quinta-feira, 24 de março de 2016

Reiki

Assim como a acupuntura e as naturezas da pessoa (quente, morna, fresca e fria), reiki foi uma experiência que mexeu comigo muito mais do que eu esperava. Estou no meio da semana 37 da gestação, em contagem regressiva para o parto. Uma das maneiras de me preparar para o parto (além de ler sobre parto, frequentar um grupo de apoio ao parto, das caminhadas noturnas e da hidroginástica) é ser acompanhada por uma doula.

Nossa doula veio aqui em casa, botou uma música, colocou um copo de água na mesa e avisou que faria reiki pra mim, pra si mesma e pro ambiente. Eu fechei os olhos e não acompanhei os movimentos dela enquanto ela sussurrava palavras que foram ditas em não sei qual língua. Assim que fechei os olhos, imagens guiadas pela música invadiram a minha imaginação.

Vi muitas cenas e paisagens que devo ter visto em filmes, fotos etc., mas que de fato não experienciei. A doula tocou os meus chacras, começando pelo topo da cabeça. Passei a analisar as imagens que eu via, me perguntando por que elas me visitavam e o que podiam me dizer. Fiquei incomodada das imagens não serem minhas, fruto da minha vivência e memória. Quando ela estava no terceiro chacra, soltei um grande suspiro e passei a ver a minha própria infância.

Eu via a mim mesma, como quem vê fotos de infância, e via também através dos meus olhos de criança. Visitei as árvores no jardim em que cresci: o pé de laranja do céu, o pé de bergamota, onde meu pai tinha construído uma casa na árvore, o pé de caqui, em que a gente encostava uma escada pra catar caqui, o pinheiro enorme em que subi pra ver de cima o Morro do Espelho, o pé de nêsperas (Ammeschen) ao lado do ateliê dos meus pais. Passei pela nossa piscina que era uma caixa d'água, pelos banhos de chuva, cômodos da casa e por algumas cenas aleatórias. Mesmo as cenas que devem ter sido vivenciadas com certo sofrimento (a mão ensanguentada do meu pai) não causavam sentimentos ruins. Eu via tudo como quem se reencontra com o que aconteceu, simplesmente. Quando a doula estava na altura dos meus pés, passei a chamar para a minha visão as pessoas da família. Vi cada um dos meus primos, tios e avós como eram quando eu era criança.

Quando ela terminou o reiki, contei pra ela o que tinha visto. E ela me contou o que sentiu em cada ponto em que trocou energias comigo e descreveu cada chacra. Acompanhei o relato dela, conhecendo um pouco mais sobre mim através das palavras do Outro.

No dia seguinte, ela me perguntou se eu tinha dormido bem e se tinha sonhado. Não tive muito a dizer sobre sonhos, mas naquela noite eu só tive que levantar uma vez para ir ao banheiro. Isso é digno de nota para alguém que passou os últimos tempos levantando pelo menos duas vezes por noite para ir ao banheiro. Hoje de manhã ela me perguntou de novo se dormi bem. Não levantei nenhuma vez. Isso é surpreendente.

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