terça-feira, 28 de abril de 2020

Ainda não acabou

Recebemos notícias de que a quarentena está afrouxando na Europa, que a China não tem mais internados por covid-19 e, apesar de estarmos um mês atrás deles, temos o desejo de sair do isolamento também. Mas aqui a curva ainda está em ascensão, todos os estados registram casos e mortes por corona vírus, os profissionais de saúde estão chegando ao limite de sua capacidade e não estão tendo retorno positivo: cada vez chega mais gente que piora.

Nossas formas de relacionamento social como as mantínhamos antes da pandemia acabaram. Ponto, mas nossa vida não acabou e precisamos aprender a conviver com novas regras. Sair da quarentena certamente não é "voltar ao normal", porque conforme o tempo passa, uma nova normalidade se instala.

Todo curso de Língua Portuguesa ministrado por mim nos últimos anos terminava com o sorteio de 11 sinais de pontuação. Cada dupla ou grupo tinha que produzir um texto dando destaque ao sinal sorteado. Era difícil entender esse lance de usar a criatividade na universidade, onde eles tinham aprendido a copiar e repetir. Eles poderiam escrever qualquer coisa, em qualquer gênero, não havia limite de páginas. Contudo, para alguns, o manuseio das ferramentas Ctrl C + Ctrl V era mais garantido. E foi assim que fiquei sabendo da história de uma moça que perdeu o pai (ele cometeu suicídio) e elegeu o ponto e vírgula pra simbolizar o seu luto e sua força para seguir vivendo. Ela tatuou o sinal e adicionou a mensagem: essa história não terminou.

Às vezes precisamos de histórias para entender regras.

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