Olhamos o mapa de relance e pegamos a BR 364 rumo a Ariquemes. Na véspera da viagem, Luis tinha ligado pra pousada e tinham dito que a pousada ficava a 15 km depois de Tabajara (ao Norte de Machadinho). Os sanduíches que eu tinha feito pra viagem se acabaram antes da parada no posto Fazendinha, poucos quilômetros depois da entrada pra Cujubim. Esse (em azul) parecia ser o caminho mais curto.
Enquanto estávamos na BR, reparei que o lado de quem subia pra PVH era mais esburacado que a pista de quem descia pro resto do Brasil. Meu caro Watson explicou que os caminhões sobem mais carregados de mercadoria do que descem. Antes Porto Velho exportava madeira, agora não tem mais (tanta) madeira por aqui.
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| Se clicar na imagem, ela aumenta e dá pra ver mais detalhes. |
A paisagem era bem agro: soja, máquinas, café, trator, milho, boi, soja de novo outra vez. Quando não havia cercas dos dois lados da pista, a gente ficava: de quem são essas terras? Será uma reserva?
Chegamos na bifurcação entre Tabajara e a cachoeira 2 de novembro, onde fica a pousada. Não entramos em Tabajara porque queríamos chegar no nosso destino ainda de dia.
A imensidão do rio Machado e do tombo eram impressionantes. Todas as horas sentado no carro foram recompensadas pela paisagem.As fotos não conseguem mostrar os degraus do rio, o barulho da cachoeira, a ausência de mosquitos ou mutucas. Havia pessoas, brega tocando alto demais nos carros, garrafas por aí, gente bêbada tropeçando e gritando, mas tínhamos conseguido chegar. O céu estrelado avistado entre as árvores foi muito legal de ver.
Todas as nossas refeições foram na casa dos donos da pousada e Agnes logo fez amizade com todos os humanos e não humanos: a senhora porca e seus filhotes passando, os gatos que roubavam comida, os cachorros que não podiam entrar, os periquitos que não podiam sair, as galinhas que andavam por aí.
Ali no tombo da cachoeira vão construir uma barragem. Essa paisagem está com os dias contados.
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| Se clicar na foto, vai dar pra ver Agnes e Luis coletando pedrinhas |
Nós, que levamos trabalho, só conseguimos fixar os olhos no texto quando Agnes fez amizade com dois meninos hospedados lá.
Energia só tinha de noite: depois da janta, eles ligavam o gerador e assim funcionavam a luz e o ventilador. O chuveiro não era elétrico: Luis e eu achamos da hora; Agnes gritava. Tinha internet de satélite na casa, mas era beeem lenta e só funcionava de noite.
Agnes poderia ficar dias inteiros coletando pedras preciosas de rio. Luis achou essa (possível) ponta de lança e eu encontrei essa (talvez) cabeça de machado no rio Machado que depois passa a ser chamado de Ji-Paraná e que depois deságua no Madeira lá em Calama. Esse rio faz praticamente a divisa com o Amazonas.Voltamos por Machadinho e seguimos em direção ao Vale do Anari até a RO 257, que volta pra Ariquemes. Tive a impressão de que as cidades são ilhas no meio do paisagem. E me senti muito Mad Max, só pensando em gasolina conforme ela era consumida. Esse trecho era asfaltado, mas não todo: todas as pontes ainda eram de madeira e antes e depois da ponte havia trechos em terra. A placa informava: "Atenção! Fim do asfalto." Trafegamos por uma estrada que ainda não foi concluída - e já está bem desgastada e esburacada (a suspensão traseira direita que o diga).























