemático (universitário) pra ele não era importante.
Ele avisou que só ficaria ali, na casa de repouso, por mais três meses. Depois voltaria pra sua casa. "Onde fica a sua casa?" Pausa para digerir a surpresa: "Mas eu tinha uma casa, não tinha?" Ele disse que sua dieta é praticamente peixe e frutos do mar. Não consigo imaginar em que período da sua vida isso pode ter sido verdade. Contou que a visão piorou muito depois daquela explosão. "Fui misturando umas substâncias, um pouco disso, um pouco daquilo e BUM, fez-se um clarão que me deixou cego por um mês." Também não consigo atestar isso, ou seja, o discurso dele é cheio de devaneios aventurosos.
Enquanto conversávamos, uma senhora sentada perto da porta gritava de tempos em tempos pelo Sérgio. "Ele já foi?" Os funcionários que estavam na casa se alternavam para responder a ela: "O Sérgio foi trabalhar", ou "Ele foi na padaria, buscar o pão da janta." De vez em quando ela levantava da cadeira, fazia menção de andar, mas alguém ia lá e a acomodava de novo na poltrona. Quando ela foi ficando mais aflita, chamando pelo Sérgio e pela polícia, um dos funcionários foi lá, sentou do lado dela, deu a mão e disse que tinha chegado.
As poltronas foram reacomodadas e essa senhora foi alocada do meu lado, longe da porta. De repente todos os funcionários tinham saído e todas as atenções foram fisgadas: "Sérgio! Todos voltaram pra casa, menos ele. Vamos comigo ver o que está acontecendo? Me ajuda, por favor, eu preciso saber onde está o Sérgio. Meu Deus! Sérgio! Tu tá com a cabeça estourada, te fizeram mal? Eu não posso ir aí, estou com o pé machucado, também me fizeram mal. Polícia!"
Harro me perguntou o que estava acontecendo. Eu disse a ele que ela estava presa numa cena do passado. Ele entendeu perfeitamente e disse que isso pode acontecer com qualquer um.
Com o presente, Harro lida bem: faz piada, é esperto, conversa com qualquer um sobre qualquer coisa. Em relação ao passado, sinto que ele perdeu as referências: é como se visse vultos e o discurso fica vago.
quarta-feira, 23 de março de 2022
Dói DOI
A última coisa que se insere num livro é a ficha catalográfica, porque ela contém o número ISBN, o número de páginas do livro, ano de publicação etc. Depois de inserida a ficha catalográfica, o livro produzido digitalmente pode ser publicado ou ir pra impressão. É comum que a versão em PDF de um livro seja usada pra impressão - o que explica por que editoras universitárias ainda publicam seus livros digitais em PDF e não ePub, que é um formato mais elástico, que se adapta à tela (do celular, Kindle, tablet, computador). Pra quem só tem celular, livro em PDF é um tormento.
O DOI é um caminho digital que leva a um arquivo digital seguro. Muitas revistas eletrônicas atribuíram DOI retroativamente aos artigos publicados online antes da era DOI. Eu mesma notei que um artigo meu de 2010 ganhou DOI. Ou seja, virou praxe ter DOI. No Lattes, basta clicar no <doi> que se chega no artigo sem precisar buscar por ele no Google.
O que os bibliotecários que lidaram a vida toda com livros impressos não sabem é como se adquire o DOI. É preciso mandar uma planilha informando basicamente tudo que está na ficha catalográfica + orcid dos autores ou organizadores + link da publicação. Trocando em miúdos, só é possível pedir DOI para livros digitais já publicados.
Mas como se insere o número DOI na ficha catalográfica de um arquivo já publicado? Tem um truque: o número DOI é previsível porque é composto por um prefixo + ISBN digital. Eu expliquei isso pra bibliotecária. Pra ela, prever um número que ainda não foi adquirido (sim, DOI custa - em dólar) é quase heresia e causa dor na consciência.
sábado, 19 de março de 2022
Túnel do tempo
A música está voltando. Durante a gravidez, ouvir música (qualquer que fosse) me fazia chorar. Depois passei muitos anos sem ouvir os meus CDs ou mp3 e irritada com a música que Luis ouvia ocasionalmente. Foi com Agnes que eu voltei a botar música pra ouvir, mas ela não gostava quando eu cantava junto (acho que é porque eu entrava por um túnel e ela não me via mais). Ocasionalmente, voltei a colocar música instrumental pra trabalhar no computador. Nos tempos de dissertação e tese, era Pandora que me movia.
Agora que a escola da Agnes é do outro lado da cidade, decidi colocar música no pendrive e o pendrive no carro. Quando percebi que ela começou a cantar um refrão do Pato Fu, eliminei todas as músicas em inglês (e hindi) do pendrive e botei muita música em português.
Aí, quando eu atravesso a cidade pra buscar a menina na escola, sou transportada de volta para Oca da Tapioca, em que sempre se fez muita música:
O túnel do tempo me transporta para momentos vividos intensamente,
pessoas que me apresentaram músicas, bandas, sonoridades
e pra mim mesma.
quinta-feira, 17 de março de 2022
Morfologia pop
Depois de passar pela experiência de organizar um evento sobre popularização de Linguística, coordenar a comissão de popularização da ABRALIN e expor trabalho num evento internacional sobre popularização de Linguística, mudei a minha forma de dar aula.
Teve seminário, sim, mas não teve nem prova nem exercícios semanais. Teve projetos de popularização. Nos seminários, os alunos de Morfologia tiveram que apresentar um determinado texto aos colegas. Alguns textos eram capítulos de livros, outros eram artigos, outros eram palestras no Youtube. Eu chamo isso de seminário de texto, mas pode ser interpretado como uma mistura entre resumo e fichamento. Para os projetos de popularização, eu distribuí temas (negação, prefixo -inho, cruzamento vocabular, derivação não composicional etc.) e, na medida do possível, textos. Mas os textos não precisavam aparecer no produto de popularização.
Falei, nas aulas, sobre podcast, vídeo, edição de imagem, mas quando vi as apresentações dos alunos, percebi que não precisava ter instruído nada disso, porque eles manipulam muito mais ferramentas digitais que eu. Muitos alunos fizeram postagens seriadas (no Facebook e no Instagram), ou seja, uma sequência de quadros em que explicavam em linguagem acessível e bem-humorada o tema deles. Memes fizeram bastante sucesso! Teve gente que fez vídeos no Youtube, desenhou história em quadrinhos e colocou em sequência (moving pictures!) e fez animações com modelos pré-formatados. Uma moça inventou um jogo. Minhas competências digitais não alcançam o que eles fizeram.
E o mais legal é que TODOS fizeram, publicaram (para os seus pares nas redes sociais, para os colegas e a professora) em lugares que extrapolam a sala de aula e aprenderam Morfologia usando suas habilidades digitais. Os nomes que deram aos perfis e páginas também foram morfologicamente talhados: "morfossurtados" e "cruzamento vocabuloso", por exemplo.
Não sei se, em termos de conhecimento adquirido, o conjunto se beneficia dessa colcha de retalhos, mas o processo criativo (e a possibilidade de criar) foi muito válido e bem-vindo nesses tempos de ensino remoto.
sábado, 12 de março de 2022
A máquina e o tempo
Heloisa, minha colega de departamento, tinha deixado o carro dela na nossa garagem. Como o carro era velho, ela pedia que a gente ligasse o carro de tempos em tempos. Aos sábados, quando nossos caminhos se bifurcavam (eu me encontrava com minhas orientandas PIBIC e Agnes ia no ateliê), Luis levava Agnes com o carro da Heloisa.
Com o tempo, os pneus iam perdendo ar. Uma vez eu tive que chamar o borracheiro pra vir aqui, tirar o pneu, consertar a válvula na borracharia e voltar pra instalar o pneu. Nas outras vezes, a gente levava o carro no posto de gasolina e calibrava os pneus.
O nosso carro acende uma luz de alerta de tempos em tempos. É sempre na primeira vez no dia que o carro é ligado e costuma ser comigo. Luis dá umas aceleradas e resolve. Ontem, às 15 pras 6h da manhã, a luz acendeu e não houve pisada no acelerador que fizesse apagar a luz de alerta. Fui assim, fuscando em baixa rotação até a rodoviária, buscar a Heloisa.
Quando colocamos a mala dela no carro e dei partida, o carro funcionou normalmente. Viemos pra casa, tomamos café e Agnes e Luis vieram pra mesa também. Lá pelas 8h, Heloisa e eu descemos, tiramos a mala dela do nosso carro e colocamos no carro dela e ela não conseguiu dar partida no carro dela. E agora? Entramos as duas no meu e fomos procurar um mecânico. Achamos um lava-jato pra caminhão que prometeu ajudar. Foi chegando gente de moto e arranjaram o cabo da chupeta. A moto com dois em cima nos seguiu até em casa. Cada um abriu um capô de carro e conectou os grampos. Eu dei partida no meu, Heloisa no dela, e funcionou. Ela saiu daqui seguindo a moto, pra calibrar os pneus com eles lá.
Depois de buscar a Agnes na escolinha, fomos tomar açaí. Quando fui dar ré pra sair da vaga, tive a sensação de que atropelava alguma coisa com as rodas de trás. Depois, manobrando, tive a sensação de que a roda de trás (lado do motorista) tinha caído ou estourado. Depois desse desconjuntamento sentido, mas não verificável pela visão, o carro seguiu até em casa sem dificuldades.
Hoje de manhã cedo Luis levou o carro na mecânica e o rapaz lá mostrou que 3 suspensões estavam inoperantes e que era preciso trocar os 4 amortecedores. A máquina desgasta com o tempo: os dentes do uso mordem a máquina; os dentes do tempo ocioso mordem a máquina.
sábado, 5 de março de 2022
Empenho
Enquanto editora solitária da EDUFRO, sou eu mesmo quem precisa cuidar de toda a parte burocrática da contratação da empresa terceirizada que produz os nossos livros. Não temos revisor, diagramador, nem técnico administrativo, por isso é preciso pagar pelo serviço.
Assim que a terceirizada foi contratada, a moça do financeiro de lá me pediu o empenho. Eu tinha uma vaga ideia do que isso podia ser, então fui lá na Reitoria, procurar saber do tal do empenho. Quando, via processo, o empenho chegou, repassei o empenho para a terceirizada. O valor contratado era de aprox. 60 mil reais e o empenho estava no valor de 3 mil. O pessoal da terceirizada pediu explicações. Voltei na Reitoria e entendi que como o contrato tinha sido firmado perto do fim do ano, não havia como executar (gastar, pagar) todo o valor ainda naquele ano. Por isso só esse valor simbólico.
A partir daí entendi que o empenho era uma demonstração para a contratada de que a universidade garantia saldo, de que honraria o compromisso. O contrato foi renovado e no aditivo do contrato (cujo valor não foi alterado no segundo ano) constava o número de uma nota de empenho. A moça da terceirizada foi procurar esse empenho no Portal da Transparência e viu que o valor era só metade do valor total contratado. Não sei como, ela achou outra nota de empenho feita no dia seguinte, com a outra metade do valor. A dúvida dela era onde esse segundo empenho estava referido no aditivo do contrato.
Comecei a procurar no processo de contratação e achei o segundo aditivo (com valor reajustado a maior) que mencionava uma nota de empenho que discriminava certinho os serviços de revisão, diagramação e impressão tal como acertado no primeiro aditivo. Comecei a sentir as paredes do labirinto me apertando quando ela me mostrou o empenho que eu não consigo localizar no processo, mas que consta no Portal da Transparência, em que quase 30 mil reais são destinados ao serviço de revisão. Tá certo que revisão custa caro, mais que a diagramação, mas num livro em papel, a impressão é a parte mais cara: dois terços do valor total. Então, se a impressão custava 40 mil num contrato de 60 mil, a revisão não podia custar 30 mil. Nessa hora, ela perguntou: "posso te ligar?"
Expliquei que ela devia se orientar pelo contrato - o primeiro aditivo do contrato - e não pelos valores do empenho, porque o empenho era só uma garantia de que a universidade pagaria, não uma obrigação. Mesmo assim, eu fiquei de investigar essa questão no setor financeiro na Reitoria.
Disparei muitas mensagens com PDFs anexados no whatsapp do sujeito que responde pelo financeiro na universidade. As mensagens digitadas evoluíram pra audios, até que ele perguntou: "posso te ligar?"
Durante a conversa, ele aventou um monte de erros que pudessem explicar essas referências descruzadas e disse que a universidade tem autonomia de cancelar um empenho se entender que já passou muito tempo do prazo de execução. Em resumo, não é o EMPENHO que vale, é o CONTRATO que vale e ponto final.
Eu dei risada, agradeci e lembrei que a palavra 'empenho' é polissêmica: está no penhor > empenhorar e no empenho > esforço. De minha parte, fiquei mentalmente esgotada depois de tanto empenho em descobrir o que eu já sabia.
quinta-feira, 3 de março de 2022
Vacina pediátrica
Fui buscar Agnes na escola: vamos tomar vacina? Ela se encolheu toda e disse que estava com medo. Expliquei a ela que a vacina protege não só ela como todo mundo à sua volta e que tomar vacina é uma atitude política.
- Qual seu nome?
- Agnes. E o seu, qual é?
- Isabelle.
- Eu tomei a vacina, olha só a picadinha.
- Você chorou?
- Chorei, mas depois teve sorvete e pula-pula, aí eu parei de chorar.
terça-feira, 1 de março de 2022
Depois das chuvas
Choveu muito, dia e noite. Quando o sol voltou a aparecer e os dias passaram a ser mais quentes do que molhados, voltamos a pensar em ir ao sítio. A estrada não alagou, mas a água do Maravilha está tão alta, que tem muito pescador em volta, no meio da estrada.
| Acho que despolparam açaí. Aí começa a nascer mudinha. |
E a novidade no Damián é que ele conseguiu doar 5 (dos 7) filhotes + a Judite e que Tauro voltou pra casa.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Emogesto
12/07/2013
:) 18:00
;] 18:01
Quando não estavam juntos, eles tinham estabelecido o ritual de enviar um ícone que expressasse o que estavam sentido - sempre às 18:00.
01/10/2014
:o 18:00
ˆ-ˆ Ué, o que foi? 18:00
Usavam sinais de pontuação e outros sinais gráficos para formar emoticons. Acreditavam que os ícones pudessem representar suas emoções.
29/05/2015
😍 18:00
😘 18:01
Os celulares mudaram e eles passaram a usar os emojis disponíveis. Deixaram de usar os sinais de pontuação e se perguntaram se os emojis eram uma evolução dos emoticons.
13/09/2016
😴 18:01 Tive que botar o despertador
😬 18:01
Os emoticons eram feitos de sinais de pontuação, mas não funcionavam como vírgulas, aspas, parênteses ou dois pontos. Podiam, no máximo, aparecer como exclamações.
02/11/2017
💋18:00
💞18:00
Havia um menu de emojis e lá era possível escolher entre muitas imagens prontas.
14/03/2018
💦 Chuva 18:00
😓 Esqueceu o guarda-chuva? 18:01
🙏 Fecha as janelas 18:02
😂 18:03
As imagens, contudo, não eram muito eficientes na comunicação. Entenderam que os emojis não eram como a linguagem: por mais que haja mal-entendidos durante a comunicação verbal, é sempre possível chegar ao entendimento mútuo através da linguagem. Os emojis não eram autossuficientes, era preciso recorrer à linguagem para explicar, descomplicar, desimplicar.
27/04/2019
😁 18:00
😋😌😎😏😑😠😝😜😰😱😻🙈🙉🙊🙀😳💥💝😙 18:02
🙋 Oi, filha! 18:03
Qual era a função dos emojis? Para crianças, eram divertidos. Mas os adultos também usavam emojis e não era só por diversão.
20/08/2020
😷18:00
😉 Sim, eu trouxe máscara reserva. 18:01
Se não eram sinais de pontuação nem linguagem, mas participavam de maneira frequente nas trocas de mensagens, tinham que exercer alguma função relacionada à comunicação.
01/10/2021
😡 18:00
😤18:00
Os emojis representavam um outro tipo de sentido: gestos. Enquanto falamos, usamos gestos variados (que variam de acordo com a autonomia: podem ser usados sem a linguagem 👍 porque significam algo, com a linguagem 😉 para ratificar o que foi dito ou ainda ser movimentos sem muito significado que fazemos enquanto falamos👐). Não é à toa que recorremos mais frequentemente aos emojis de carinha e mãozinha: é como fazemos gestos na fala.
22/02/2022
😍 18:00
😘18:00
Para saber mais:
McCULLOCH, Gretchen. Because internet: understanding the new rules of language. New York: Riverhead Books, 2019.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
Automonitoramento
Agnes instalou na cama dela um medidor de tamanho. Quando ela fica parada ali, ela entende que está quase no vermelho (só que quando eu meço, já está bem uns dois dedos dentro do vermelho). Perguntei o que acontece quando ela chegar no vermelho.Vou ficar adulta, ué.
Pra ela, as fases da vida são: bebê, criança e adulto.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
Lorem ipsum
Talvez você já tenha reparado nesse Lorem ipsum em páginas-modelo do Powerpoint ou outro tipo de template. Trata-se de um extrato de um texto latino que exerce a função de coringa.
No design gráfico, os profissionais têm um superpoder incrível que é conseguir ver um texto sem lê-lo. Designers e diagramadores são treinados para ver formas, espaços e planejar a página. O texto, as palavras, pouco importam: o texto é encarado como uma mancha textual. Então recorrem ao lorem ipsum para ter uma noção do que seria um texto normal, com parágrafos standard e palavras de tamanhos variáveis. Com esse lorem ipsum, podem experimentar fontes diferentes, explorar o tamanho das letras e a disposição das partes na página. O conteúdo do texto não importa. Importa a forma, a materialidade.
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Eu fui formada em Letras e não consigo não ler as letras. Como editora, tenho acesso aos comentários que a revisora dos livros da EDUFRO faz aos autores. Um dos autores, formado em Jornalismo e Comunicação, usou um lorem ipsum de uma página e meia para segurar o lugar do prefácio - que, na ocasião em que enviou a versão final do livro, ainda lhe faltava. A revisora anotou: traduzir o prefácio!
Eu repassei a revisão ao autor e pedi para introduzir o prefácio.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022
Escrever e coletar cogumelos
O livro é narrado em terceira pessoa sobre um amigo de infância que saiu de um vilarejo em que, depois dos bombardeios, as pessoas se acostumaram a coletar cogumelos para vender. Sempre os mesmos cogumelos amarelos. Esse amigo vira gente grande, se destaca profissionalmente e um dia, caminhando na floresta, vê um cogumelo porcino na altura dos olhos. A partir desse momento, sua vida passa a girar mais e mais em torno dos cogumelos. Passa todo o tempo livre nas florestas: cavocando, procurando, revirando, seguindo pegadas, memórias, o instinto. Vira especialista em cogumelos e passa a participar de eventos acadêmicos sobre cogumelos. Não come nem vende, apenas coleciona cogumelos.
O que esse amigo não consegue fazer é escrever sobre aquilo que tanto lhe ocupa a mente e o corpo. Então o narrador assume essa tarefa e escreve o livro que o leitor tem nas mãos. A história é sobre cogumelos, mas a metáfora é sobre o próprio ato de escrever. A escrita convoca o escritor. Escrever é sair, entrar na floresta, se perder e encontrar pequenos tesouros. Revirar a terra, olhar onde outros deixaram rastros, acompanhar o tempo das estações, intuir onde e quando brotarão. Escrever é caminhar nas próprias pegadas, voltar aos mesmos lugares e encontrar ali novas possibilidades. Escrever é se aventurar. Tanto o personagem como o ato de escrever são solitários, mas o acúmulo, o resultado deve ser público: de que adianta guardar cogumelos?
sábado, 5 de fevereiro de 2022
Bicicleta em desenhos
Será que não temos quadrinhos em português sobre bicicleta? Quadrinhos mesmo: pode ser charge, tirinha, graphic novel etc. que não seja instrucional, que não declame as regras de trânsito e os artigos do Código Brasileiro de Trânsito. Quadrinhos que sejam divertidos e sobre bicicleta. Em português, tem?
Em inglês, temos o Yehuda Moon, lançado em 2008 como webcomics (tirinhas diárias no site) que ganhou 6 volumes impressos. Praticamente todas as culturas da bicicleta ganham espaço no Yehuda: Sister Sprocket anda numa fixa, joga polo de bike e participa de alleycats.
Nunca acompanhei corridas, nunca experienciei pelotão ou treino. Não consigo me convencer a tirar a poeira da minha bicicleta pra fazer ginástica. Eu me identifico muito mais com Yehuda (bicicleta é transporte), mas estou me divertindo com os ciclistas japoneses.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Da janela, com zoom
Da janela eu vi a preparação para a visita do Bolsonaro a Porto Velho. 9h da manhã o povo se aglomerando para ver o homem passar pontualmente às 13h58.
Da janela eu meço a altura do rio Madeira. Os pilares da ponte são a referência.
Do lado de dentro, fotografo o lado de fora.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
Testar não é fácil
Agnes teve febres difíceis de baixar. Muita dipirona, banho e gelo foram administrados por muito tempo. Como Luis teve confirmação de covid através de dois testes e eu tive, um dia depois de testar negativo, garganta fechada num dia e dor no corpo de manhã por três dias seguidos (eu culpava o sofá), suspeitamos que Agnes também estivesse com covid.
Fomos no Hospital da Unimed. O pediatra disse que no segundo dia de sintomas ele não podia pedir teste de covid pra criança, mas pediu exame de sangue. Não deu pra fazer o exame naquele dia, porque a fila do laboratório estava imensa e estávamos de jejum havia muito tempo. No dia seguinte, Agnes coletou sangue.
Eu fui na farmácia, fazer o teste rápido. Como já estava sem sintomas, não adiantaria fazer o teste do cotonete e estudamos as possibilidades de saber se já tive covid. Igg e Igm eram as minhas siglas mágicas. Havia fila na farmácia e um cartaz informando que o teste tinha que ser pago antes de pegar a senha. Fui no caixa. Acabou o teste. Acabou de hoje? Acabou tudo.
Voltei no mesmo laboratório em que Agnes tinha coletado sangue e paguei por um teste que me desse como resultado as tais siglas. Pedi nota fiscal, pra depois declarar e quem sabe restituir. Reparei que havia um protocolo rígido ali: suspeitos de covid são sempre acompanhados pelo atendente, fazem um caminho segregado e são atendidos num espaço específico - ao lado da ala pediátrica. E as duas enfermeiras que de manhã tinham coletado sangue da Agnes estavam lá coletando amostras de pessoas com suspeita de covid... A moça chegou com um cotonete pra mim e pediu que eu tirasse a máscara. Não! Igg, Igm! Ela teve um momento de estranhamento, dúvida e resolveu ler atentamente o rótulo do teste e o que estava escrito na minha pulseira. Chamou atenção da colega, explicando como era fácil de confundir os dois testes.
De tarde saiu o resultado: Agnes com inflamação (PCR) e eu com Igg reagente e Igm não reagente, ou seja, tive covid, mas ela não está mais ativa. Voltamos ao Hospital da Unimed. Luis foi no médico para pedir pra fazer teste pelo seguro de saúde. Não conseguiu. Entendeu que havia uma política de não fazer teste em quem já tinha passado pela ômicron por mais de uma semana. Depois Luis acompanhou a Agnes na pediatra. A pediatra teve que ser convencida a indicar o teste pra Agnes: terceiro dia de sintomas, se ela estiver com covid, não pode vacinar já, precisamos poder proteger os outros. Sabendo que ela está com covid, não a enviaremos a lugar algum.
Agnes chorou muito por causa dos cotonetes (um em cada narina). Teríamos que esperar 15 min pelo resultado. A pediatra ainda estava na expectativa de rever a Agnes, porque tinha localizado uma faringite que precisava ser tratada. A própria pediatra saiu do seu consultório e foi na farmácia ver se o teste já estava pronto. Não localizou o enfermeiro, entrou na sala em que o teste havia sido realizado e me disse que o teste que estava lá, sem identificação, tinha dado positivo. O enfermeiro tinha saído pra jantar. As outras enfermeiras diziam que só o enfermeiro é que podia nos dar o resultado. Depois de um tempo, passaram a ligar pra ele e preparar a papelada que eu tive que preencher.
Tivemos todos covid aqui em casa. Cada um a seu tempo, em períodos diferentes. Luis pegou primeiro, sofreu mais e teve sintomas por mais tempo. Eu peguei quatro dias depois que o isolamento dele começou. Passei a dormir com Agnes na sala e ela começou a ter febre três dias depois que eu apresentei sintomas. Agora ela tem arsenal de remédios pra faringite. A covid o corpo dela vai ter que combater sozinho.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
Em volta do umbigo
Dormir no sofá foi (pra mim) a pior parte da covid. Ontem, quando olhei pra fora da janela da sala, vi a avenida vazia. Nenhum carro estacionado na frente do Banco do Brasil. Meu primeiro pensamento foi: vixe, é domingo de novo?
Quando contei pro Luis que lá fora parecia feriado, ele concluiu: tá todo mundo com covid...
Pois é, duas explicações que se voltam pro próprio umbigo. 24 de Janeiro é feriado em Porto Velho: da padroeira, Nossa Senhora Auxiliadora. Você não sabia disso?
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Covid em casa
Luis testou positivo pra covid. Fez dois testes: na farmácia, o teste de furar o dedo e no laboratório fez o teste do cotonete. Ele teve um dia de forte dor de garganta, dia seguinte de coriza e prostração e agora já soa como ele mesmo, mas ainda está em isolamento. O quarto mudou bastante depois que ele se instalou lá (o banheiro do meio também, depois que eu passei a usar).
Agnes e eu estamos dormindo na sala. Tivemos que aprender a fazer isso, porque criança se mexe muito e a primeira noite eu não dormi. Em uma semana, hoje saí sozinha de casa pela primeira vez - pra ir na farmácia, fazer o teste. Deu negativo. Pra mim é sinal de esperança: é possível cuidar de alguém com covid em casa sem pegar o vírus.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
Onde estamos?
Quando um de nós sai com Agnes e demora pra voltar ou vai buscar e demora a voltar, quem está com ela envia uma foto dela para o outro; e quem ficou em casa se põe a tentar adivinhar onde estão. Hoje de tarde Agnes e eu fomos levar a nossa composteira no sítio. Ela queria caminhar, então avisei que estávamos em outro lugar que o sítio:
É que eu queria mostrar o que Agnes estava juntando na sacola: sementes de seringueira, que abundam no Parque Circuito.
Demos a volta toda, naquele caminho que imita o curso dos rios amazônicos, olhando para o chão. As pessoas que passavam por nós sorriam, ajudavam, abaixavam para pegar um desses ovos de dinossauro pra si. Passamos por uma mãe sentada num banco cheio de sementes e de uma criança alegre que gritava "achei!" Era como uma caça aos ovos de Páscoa.quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Banho de chuva
Meu despertador continua tocando muito mais cedo do que consigo acordar, mas mesmo assim eu sigo sendo a primeira a sair da cama. Sei que fecham uma das pistas do aeroporto de manhã e de tarde. Passei a caminhar lá (quando dá) no aeroportoparque de manhã porque tem sol, mata, vento na cara, pouca gente, superfície previsível e carros bem longe.
Ontem de tarde-noite choveu forte, daquelas chuvas de vento uivando, janela batendo e mundo branco lá fora. Como hoje de manhã apareceu um sol simpático e brisa fresca, me animei pra ir caminhar.
Caminhei olhando pro céu, lembrando da praia. Não sei se é a imensidão do céu na praia, se eram as cores das nuvens, ou se era o olhar vigilante no céu quando se está na praia: chuva nas férias é meio frustrante. O pressentimento de que choveria dali a pouco me veio como lembrança da praia. Ou era frustração por ter cancelado mais uma viagem? Que nada, ômicron taí.
Quando eu estava quase chegando na outra ponta, onde faço meia-volta e retorno, eu ouvi a chuva caindo. Antes de sentir na pele, percebi o som. Virei a direção, apressei o passo, tentei correr, mas logo perdi o fôlego. O cheiro de chuva me invadiu. Os cabelos, antes soltos, passaram a grudar uns nos outros, senti a água escorrendo pelos braços, senti que as meias estavam molhadas e vi que minhas roupas tinham mudado de cor. Quando foi o último banho de chuva? Lembrei de vários, memoráveis, bem remotos.
Melhor que cumprir uma meta de caminhar pelo menos duas vezes por semana de manhã foi esse banho de chuva que me transportou para um passado mais leve e aventuroso.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Voltando de lá
Heliconia na mata.
Judite tentando organizar essa galera.















