sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A minha voz



Quando fizemos a pré-estreia do documentário Entre a cheia e o vazio na UNIR, Heloisa comentou que "ficou parecendo uma coisa TV Cultura, a narração". Confesso que sempre admirei a narração de Valéria Grillo no programa Planeta Terra (na TV Cultura) e fiquei surpresa com o fato de ela ter identificado "essa coisa TV Cultura" no documentário.

No dia da premiação no Fest Cine Amazônia, fui entrevistada por uma moça que elogiou a minha voz. Na aula de ontem, uma aluna (que ainda não viu o documentário) veio me dizer que um dia comentou com uma amiga de outra universidade que tinha uma professora (eu) com uma voz bonita e que a amiga tinha respondido: por acaso é uma professora que eu entrevistei no Fest Cine Amazônia?

Mandei o link do filme para vários amigos que eu não via há tempos; e aos poucos fui recebendo suas respostas. Junior, irmão tapioquense, disse que ficou com saudades ao ouvir minha voz. Telmo disse que ainda não tinha assistido o filme todo, mas tinha gostado da narração. Odir, um amigo que eu nunca vi ao vivo, logo perguntou se a narração era minha.

O filme rodou alguns sites, e no Diário do Centro do Mundo, o único comentário é praticamente uma reclamação da "voz irritante da narração". Achei curioso que a minha voz tenha virado objeto estético, quase se descolando do conteúdo que ela profere.

Queria que a minha voz servisse de guia, de fio condutor do filme, de alerta. Queria que a minha voz denunciasse que a seca em São Paulo e a cheia em Rondônia são ambas resultado de má gestão dos recursos hídricos e que os fenômenos climáticos são usados como escudo para fugir à responsabilidade pelos danos causados. 

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