Perdi a manhã inteira sentada na sala de espera do oftalmologista. Eu achava que eu tinha consulta marcada logo cedo, mas quando cheguei, tive que pegar senha e aguardar. Conforme o tempo passava, eu ia afundando na cadeira, o olhar perdido. A moça que finalmente me atendeu no balcão, pra digitar os meus dados no sistema e escrever o meu nome numa fitinha branca que ela afixou no meu punho tinha um crachá de técnica em enfermagem. Aquilo foi me deprimindo. Tanto estudo pra trabalhar no guichê anotando dados. Depois ela me levou numas máquinas, apertou botões e justificou o crachá.
Depois ainda fiquei uma hora sentada na frente da porta do oftalmologista que entrava e saía da sala com alta frequência. Afundei de novo na cadeira.
A consulta durou 10 minutos e ainda foi interrompida pela técnica em enfermagem. Tenho visão de piloto de avião, foi a conclusão. 40 anos? Vista cansada. Isso explica as náuseas quando leio de noite no meu celular? Em parte, sim. Tente mudar o brilho da tela, aumentar e negritar as letras, que melhora. Então o problema não sou eu, mas o celular!
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Preconceito
Esse semestre estou dando aula na Química, na Enfermagem e nas Ciências Contábeis. Dei a mesma disciplina nas três turmas, mas saíram muito diferentes, por causa das características próprias das turmas. A proposta do curso - explorar gêneros textuais diferentes e focar nos gêneros acadêmicos - foi a mesma, mas os textos que serviram de base para as avaliações foram direcionados para cada turma.
Para fazer o fichamento,
a turma de Química leu um texto sugerido por uma amiga minha, professora de Química (sobre o conceito de densidade em Química);
a turma de Enfermagem leu um texto do Mecacci (Conhecendo o cérebro, 1987) sobre os dois hemisférios cerebrais;
a turma de Contábeis ... bem, eu não pude contar com a ajuda de amigos professores de Contábeis, nem aproveitar qualquer convergência entre o que eles estudam e o que eu estudo. Como às vezes, durante aulas de sintaxe, por exemplo, havia atrito com um rapaz craque em gramática tradicional, a quem não consegui explicar a contento que a Linguística é uma ciência que toma por objeto a linguagem e que a gramática tradicional não é uma ciência, mas um modelo de uma língua idealizada, decidi oferecer como texto para fichamento o primeiro trecho do primeiro capítulo do Preconceito linguístico do Marcos Bagno. Todos, inclusive esse rapaz, souberam aproveitar bem o texto. Desse modo, o preconceito linguístico, muito disseminado na nossa cultura e expresso por esse rapaz mais de uma vez, se tornou ao menos visível.
Para fazer o resumo,
a turma de Química leu o conto A última pergunta, de Isaac Asimov (eles tinham feito textos argumentativos sobre fake news e se esforçaram para entender o tema. A última pergunta foi um prêmio);
a turma de Enfermagem leu o capítulo Crítica às ideologias do cérebro de Nildo Viana, sobre o determinismo cerebral, em que a separação do cérebro em dois hemisférios é criticada como sendo apenas uma ideologia (dentre outras, por exemplo, de que o volume cerebral informa sobre inteligência; de que é possível mapear comportamentos, sentimentos e dons no cérebro; de que o cérebro é fluido e tudo não passa de relações químicas; do paralelismo psicofisiológico etc.);
a turma de Contábeis leu o conto Um general na biblioteca de Ítalo Calvino. E eu escolhi esse texto porque acompanho o grupo de whatsapp deles (pois é) e as discussões entre eleitores de Bolsonaro e não Bolsonaro foram intensas. Tive acesso a muitas fake news através desse grupo, em que muitas pessoas replicavam desinformação e se agrediam com emoticons😏.
Adotei como estratégia didática estabelecer a data de entrega pra depois da aula. Como sempre recebo trabalhos antes da aula, tenho tempo de ler, perceber tendências, comentar em sala de aula e evitar mal-entendidos. Quase todos que tinham entregado antes do prazo acabam refazendo seus textos com base nos comentários em sala de aula.
Os primeiros resumos de Um general na biblioteca me assustaram: toda a dinâmica dos militares acampando na biblioteca com a missão de censurar livros que "fossem contrários ao prestígio militar" foi descrita - os carimbos, as patentes, os relatórios, a divisão de tarefas. Depois há um salto para o período de silêncio na biblioteca, que conduziu a base militar a decidir encerrar a missão. Em seguida, o general encarregado da missão apresentou seu relatório - que não agradou - e foi aposentado.
Fiquei pensando nO evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago. No romance, Saramago fez uma opção de não transcender a morte de Jesus. A história acaba com a morte do homem. Não há ressurreição - tão significativa para os cristãos. Saramago, enquanto ateu, acreditava que Deus não existe, portanto o Reino de Deus não é uma promessa. Os alunos que leram Um general na biblioteca e produziram resumos como descrito acima, fizeram uma opção por silenciar a transformação que aconteceu com os militares na biblioteca sob orientação do senhor Crispino, o bibliotecário? Eles não acreditam que o conhecimento transforma as pessoas, que convicções podem ser desconstruídas através do diálogo e do argumento?
Ou será que eles não entenderam o conto? Um deles confessou que não tinha entendido o conto nem na segunda leitura. Mas como ele tinha a tarefa de resumir o conto, procurou na internet. Achou um vídeo no Youtube e o entendimento assentou. Percebi grande resistência ao texto escrito. O audiovisual - ver e ouvir uma pessoa falando - fez toda a diferença. Decidi nunca mais fazer a brincadeirinha "gente, eu fiz Letras, não Números", porque parece que a recíproca é verdadeira - e preocupante, a meu ver.
Tentei comparar o conto com uma parábola. As parábolas de Jesus são, por exemplo, sobre sementes jogadas em lugares diferentes; não sobre pessoas que compreendem ou não uma mensagem. No meu entendimento, Um general na biblioteca é sobre militares que decidem censurar livros que não corroborem suas opiniões formadas; não sobre preconceito (pré-julgamento; Vorurteil; nas palavras de Bagno: "resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica"). Os militares acampados na biblioteca foram confrontados com uma complexidade que seus preconceitos simplificavam. Não conseguiram articular toda a complexidade recém apreendida no ato de apresentar relatório - e os seus superiores, que esperavam uma simples lista de livros permitidos e outra de livros proibidos, não souberam lidar com a desconstrução explícita de seus próprios preconceitos.
"Eu nem leio esse tipo de texto que desconstrói as minhas crenças, professora" disse o rapaz que afirmou que só em Portugal eles falam o português correto, mas fez um fichamento pertinente do início do Preconceito linguístico. Pois é. Escola sem partido é isso, não permitir que visões de mundo diferentes daquelas adotadas pela família (eles chamam de ideologia) sejam apresentadas na escola - e, se Bolsonaro conseguir, na universidade. Escola sem partido chama tudo que é de fora/desconhecido de ideologia, mas está inserido numa ideologia: o conservadorismo, a não abertura.
Retorno mais uma vez a Bagno: "A função da escola é, em todo e qualquer campo de conhecimento, levar a pessoa a conhecer e dominar coisas que ela não sabe [...]."
E já que estamos fazendo pontes entre ideologia e preconceito, complexo e confortável, recomendo A gigantesca barba do mal, grata surpresa do universo dos quadrinhos.
Para fazer o fichamento,
a turma de Química leu um texto sugerido por uma amiga minha, professora de Química (sobre o conceito de densidade em Química);
a turma de Enfermagem leu um texto do Mecacci (Conhecendo o cérebro, 1987) sobre os dois hemisférios cerebrais;
a turma de Contábeis ... bem, eu não pude contar com a ajuda de amigos professores de Contábeis, nem aproveitar qualquer convergência entre o que eles estudam e o que eu estudo. Como às vezes, durante aulas de sintaxe, por exemplo, havia atrito com um rapaz craque em gramática tradicional, a quem não consegui explicar a contento que a Linguística é uma ciência que toma por objeto a linguagem e que a gramática tradicional não é uma ciência, mas um modelo de uma língua idealizada, decidi oferecer como texto para fichamento o primeiro trecho do primeiro capítulo do Preconceito linguístico do Marcos Bagno. Todos, inclusive esse rapaz, souberam aproveitar bem o texto. Desse modo, o preconceito linguístico, muito disseminado na nossa cultura e expresso por esse rapaz mais de uma vez, se tornou ao menos visível.
Para fazer o resumo,
a turma de Química leu o conto A última pergunta, de Isaac Asimov (eles tinham feito textos argumentativos sobre fake news e se esforçaram para entender o tema. A última pergunta foi um prêmio);
a turma de Enfermagem leu o capítulo Crítica às ideologias do cérebro de Nildo Viana, sobre o determinismo cerebral, em que a separação do cérebro em dois hemisférios é criticada como sendo apenas uma ideologia (dentre outras, por exemplo, de que o volume cerebral informa sobre inteligência; de que é possível mapear comportamentos, sentimentos e dons no cérebro; de que o cérebro é fluido e tudo não passa de relações químicas; do paralelismo psicofisiológico etc.);
a turma de Contábeis leu o conto Um general na biblioteca de Ítalo Calvino. E eu escolhi esse texto porque acompanho o grupo de whatsapp deles (pois é) e as discussões entre eleitores de Bolsonaro e não Bolsonaro foram intensas. Tive acesso a muitas fake news através desse grupo, em que muitas pessoas replicavam desinformação e se agrediam com emoticons😏.
Adotei como estratégia didática estabelecer a data de entrega pra depois da aula. Como sempre recebo trabalhos antes da aula, tenho tempo de ler, perceber tendências, comentar em sala de aula e evitar mal-entendidos. Quase todos que tinham entregado antes do prazo acabam refazendo seus textos com base nos comentários em sala de aula.
Os primeiros resumos de Um general na biblioteca me assustaram: toda a dinâmica dos militares acampando na biblioteca com a missão de censurar livros que "fossem contrários ao prestígio militar" foi descrita - os carimbos, as patentes, os relatórios, a divisão de tarefas. Depois há um salto para o período de silêncio na biblioteca, que conduziu a base militar a decidir encerrar a missão. Em seguida, o general encarregado da missão apresentou seu relatório - que não agradou - e foi aposentado.
Fiquei pensando nO evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago. No romance, Saramago fez uma opção de não transcender a morte de Jesus. A história acaba com a morte do homem. Não há ressurreição - tão significativa para os cristãos. Saramago, enquanto ateu, acreditava que Deus não existe, portanto o Reino de Deus não é uma promessa. Os alunos que leram Um general na biblioteca e produziram resumos como descrito acima, fizeram uma opção por silenciar a transformação que aconteceu com os militares na biblioteca sob orientação do senhor Crispino, o bibliotecário? Eles não acreditam que o conhecimento transforma as pessoas, que convicções podem ser desconstruídas através do diálogo e do argumento?
Ou será que eles não entenderam o conto? Um deles confessou que não tinha entendido o conto nem na segunda leitura. Mas como ele tinha a tarefa de resumir o conto, procurou na internet. Achou um vídeo no Youtube e o entendimento assentou. Percebi grande resistência ao texto escrito. O audiovisual - ver e ouvir uma pessoa falando - fez toda a diferença. Decidi nunca mais fazer a brincadeirinha "gente, eu fiz Letras, não Números", porque parece que a recíproca é verdadeira - e preocupante, a meu ver.
Tentei comparar o conto com uma parábola. As parábolas de Jesus são, por exemplo, sobre sementes jogadas em lugares diferentes; não sobre pessoas que compreendem ou não uma mensagem. No meu entendimento, Um general na biblioteca é sobre militares que decidem censurar livros que não corroborem suas opiniões formadas; não sobre preconceito (pré-julgamento; Vorurteil; nas palavras de Bagno: "resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica"). Os militares acampados na biblioteca foram confrontados com uma complexidade que seus preconceitos simplificavam. Não conseguiram articular toda a complexidade recém apreendida no ato de apresentar relatório - e os seus superiores, que esperavam uma simples lista de livros permitidos e outra de livros proibidos, não souberam lidar com a desconstrução explícita de seus próprios preconceitos.
"Eu nem leio esse tipo de texto que desconstrói as minhas crenças, professora" disse o rapaz que afirmou que só em Portugal eles falam o português correto, mas fez um fichamento pertinente do início do Preconceito linguístico. Pois é. Escola sem partido é isso, não permitir que visões de mundo diferentes daquelas adotadas pela família (eles chamam de ideologia) sejam apresentadas na escola - e, se Bolsonaro conseguir, na universidade. Escola sem partido chama tudo que é de fora/desconhecido de ideologia, mas está inserido numa ideologia: o conservadorismo, a não abertura.
Retorno mais uma vez a Bagno: "A função da escola é, em todo e qualquer campo de conhecimento, levar a pessoa a conhecer e dominar coisas que ela não sabe [...]."
E já que estamos fazendo pontes entre ideologia e preconceito, complexo e confortável, recomendo A gigantesca barba do mal, grata surpresa do universo dos quadrinhos.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Cê tá falando errado
Agnes não produz nenhum som da família do R:
hua, hato, hio madela
guipe e tosse, fiio e calôa, um dois têis
ávoli, vemeio e amanelo
nem chia:
Zúlia, zanela,
sícala, sávi, socolati.
E me diz que eu estou "falando ehado". Deve ter aprendido na escolinha que existe certo e errado.
hua, hato, hio madela
guipe e tosse, fiio e calôa, um dois têis
ávoli, vemeio e amanelo
nem chia:
Zúlia, zanela,
sícala, sávi, socolati.
E me diz que eu estou "falando ehado". Deve ter aprendido na escolinha que existe certo e errado.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Lançamento de livro
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| Arte: Leidijane Rolim |
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| Foto: Eliane Gemaque |
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| Foto: Eliane Gemaque |
domingo, 14 de outubro de 2018
Dia das Crianças com os samurais
| Foto: Priscila Mello |
Com galhos de amora, barbantes coloridos e folhas de cupuaçu, as crianças fizeram passarinhos. Agnes esperou a Selma fazer pra ela, mas ela se divertiu igual.
Fiquei muito feliz de ver a minha pequena solta, correndo pelo espaço, interagindo com outras crianças, brincando com o passarinho dela.Depois teve parquinho e lanche. Comeu pipoca com todo mundo, dividiu o copo de suco com o Yuri, brincou e não queria ir embora. Fomos as penúltimas a sair.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Garten
Quando chove ou a gente rega o suficiente, o cactus dá flores.
Agnes sempre procura frutinhas nos arbustos dessas flores. Verdes, vermelhas ou pretas, ela já sabe que essas ela não pode comer.
Está nos chamando atenção a quantidade de borboletas e mariposas que aparecem dentro da casa.
Acerola colhida do pé. Virou suco.
Este ano, os cajus estão me parecendo pequenos.
Esse ano elas começaram a cair em agosto. As primeiras estavam cozidas do sol. Agora estão boas, mesmo com a estiagem recente.
Está nos chamando atenção a quantidade de borboletas e mariposas que aparecem dentro da casa.
Acerola colhida do pé. Virou suco.
Este ano, os cajus estão me parecendo pequenos.
Esse ano elas começaram a cair em agosto. As primeiras estavam cozidas do sol. Agora estão boas, mesmo com a estiagem recente.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Colativo
Agnes percebeu algumas coisas:
Band-aid cola.
Band-aid é curativo.
Adesivo cola.
Na falta de Band-aid, dá pra colar adesivo nos joelhos.
Assim, Band-aid e adesivo são colativo.
Band-aid cola.
Band-aid é curativo.
Adesivo cola.
Na falta de Band-aid, dá pra colar adesivo nos joelhos.
Assim, Band-aid e adesivo são colativo.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Ovo caipira
O primeiro ovo, da esquerda para a direita, é um ovo caipira comprado no supermercado. O do meio é da nossa galinha caipira, o mais comprido é o da Nagasaki.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
2 Editais de publicação
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| Imagem: Leidijane Rolim da Silva |
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Olga e Simão
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| Agnes, Lou e Olga no trem da EFMM. Foto: Simão |
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| Foto: Olga |
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| Nós na praça. Foto: Olga |
Pegamos uma lancha expressa que sai ao meio-dia do Cai n'água. A embarcação parece um ônibus por dentro, com vidro fumê e ar condicionado. Depois de aproximadamente duas horas, desembarcamos em São Carlos. Fomos os únicos a desembarcar: os outros seguiram a Nazaré, onde estava tendo Festa da Melancia.
Perguntamos pelo Márcio do MAB e seguimos até a casa dele. Solícito, ele foi de bicicleta até a beira, arranjar 3 motos pra nos levar até o Paçoca. Uma moto veio logo, a segunda não tardou, mas o terceiro motociclista perdeu o rumo. Esse foi o tempo que tivemos para colocar a conversa com o Márcio em dia.
Cada um montou na garupa de uma moto e fomos até a beira do Lago Cuniã. Chegando lá, combinamos e pagamos a volta no dia seguinte. Paçoca em pessoa nos atravessou. Disse que Ademilton tinha saído dali havia 10 minutos e de fato cruzamos com o barqueiro que havia levado o Ademilton.
A casa dele estava vazia. Nem na casa da irmã, nem da cunhada ele estava. Fomos no ICMBio, capturar o sinal wifi e mandar notícias pra casa, afinal a viagem tinha sido uma aventura. Encontramos o Ademilton no meio do caminho. Pego de surpresa, nos ofereceu a casa, mas recomendou a pousada. Fomos para a pousada pouco antes da Sheila ir pra igreja, depois jantamos no restaurante da Domingas.
Na manhã seguinte, Ademilton nos guiou pelo abatedouro de jacaré e explicou que não podia nos acompanhar num passeio de canoa no lago porque precisava se preparar para uma reunião com a comunidade sobre a reativação de antigos castanhais (a cheia de 2014 matou muitas castanheiras).
O sobrinho dele nos levou para um passeio no Cuniã. Vimos muitos pássaros diferentes (biguá, garça, maguary, urubu, ariramba e outros que não sei nomear) e com o tempo aprendemos a espreitar jacarés.
O irmão do Ademilton nos atravessou de volta até o Paçoca, onde 2 motos já nos esperavam. Carimbado e eu fomos na casa do terceiro, mas ele não estava. Apareceu no retrovisor, carregando o Simão. Almoçamos em São Carlos, fomos atravessados de bandeirinha (barco, voadeira) até a boca do Jamari, entramos no ônibus e descemos na frente da rodoviária. Luis demoraria a nos buscar, então fomos de Uber pra casa.
Só pra recapitular:
Uber - expresso - moto - barco na ida.
Barco - moto - barco - ônibus - Uber na volta.
No último dia, fomos visitar o Damián. Não deu tempo pra fazer trilha, mas eles ficaram admirados com o nosso ribeirinho argentino.
domingo, 12 de agosto de 2018
Primeira trilha na floresta
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| Foto: Luis |
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| Cruzando o igarapé |
No dia seguinte, me dei conta que tínhamos ido visitar o Damián para, entre outras coisas, recuperar as cunhas que prendem nossa mesa. Seguimos com a mesa meio bamba.
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| Agnes e Taurus |
Pedimos
pro Damián nos guiar até a trilha aberta pela SEDAM (?) depois da cheia
do ano passado. Trilha aberta pelo poder público para estudos
topográficos sem pedir permissão aos donos da terra. A trilha corta pelo
meio das terras do Jairo.
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| Nosso destino: a trilha aberta ano passado |
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Selá tem ... ?
Agnes vê esse clipe da Sopa do neném (Palavra Cantada) com grande alegria. Ela vai adivinhando os nomes dos vegetais, memoriza dobradinhas rimadas (macarrão e caminhão, palmito e pirulito) e agora transformou a música numa brincadeira.
Primeiro ela me pede pra cantar Sopa do neném!!!
Espera eu começar e logo manda parar. Pára, pára, pára, mamãe!!!
Selá tem zanela?
Selá tem nuvem?
Selá tem ávoli?
Selá tem neném?
Ela pergunta, eu canto o que ela perguntou e espero a pergunta seguinte.
E assim vamos longe na brincadeira.
domingo, 5 de agosto de 2018
São Paulo: tudo ao mesmo tempo, agora
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| Kit, Felipe, Ferrone e Pedro |
A caminho da estação São Bento, mais próxima do hotel em que eu estava hospedada, parei pra acompanhar o 1. Concurso de Música de Rua. Fiquei mandando fotos e vídeos pro meu irmão, que faz música de rua em Bremen. Achei bem bacana essa competição com júri e voto popular. Todas as apresentações que vi eram bem diferentes: voz e violão, percussão e sopros, rock n'roll autoral, violão de sete cordas, violino e bumbo. O trio do rock me emocionou pelo discurso engajado (não tanto pela música). Gaúchos, os três rapazes convivem com moradores de rua há 5 anos e compõem suas músicas com essa temática. Falaram do investimento da prefeitura anterior de SP (Haddad) em Cultura e no corte desse fomento na gestão atual e repressão à música de rua.
Depois que eu cansei da aglomeração de gente na Bienal, ainda quis ir no Memorial da América Latina, acompanhar um pouco do Anima Mundi, mas calculei mal o tempo pra encontrar o ônibus gratuito, a lotação do metrô, a confusão do Uber que inventou um trajeto de 11 horas da Santa Ifigênia à estação Barra Funda.
Se eu tivesse calculado melhor o tempo, teria tido concurso de música, feira de livros e festival de animação no mesmo dia.
25. Bienal do Livro em São Paulo
Na qualidade de "profissional do livro", fui visitar a inauguração da 25. Bienal do Livro em SP. Não tive que pagar ingresso e ganhei um crachá mágico que me proporcionava desconto de professor na compra de livros. Fui direto para o estande da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias). A conversa com o Rubens foi entrecortada, porque ele é o Rubens da ABEU, então todos foram cumprimentá-lo. Conversei com a Maristela, representante da ABEU Norte e editora da Editora da UEA e reconheci, pra minha surpresa, o Rodrigo Tadeu Gonçalves. Renato chamava o Rodrigo de "primo" e eu adotei esse vocativo 13 anos atrás. Agora ele é editor da Editora da UFPR. Me indicou um best-seller de musicalização para crianças e me deu de presente um livro dele que ele ainda ia lançar. Fiquei feliz com esse inesperado reencontro.
No primeiro dia de Bienal, percebi corredores largos e muitos estandes que não vendem livros: estavam lá, por exemplo, a Bic (caneta Bic), Microsoft, Kindle (e-reader da Amazon), Suzano Papel e Celulose, Museu da Língua Portuguesa, lojas de presentes e artesanatos e games.
As editoras universitárias de grande porte (da UFMG, UNESP e Unifesp, por exemplo), estavam localizadas na mesma quadra em que estava o estande coletivo da ABEU, o que para o Rubens é um avanço.
No segundo dia de Bienal, sábado, as massas invadiram o pavilhão do Anhembi. Os corredores ficaram apertados, havia muita gente parada, conversando na porta dos estandes, muita gente aproveitando instalações para registrar fotos de si mesmo (exemplo acima), fila pra tudo (desisti de comprar livros numa editora infantil por causa da fila) e aglomerações em volta de estandes de distribuidoras de livros que anunciavam "tudo R$ 10,00" ou "tudo 20,00". Havia mais gente disputando atenção no microfone, mais cheiro de comida, mais cansaço.
Na saída, as massas não tinham direção. Taxistas cobravam 5 reais pra levar na estação de metrô Tietê. Havia ônibus gratuito fazendo esse mesmo trajeto, mas esse ônibus precisava ser encontrado na base da pergunta, porque as placas dos ônibus levavam aos taxistas.
A Microsoft tinha um grande espaço dedicado à sala de aula do futuro. Sem professor, claro. Enquanto professora, acho arrogante e distópica essa sala de aula em que a tecnologia de ponta toma o lugar do professor.
No entanto, percebi a substituição da máquina pela pessoa quando fui fazer o check-in de volta, naquela noite. Eu mesma fiz meu check-in no totem, pesei e paguei a bagagem (comprei 12 kg em livros com desconto para professor). No balcão, só receberam a minha bagagem - que depois tive dificuldade para reconhecer na esteira, porque meteram-na num saco.
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| Rubens, secretário da ABEU e editores da Editus, Editora da UFSC (?), Editora da UEA, Editora da UFRGS, Editora da Fiocruz e da Unisinos |
As editoras universitárias de grande porte (da UFMG, UNESP e Unifesp, por exemplo), estavam localizadas na mesma quadra em que estava o estande coletivo da ABEU, o que para o Rubens é um avanço.
No segundo dia de Bienal, sábado, as massas invadiram o pavilhão do Anhembi. Os corredores ficaram apertados, havia muita gente parada, conversando na porta dos estandes, muita gente aproveitando instalações para registrar fotos de si mesmo (exemplo acima), fila pra tudo (desisti de comprar livros numa editora infantil por causa da fila) e aglomerações em volta de estandes de distribuidoras de livros que anunciavam "tudo R$ 10,00" ou "tudo 20,00". Havia mais gente disputando atenção no microfone, mais cheiro de comida, mais cansaço.
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| Museu da Língua Portuguesa com proposta de brincadeiras com a língua |
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| Espaço de contação de histórias |
No entanto, percebi a substituição da máquina pela pessoa quando fui fazer o check-in de volta, naquela noite. Eu mesma fiz meu check-in no totem, pesei e paguei a bagagem (comprei 12 kg em livros com desconto para professor). No balcão, só receberam a minha bagagem - que depois tive dificuldade para reconhecer na esteira, porque meteram-na num saco.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Reinauguração da Biblioteca
A EDUFRO (Editora da UNIR) fica dentro da Biblioteca no campus Porto Velho. A Biblioteca passou por longa reforma, em que o piso foi trocado, novas divisórias foram instaladas no térreo, os banheiros foram redimensionados para atender aos critérios mínimos de acessibilidade e outras mudanças, que a gente vai percebendo aos poucos, foram feitas, tipo: o quadro de energia em que ficava o disjuntor da Edufro sumiu.
Antes da reforma, tudo foi encaixotado e etiquetado por mim e Leidijane, a estagiária que faz a diagramação dos livros. Aí a Edufro passou a ser um buraco escuro e vazio.
Aos poucos, foram trazendo os móveis e as caixas de livro e fomos convocados a organizar nosso acervo. Tentamos negociar a limpeza, mas logo entendemos que a limpeza ficaria por nossa conta. Não foi bem assim: a equipe terceirizada nos (Gustavo, o estagiário que fica no atendimento, e eu) ajudou bastante a pensar o espaço, limpar as estantes, mover livros e nos manter de bom humor.
Isso foi bem na semana em que Luis estava viajando e Agnes estava de férias da escolinha. Deixei a menina por um turno na Maternar e Brincar, com receio que ela entendesse que essa seria a nova escola dela, com culpa de deixá-la - mesmo que se tratasse de uma casa de brincadeiras e de um lugar que ela já conhecia. Virou pra mim e disse: tchau, mamãe.
O ar condicionado era o único aparelho ligado à energia. Todas as outras tomadas e bocais estavam mortos e ninguém sabia onde tinha ido parar a rede elétrica da Edufro. E também não encontramos o controle remoto que faz o ar condicionado funcionar.
A porta de vidro se quebrou durante a instalação e ninguém entendeu ao certo como isso aconteceu.
Fui pra São Paulo, participar da 25. Bienal do Livro e os estagiários ficaram acompanhando a instalação (com sucesso!) da segunda porta de vidro, receberam a chave e Leidijane me mandou essa foto (abaixo) com a seguinte legenda: Edufro mais decente.
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| Foto: Mario Venere |
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| Leonardo Calderón (Propesq), Lou (Edufro) e Taís Leite (DCE). Foto: Mario Venere |
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