Depois de passar pela experiência de organizar um evento sobre popularização de Linguística, coordenar a comissão de popularização da ABRALIN e expor trabalho num evento internacional sobre popularização de Linguística, mudei a minha forma de dar aula.
Teve seminário, sim, mas não teve nem prova nem exercícios semanais. Teve projetos de popularização. Nos seminários, os alunos de Morfologia tiveram que apresentar um determinado texto aos colegas. Alguns textos eram capítulos de livros, outros eram artigos, outros eram palestras no Youtube. Eu chamo isso de seminário de texto, mas pode ser interpretado como uma mistura entre resumo e fichamento. Para os projetos de popularização, eu distribuí temas (negação, prefixo -inho, cruzamento vocabular, derivação não composicional etc.) e, na medida do possível, textos. Mas os textos não precisavam aparecer no produto de popularização.
Falei, nas aulas, sobre podcast, vídeo, edição de imagem, mas quando vi as apresentações dos alunos, percebi que não precisava ter instruído nada disso, porque eles manipulam muito mais ferramentas digitais que eu. Muitos alunos fizeram postagens seriadas (no Facebook e no Instagram), ou seja, uma sequência de quadros em que explicavam em linguagem acessível e bem-humorada o tema deles. Memes fizeram bastante sucesso! Teve gente que fez vídeos no Youtube, desenhou história em quadrinhos e colocou em sequência (moving pictures!) e fez animações com modelos pré-formatados. Uma moça inventou um jogo. Minhas competências digitais não alcançam o que eles fizeram.
E o mais legal é que TODOS fizeram, publicaram (para os seus pares nas redes sociais, para os colegas e a professora) em lugares que extrapolam a sala de aula e aprenderam Morfologia usando suas habilidades digitais. Os nomes que deram aos perfis e páginas também foram morfologicamente talhados: "morfossurtados" e "cruzamento vocabuloso", por exemplo.
Não sei se, em termos de conhecimento adquirido, o conjunto se beneficia dessa colcha de retalhos, mas o processo criativo (e a possibilidade de criar) foi muito válido e bem-vindo nesses tempos de ensino remoto.
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