segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Self made Jardineira


Muito bem, você quer plantar umas ervas pra chá e tempero em casa e não quer gastar dinheiro em jardineiras. Nem nós. Passamos a manhã produzindo duas jardineiras e meia. Caixas de feira são a base. Mas como os vãos entre uma tabuinha e outra são grandes, completamos a caixa com mais tábuas.
Terra foi peneiradada e medida. Sim, Régis cortou o cabelo.Usamos cinco medidas de terra pra uma de cal, uma de areia, uma de cimento, água conforme a necessidade e fibra de bambu pra dar a liga depois na jardineira.
A cal é cruel: tranca a garganta.
Cal com terra: musculação.
Cal com terra e água: um nível mais puxado de musculação.
Massa de cal com terra, água e fibra: só para quem tem fibra.
"Meter a mão na massa" seria "bobinho", porque a cal não faz bem pra pele. Como não temos mais as luvas que a Renata usava pra lavar louça, usamos sacolas de supermercado mesmo.
Descobri que se não amarrava a sacola no punho, eu sujava menos a mão, porque eu não rasgava o plástico fino da sacola. Cada qual com os seus caracol.
Revestimos a estrutura de madeira das caixas de feira reforçadas com a mistura de terra que fizemos.
Voilá! Ela vai secar por umas duas semanas, rachar algumas vezes e ser remendada por algum de nós e então nos servirá de jardineira. Insisto em lembrar que Régis, Renato e Andréia trabalham com isso e podem ser contactados através do Equilibrius (http://www.equilibrius.com.br/).

Telhado pra composteira

Junior e Ruy tinham feito a estrutura de bambu. Serraram, cortaram, furaram, praguejaram, arroxaram arames, testaram a armação e se deram por satisfeitos. Fui chamada pra substituir o Ruy e puxar o plástico sobre a estrutura. Cortamos dois sacos de lixo ao meio e grampeamos o plástico no bambu.Agora pode chover à vontade, que a gente não vai mais sair correndo pra tirar a composteira da chuva.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Achei

Tá no www.bikeseadventures.com.br

Intensificadores preposicionados

Tava frio (adjetivo)

à beça
pra burro
pra caramba
pra caralho
pra danar
pra dedéu
de verdade

Fazia um calor (substantivo não-quantificável)

dos infernos
do caralho
do caramba
de rachar o côco
sem noção

Aqui tem tampinhas de garrafa (subst. quant.)

a rodo
a dar com pau
à beça
de monte
pra chuchu
pra caralho

Nadei (verbo de ação)

à beça
até não mais poder
de monte
pra caralho
pra caramba
pra chuchu

Detesto cachorros (verbo psicológico)

à beça
de paixão
com todo o meu ser

sábado, 6 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Bicicletada interplanetária

Dia 6 de dezembro uma galera vai descer a Imigrantes até Santos. Mais informações aqui.

Formação de palavras

Estudar morfologia é muito divertido. Existem diversos processos de formação de palavras (derivação, composição, onomatopéia, reduplicação, acrônimo), cada qual uma aventura particular. Os que eu acho mais empolgantes são as composições por cruzamento de lexemas e os acrônimos (pelo fato de muitas vezes não sabermos que se trata de siglas):

construções lexicais

malufioso (Maluf + mafioso = abra o olho)
imprevilho (imprevisto + empecilho = danou-se)
democradura (democracia + ditadura = faça alguma coisa)
namorido (namorado + marido = recém-casado)
chafé (chá + café = café fraco)
optatória (optativa + obrigatória = Tupi Antigo)
bótimo (bom + ótimo = supimpa)
familionário (família + milionário = família grande)

acrônimos

transistor (transfer resistor)
laser (light amplification by stimulated emission of radiation)
radar (radio detecting and ranging)
modem (modulator/demodulator)
vip (very important person)

No Encontro de Cicloturismo em Camboriú tinha um moço que atendia pelo seu acrônimo, FES (Fábio Eduardo Silva, se não me engano). Na boca da Léia, carioca da gema, /fêz/ soava chiado, como /fêich/ (não consegui inserir aqui o símbolo do alfabeto fonético). FES reclamou: meu nome não é com 'x'. É Silva, não Xilva!!!

Diversão na biblioteca

Retirei o 'Morfologia Portuguesa', do Monteiro, da estante, abri o manual, sentei no chão, dei uma folheada e dei altas gargalhadas. Sei que a biblioteca é lugar de silêncio, mas não consegui me conter:

"FORMAÇÃO DE ANTROPÔNIMOS

Como existe liberdade para atribuição de nomes aos filhos, é esperável que se cometam atentados à dignidade da pessoa humana. A propósito, Afrânio Peixoto (ap. Martins, 1991) apresenta uma lista de nomes estrambóticos encontrados no Diário Oficial, dos quais destacamos os seguintes:

(...) Céu Azul do Céu Potente, Esparadrapo Clemente de Sá, (...) Graciosa Rodela de Alho, Himeneu Casamentício das Dores Conjugais, (...) José Casou de Calças Curtas, (...) Rolando de Alto Abaixo da Estrada, (...)." (p. 206)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Samarcanda

Amin Maalouf escreveu um livro chamado Samarcanda sobre a trajetória de um livro chamado Manuscrito. Já de cara somos informados que o livro, exemplar original dos Rubáiyát de Omar Khayyam, afundou no Atlântico, dentro do Titanic.

O escritor conta a história de Omar Khayyam, poeta, filósofo e astrônomo persa, que no século XI recebe de presente (não lembro se do vizir, sultão, príncipe, cádi ou xá) um livro com páginas em branco. Khayyam passa a escrever poemas (rubay) no livro, exaltando o pensamento livre, o amor, o vinho e a vida. Envolve-se em questões políticas, tendo que fugir da Ordem dos Assassinos, constituída por seu velho amigo Hassan, que quer tomar o poder de Nizam-el-Molk, o xá protetor de Khayyam. Envolve-se com Djahane, poetisa e bela amante da corte.

Depois da morte de Omar Khayyam, o livro continua sendo elaborado por desenhistas e cronistas. O livro, iniciado em Samarcanda, viaja por toda a Pérsia. Quando não há mais espaços em branco nas páginas do livro, as invasões mongóis provocam o desaparecimento do Manuscrito. Durante séculos o tesouro fica eclipsado. Da memória coletiva surgem referências a Omar Khayyam, seus poemas são reinventados, editados e espalhados pela Pérsia.

O narrador, Benjamin Omar Lesage, interessa-se, no século XX, pelo Manuscrito, porque a história do encontro dos seus pais está marcada pelos versos de Khayyam. Em sua primeira visita à Pérsia, ouve dizer que o Manuscrito existe. O resto de sua vida se transforma numa grande obsessão para encontrar o Manuscrito e ler, no original, os versos do poeta e admirar as iluminuras e segurar nas mãos tesouro tão precioso. Envolve-se na política do império, que está diante da decisão entre adotar a Constituição ou continuar sendo regido por figuras religiosas. Envolve-se com a neta do xá, a princesa Chirine, que tem a posse do Manuscrito.

Separei duas passagens:

O tempo tem duas faces, diz Khayyam consigo mesmo, tem duas dimensões; o comprimento segue o ritmo do sol, a densidade segue o ritmo das paixões. (p. 39)

Os viajantes são realmente muito apressados em nossos dias; apressados em chegar; chegar a todo preço; mas não é apenas no final do caminho que se chega. A cada etapa, chega-se em algum lugar; a cada passo pode-se descobrir uma face oculta de nosso planeta; basta olhar, desejar,
crer, amar. (p. 235)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Misturança

Manga cortada numa tigela com iogurte faz parte do café da manhã.
Morango com suco (de caixinha) de uva tem gosto de framboesa.
Abacaxi com suco (de caixinha) de uva vira abacaxuva.
Fígado acebolado vem acompanhado de maçã refogada.
Salada de camarão vem com pedaços de abacaxi.
Pêra cozida em suco de uva esprimida e coada fica exótico.
Molho de milho é feito com suco da laranja que sobrou da salada.
Frango refogado em tiras de damasco seco tem um gosto orientalista.
Abacate amassado e salgado é servido com pão pra janta.

domingo, 30 de novembro de 2008

Ciclo

Olha o que eu achei nos tomates que tinham germinado nas garrafas pet que tínhamos instalado uns meses atrás. Adoro supermacro!

Pronto




Plantamos salsinha, cebolinha, orégano, coentro, manjericão, tomilho, alecrim, hortelã, malva, cavalinha, carqueja, alface, cenoura e rúcula nas garrafas pet. Nos canos de PVC plantamos tomates, alface, beterraba, cebola e alho. No vaso plantamos guaco, poejo e camomila. No jardinzinho da frente de casa plantamos boldo e tanchagem.

Plantio






Cano de PVC

Os canos de PVC foram furados (3 furos) embaixo, enchidos de pedrisco, manta, areia e terra.

Garrafas pet

Cada um assumiu uma função, e trabalhamos em paralelo. Junior e Caldo substituíram os bambus que já tinham sido afixados há muito tempo (e já estavam castigados pelo tempo) por bambus tratados.
Kenia e eu cortamos as garrafas pet e as lavamos.
Régis, Jana e Du cortaram os arames que vão sustentar as garrafas pet no bambu e os dobraram conforme os buracos nas garrafas.
As mãos do Du.
Renato fabricou ferramentas de furar plástico: um prego espetado num pedaço de bambu que é levado à chama do fogão. O prego quente é inserido no plástico da garrafa pet e faz o furo.
Andréia coordenou a furação dos pratinhos que vão embaixo das garrafas pet. Retiramos os elos de uma corrente pra juntar os pratinhos com a garrafa. O cheiro de plástico e bambu queimado não é muito bom.
Primeiro vem uma camada de pedrisco, depois uma manta de - sei lá o que era aquilo - depois areia, depois a terra. Quando estávamos prontos para colocar a terra nas garrafas, lembramos de furar os fundos das garrafas, pra água escorrer. Falha de planejamento.
Misturamos terra, humus e composto. Pronto, enchemos as garrafas de terra boa.

Composteira

A cada dois dias levamos um pote de sorvete cheio de lixo orgânico pra composteira. Quem leva o lixo deve retirar a grama que cobre a composteira, adicionar o lixo novo, picar as coisas maiores e remexer tudo, pra formar uma massa homogênea. Pra coisa não empastar, adicionamos um pouco de serragem ao bolo. Depois é só cobrir, pra que o sol não resseque a composteira, matando as bactérias que estão processando o lixo orgânico. Essa composteira é aeróbica, ou seja, precisa sempre ser remexida, pras bactérias terem oxigênio. Minhoca não sobreviveria na composteira, porque a temperatura do composto é alta.

Projeto HortOca

Às 8:00 tava todo mundo de pé na Oca. Régis, Renato e Andréia vieram pra implementar a horta na Oca. Ruy, Jana, Du e Chico vieram participar do plantio. Começamos com um alongamento, pra acordar. Saca só o maracujá tomando conta da paisagem do quintal! Renato e Andréia ouvindo o Régis falando sobre o solo.Junior, Caldo e Kenia.Composteira no centro das atenções.
O Projeto HortOca é o piloto do Projeto Canto da Horta, desenvolvido pela equipe do Equilibrius de Campinas. A idéia é implementar e cultivar uma horta (vertical) sustentável numa casa de cidade. Isso significa ter o custo mais baixo possível, usar o mínimo de espaço, aprender sobre a terra, as plantas, plantar e colher alimentos e divulgar a idéia. Nós usamos garrafas de refrigerante, canos de PVC, bambu, arame, pedrinhas, areia, humus, um pouco de terra e composto da nossa própria composteira. Plantamos ervas pra fazer chá (poejo, carqueja, hortelã etc.), pra usar como tempero (salsinha, cebolinha, alecrim etc.) e verduras (cenoura, alface, rúcula).

Interessados: www.equilibrius.com.br
ou (19) 3288 0772
é um centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental, ao qual Junior, Régis, Renato e Andréia estão ligados.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O custo da comunicação

Muito tempo atrás, nem lembro mais quando foi, recebemos uma conta de telefone com um valor obsceno: R$ 1.208,55. Somos 6 pessoas nesta república, e nossa conta vem sempre em torno de R$ 200,00.

Descobrimos que a nossa linha telefônica tinha sido clonada. Reclamamos na Telefonica, eles concordaram que aquele valor de conta era muito fora do nosso padrão, pediram pra gente discriminar as ligações que não reconhecíamos como nossas (todas para celular) e disseram que nos mandariam outra conta.

Mandaram outra conta, no valor de R$ 1.208,55, que não pagamos. Óbvio. Reclamamos de novo, responderam positivamente de novo. Pedimos pra que resolvessem o problema do gato na nossa conta, que é responsabilidade da Telefonica, não nossa. Será providenciado.

O tempo foi passando, e veio outra conta, referente ao mês seguinte. Quem ligava na Oca, ouvia uma mensagem de caixa postal de um celular Claro. Sabe aquelas coisas modernas de você direcionar a ligação do celular pro fixo... A nova conta ainda tinha umas ligações pros mesmos celulares alienígenas. Tentamos cancelar o telefone, a linha caía, a ligação era transferida, a pessoa era colocada em modo de espera.

Cortaram o nosso telefone porque não pagamos as contas. Não pagamos as contas porque não são inteiramente de nossa responsabilidade. A gente levantava o fone do telefone e não ouvia nada. Silêncio absoluto. O corte do telefone é ruim pra todo mundo. Fora eu, todos os tapioquenses têm celular. Eu tenho Skype, mas continuo sem telefone para contato. Eu posso ligar pras pessoas, e como no Skype estou ainda com o endereço da Holanda, a ligação pra casa do meu irmão ou dos meus pais é muito, mas muito mais barata que a ligação pra rua de trás aqui em Barão, pra pedir água mineral.

Veio uma proposta de parcelamento de dívida, que somava um total de aproximadamente 400 reais. Só que não vinha explicitado a que se referiam esses quase 400 reais. Fomos ao Procon, prestar queixa. Imediatamente recebemos um telegrama da Telefonica informando que a Telefonica tinha tentado entrar em contato conosco e não tinha conseguido. Será que tentaram ligar aqui, no telefone que eles cortaram? Não duvido. Ligamos lá (do orelhão) e disseram que nos mandariam, finalmente, a conta de R$ 1.208,55 corrigida.

Ontem chegou uma conta de R$ 8,21. Não está discrimado a que se refere este valor escandalosamente baixo. Pagamos a conta hoje mesmo, mas isso não significa que já tenhamos telefone. Ainda falta a Telefonica nos mandar a outra conta corrigida e nós pagarmos essa conta. Em todo caso, quando levantamos o fone do telefone, ouvimos o sinal de ocupado. Um passo a mais na evolução.

* * *

Minha mãe queria que eu lhe mandasse um fax. Onde que eu vou mandar um fax? Fui na Unicamp, olhando as placas dos estabelecimentos que fazem xerox, das lan houses e matutando quem oferece o serviço de envio de fax. Na Unicamp encontrei com a Maíra, que me deu a resposta do dilema: Correios. Fui no Correio e a atendente ligou. Desligou ao ouvir o telefone tocando do outro lado. Socorro, tá tocando. Calma, são os meus pais, pode falar português. Voltou lá, ligou, conversou com o meu pai, não enviou o fax e voltou. Disse que não tinha sinal de fax. Tentou de novo, esperou chamar até cair na caixa postal e desistiu. Perguntei se eu tinha que pagar alguma coisa, porque afinal de contas ela tinha completado uma ligação e conversado com o meu pai. Não, eu marco que deu erro. Beleza.

Voltei pra casa, conversei com a minha mãe pelo Skype e pedi a ela que me explicasse como o funcionário dos Correios deve proceder. Voltei ao Correio, pedi pro funcionário apertar o botão verde - aconteça o que acontecer - e o fax foi enviado. Perguntei quanto custava. Pra minha surpresa, deu R$ 13,00. Meu, nem o tempo da ligação nem o custo do papel de fax nem o tempo que o funcionário gastou apertando o botão verde justificam este valor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lar, pia entupida

Que coisa. Vi uma enchente de perto, vivenciei um estado de calamidade pública, custei 2 dias pra chegar em casa em segurança, e quando chego sou confrontada com essa pia.