sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como aprendemos

Será que aprendemos alguma coisa nas aulas? Será que somos capazes de debulhar um problema sob diversos aspectos a partir da fala do professor? Será que somos estimulados a reconhecer como conhecimento - e reter tal conhecimento - as informações apresentadas durante o tempo da aula?

Eu aprendi mais quando tive que ensinar. Aprendi inglês quando virei professora de inglês, aprendi a caminhar no campo da Linguística quando virei tutora lá em Bremen, aprendi a ver a Linguística de fora quando dei aula de Linguística Geral em Porto Velho (foi epifânico). Lembro ainda de um seminário espetacular que demos em grupo na USP sobre tópico discursivo. A professora nos deu zero. O fato é que aprendemos tanto sobre o assunto, que vimos os limites do modelinho que ela nos tinha proposto e o extravazamos. Paradoxalmente, o trabalho que eu recordo como sendo o mais produtivo na minha vida de graduanda foi premiado com uma nota zero.

Flusser afirma que escrever é uma forma de pensar. Luis, meu quase-marido, se deu conta de que está aprendendo sobre o seu objeto de estudo durante o processo de escrita. Escrever uma tese, a meu ver, é ensinar ao público leitor sobre o objeto de estudo.

Em todo caso, para se aprender, é preciso fazer, não basta ouvir e ver, copiar e repetir.

Um comentário:

Mônica disse...

Na antroposofia, os professores defendem a escrita (e valem até as cópias) porque dizem que a mão que escreve, em seus movimentos, ativam a parte cognitiva do cérebro. Por isso, em escolas antroposóficas, os alunos são incentivados a entregar os trabalhos escritos à mão e não digitados.

Mas devo dizer que em uma entrevista antiga de Isaac Asimov, ele defendia, na verdade, que a educação retornasse a algo semelhante ao que tínhamos no início do século XVIII: educação particular (http://youtu.be/CI5NKP1y6Ng). E acho muito interessante este ponto de vista, afinal, cada um poderia estudar segundo seu ritmo e as aulas poderiam ser preparadas de acordo com os interesses de cada pessoa. Há, inclusive, as diferenças entre os cérebros masculinos e femininos que devem ser levadas em conta.

Bom, é tanta coisa que nem dá para continuar falando :D, senão não termino nunca.