Estamos isolados em casa há um mês. Por uma questão de praticidade, passei a usar a cafeteira elétrica ao invés da chaleira e cafeteira com filtro de papel. Desenterrei o aspirador de pó que a Rose nunca soube usar. Comprei uma sanduicheira pra animar a Agnes a comer pão, mas não deu certo. Além desses três eletrodomésticos que passaram a se conectar à rede elétrica da casa, a TV e as luzes ficam ligadas por mais tempo, ou seja, entendo que a nossa conta de energia aumente. E aumentou mesmo.
Mas a minha conta individual não diz nada sobre o consumo de energia no país. Pelo contrário, o setor de energia está tendo prejuízo, porque houve queda de consumo de energia em 25% a 30% no mês de março. Quem é o maior consumidor de energia no Brasil? Não são os domicílios. É a indústria eletro-intensiva - que por ora está parada.
A soma dos individuais não resulta no coletivo.
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Mandetta e Bolsonaro criaram uma novela que se estendeu por semanas. Mediram forças em público, ganharam e perderam aliados, criaram tensão e viraram assunto principal em alguns dias dessa pandemia causada pelo corona vírus. Hoje Bolsonaro demitiu Mandetta que veio a público para apresentar toda a equipe (que fica - aquele papo de "entramos juntos, sairemos juntos" não cola mais) e para se colocar no papel de herói. Claro que o Jornal Nacional aplaudiu Mandetta e apresentou Teich (cuja pronúncia é uma aventura, talvez por isso o Bolsonaro só tenha se referido a ele como "Nélso").
O inimigo, senhor presidente, não é Ministro da Saúde, mas a doença.
Quatro capitais brasileiras chegaram ao seu limite da capacidade de internação. Não há mais lugar nos hospitais e nas UTIs. Ou seja, não interessa mais o número de casos, interessa saber como somos capazes de responder aos casos.
Não estamos ganhando essa guerra.
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Cada um por si: se não trabalha, não come. E não come enquanto não trabalhar. Depois de trabalhar por 35 anos, não terá aposentadoria, porque era terceirizado e não conseguiu economizar e não tem Fundo de Garantia também. O cerne do neoliberalismo é esse: ganha quem conseguir; e quanto mais se ganha, menos se perde. O governo tem trabalhado nesse modelo, beneficiando os mercados e cortando da Ciência, Educação e Saúde por anos.
Agora estamos em guerra. O país de repente tem cidadãos, de repente cada um importa. De repente é preciso socorrer aqueles que não têm emprego formal, férias, aposentadoria, FGTS. O auxílio emergencial de R$ 600,00 (o presidente, tão preocupado com a economia, inicialmente propôs que o auxílio fosse de R$ 200,00) foi e está sendo distribuído a um número maior de pessoas que o governo esperava. É como se o auxílio fosse um censo.
Os governos de Bem-Estar Social surgiram depois da Guerra.
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A guerra individual contra o vírus nos equipa com máscaras, álcool gel, obsessão por lavar as mãos, restrições de contato, higiene e proteção. Cada um faz a sua parte, cada um trava a sua luta.
A agroindústria continuará encharcando alimentos com agrotóxicos? As indústrias de alimentos processados continuarão envenenando os consumidores com comida que causa câncer? O mundo voltará a registrar os níveis de poluição pré-pandemia? A Amazônia foi mais desmatada durante a pandemia.
Quando os desejos do indivíduo coincidirão com os do coletivo?
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