Em poucos dias completaremos um mês de quarentena. Aprendemos muito sobre o mundo e as pessoas que nele habitam, aprendemos muito sobre nós na condição excepcional do isolamento (eu estou desenvolvendo obsessão por faxina).
Vírus não são combatidos por medicamentos, mas por nós mesmos. Em Biologia, se discute se vírus são seres vivos, porque, a rigor, eles precisam de uma célula hospedeira para se manter vivos e procriar. Isso significa, então, que vírus não são autônomos como bactérias - para as quais temos antibióticos que reconhecem as bactérias como muito diferentes de qualquer coisa nossa - porque os vírus se combinam com partes nossas. A palavra vírus vem do latim e significa veneno. Nosso corpo reage ao vírus através do sistema imunológico e cria anticorpos. Por isso a vacina é mais eficiente que qualquer remédio, porque ela ativa a memória imune do corpo.
Por que o presidente do Brasil defende a cloroquina como cura contra a covid-19? Não é o papel dele: ele não é médico. O máximo que medicamentos podem combater é alguma infecção causada pela infestação viral, mas aí não é o vírus que está sendo atacado, apenas um efeito colateral do vírus. No início de março, uma comitiva de 24 pessoas acompanhou Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. De 25 pessoas, 23 testaram positivo para covid-19, dentre elas o presidente da FIERO (e RO está para Rondônia, que deve ter trazido o vírus pra cá). Bolsonaro foi submetido ao teste, mas o resultado não foi publicado. Ele disse que deu negativo. E agora defende a cloroquina. Haverá um nexo? Adivinha quem também não teve covid-19? O sobrenome também é Bolsonaro.
Antes disso, Bolsonaro defendeu o fim do isolamento com o argumento de que os trabalhadores informais não terão renda durante a quarentena. Acho que a pergunta mais acertada seria: como diminuir a quantidade de trabalhadores informais, para que, em tempos de pandemia, ao invés de auxílio-emergencial, possam ter seguro-desemprego? Há tempos Suplicy defende a renda mínima de cidadania.
Vi no noticiário que uma distribuidora de energia está levando eletricidade para favela(s) em metrópole(s). O auxílio de R$ 600,00, para pessoas que estão fora do mercado formal, será pago em 3 lotes desse valor. E a energia? Vão tirar da favela quando a quarentena passar?
Manaus é a única cidade no Amazonas que dispõe de leitos de UTI, por isso colapsou: o estado inteiro (olha no mapa) converge para a mesma cidade para tratar de covid-19. No Norte, a infraestrutura hospitalar em geral é deficitária. Isso significa que o número de mortes por covid-19 no Norte pode ser maior que no Sudeste, que conta com mais hospitais e equipe médica para absorver os casos.
O veneno taí: é o novo corona vírus. O remédio é repensar nossas estruturas, prevenir novas pandemias.
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