quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Samarcanda

Amin Maalouf escreveu um livro chamado Samarcanda sobre a trajetória de um livro chamado Manuscrito. Já de cara somos informados que o livro, exemplar original dos Rubáiyát de Omar Khayyam, afundou no Atlântico, dentro do Titanic.

O escritor conta a história de Omar Khayyam, poeta, filósofo e astrônomo persa, que no século XI recebe de presente (não lembro se do vizir, sultão, príncipe, cádi ou xá) um livro com páginas em branco. Khayyam passa a escrever poemas (rubay) no livro, exaltando o pensamento livre, o amor, o vinho e a vida. Envolve-se em questões políticas, tendo que fugir da Ordem dos Assassinos, constituída por seu velho amigo Hassan, que quer tomar o poder de Nizam-el-Molk, o xá protetor de Khayyam. Envolve-se com Djahane, poetisa e bela amante da corte.

Depois da morte de Omar Khayyam, o livro continua sendo elaborado por desenhistas e cronistas. O livro, iniciado em Samarcanda, viaja por toda a Pérsia. Quando não há mais espaços em branco nas páginas do livro, as invasões mongóis provocam o desaparecimento do Manuscrito. Durante séculos o tesouro fica eclipsado. Da memória coletiva surgem referências a Omar Khayyam, seus poemas são reinventados, editados e espalhados pela Pérsia.

O narrador, Benjamin Omar Lesage, interessa-se, no século XX, pelo Manuscrito, porque a história do encontro dos seus pais está marcada pelos versos de Khayyam. Em sua primeira visita à Pérsia, ouve dizer que o Manuscrito existe. O resto de sua vida se transforma numa grande obsessão para encontrar o Manuscrito e ler, no original, os versos do poeta e admirar as iluminuras e segurar nas mãos tesouro tão precioso. Envolve-se na política do império, que está diante da decisão entre adotar a Constituição ou continuar sendo regido por figuras religiosas. Envolve-se com a neta do xá, a princesa Chirine, que tem a posse do Manuscrito.

Separei duas passagens:

O tempo tem duas faces, diz Khayyam consigo mesmo, tem duas dimensões; o comprimento segue o ritmo do sol, a densidade segue o ritmo das paixões. (p. 39)

Os viajantes são realmente muito apressados em nossos dias; apressados em chegar; chegar a todo preço; mas não é apenas no final do caminho que se chega. A cada etapa, chega-se em algum lugar; a cada passo pode-se descobrir uma face oculta de nosso planeta; basta olhar, desejar,
crer, amar. (p. 235)

2 comentários:

ex-Sheik Luís disse...

Chirine eh de fato um nome comum entre iranianos.

iglou disse...

Caro ex-sheik,
com esse nome e essa foto, você inspira tal autoridade que somos compelidos a acreditar em você.
Agradeço pela visita.