quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Por que progresso?


Surviving progress (2011) é um documentário sobre a "armadilha do progresso" em que nos metemos. Muitas das cenas foram filmadas no Brasil, o que (pra mim) é novidade. Mas não é novidade que tenham escolhido apenas dois cenários contrastantes - e que tenham sido São Paulo e a Amazônia.

O mais interessante do documentário é a constante pergunta "por que?" Por que se trancar numa lata de uma tonelada para se mover de um semáforo a outro? Por que acreditamos que o progresso se faz através das máquinas? Por que acreditamos que nossa miopia (que mira o conforto do indivíduo) não terá consequências para o coletivo?

Um dos entrevistados, um primatologista, define que a principal característica que nos diferencia dos primatas é a capacidade de perguntar (e investigar) por que. O filme tenta oferecer uma resposta por que valorizamos tanto o progresso, o que chamamos de progresso e por que estamos presos no esquema do progresso. O que (a meu ver) o filme não consegue fazer é provocar o espectador a se perguntar por que confia no progresso, por que é preciso frear o modelo.

Lembro de um refrão do Coolio que é mais ou menos assim:
When the revolution comes, I will be on front.
A revolução não vem se ninguém a fizer. Quanto mais nos conectamos à rede de computadores, menos nos conectamos uns aos outros e à vida na Terra. A revolução teria que ser maior que o indivíduo. O apelo do filme - como em tantos outros - é que cada um reduza, simplifique o seu consumo. Soluções individuais que passam pela tomada de consciência de cada um. Sabemos, desde as redações de vestibular (em que os candidatos insistem na solução-Chapolim para resolver todos os problemas do mundo), que isso não é solução coisa nenhuma.

Bogotá não virou cidade sustentável por uma súbita tomada de consciência dos cidadãos que resolveram usar suas bicicletas em vez de se endividarem para comparar um carro. Nem a Holanda sempre foi ciclista: a preferência pela bicicleta foi negociada, planejada, arquitetada, possibilitada pela infraestrutura oferecida aos cidadãos. A revolução é também fruto de uma decisão política.

Apesar de não gostar da solução que oferecem para o problema que é a desenfreada destruição do planeta, gosto da análise que o filme faz do assim-chamado-progresso.

2 comentários:

Natalie Rios disse...

Oi Lou!
Onde eu consigo esse vídeo pra assistir?
Legais as mudanças da sua vida.
Grande abraço

iglou disse...

Natalie,

o documentário está no DocVerdade. Dá pra acessar pelo link no título do filme, no começo da minha postagem.
E você, por quanto tempo fica por aí?
Beijos