terça-feira, 29 de junho de 2021

sábado, 26 de junho de 2021

-(c)ulo

As formas latinas -ulus (masc.), -ula (fem.) e -ulum (neutro) eram sufixos que indicavam o diminutivo. Essa ideia de diminutivo persiste em português em palavras como 

versículo (verso diminuto); vernáculo (pequeno doméstico = escravo nascido na casa do senhor); fascículo (pequeno feixe); maiúsculo (um pouco maior); minúsculo (um pouco menor);

óvulo (ovo diminuto); glóbulo (pequeno globo); testículo (pequena testemunha); furúnculo (pequeno ladrão que acumula seiva); cálculo (pequena calcificação); tentáculo (pequeno membro que serve para apalpar, experimentar, tentar); ventrículo (pequena cavidade, barriga, ventre);

cubículo (cubo diminuto); 

homúnculo (mini homenzinho); 

módulo (pequeno modelo); rótulo (pequeno rolo que carimba uma marca).

Como diz o outro, toda boa filosofia começa com um bom dicionário. No caso, um dicionário etimológico.

Quem é grande e quem é pequeno aqui?


sexta-feira, 25 de junho de 2021

Pós-vacina (astrazeneca)

Tomei a vacina astrazeneca no sábado. Não tive reação no dia. Fiquei consultando os outros acerca de suas reações e fiquei esperando as minhas chegarem 12 horas após aplicação, mas nada aconteceu. Nem no domingo, nem na segunda. Na terça, tive cólicas muito fortes logo de manhã. Achei que eu não conseguiria levar a Agnes pra escola, porque eu não podia nem sentar. Associei ao frio (esse ano tivemos um recorde de friagens no Norte. Luis afirma que "mudança climática" é eufemismo pra "transformação irreversível"), mas como Luis também teve fortes dores no fígado, suspeitei que era a vacina atacando os órgãos. Justo o meu órgão reprodutor?

Na quarta de noite eu fui surpreendida com sangue no papel higiênico. Podia ser a menopausa. Porque a menstruação é um ciclo regular. Depois que Agnes nasceu, passou a ser um ciclo que podia até regular o relógio: a cada 4 semanas, ao meio-dia. Se ela vinha uma semana antes do regulamentar, algo estava desregulando o ciclo. 

Nessa madrugada acordei com o lençol molhado. Isso não acontecia há tempos. Isso que eu uso o coletor (aliás, usei o mesmo coletor por 10 anos, encomendei outro da República Tcheca que caiu vítima da descoberta da Agnes de como funcionam as tesouras - aquele cabinho deve ter lhe parecido irresistível - e encomendei um terceiro) e modess noturno. 

Uma busca no Google confirmou que um dos efeitos da astrazeneca é alteração do ciclo menstrual - com sangramento muito mais intenso.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Concentração

É comum que religiões concentrem seus dogmas num texto. Um texto único contém a narrativa, a revelação, os testemunhos, os livros. A Bíblia é o livro dos livros. Para os católicos pré-modernos, o texto sagrado tinha que ser em latim. Um texto, uma língua: sem variação, sem brecha para novas interpretações além daquelas autorizadas e controladas. Língua e poder. Nesse sentido, a Reforma foi uma afronta - traduzir o texto sagrado para o vernáculo. 

A pesquisa Retratos da Leitura 2020 (referente a 2019, antes da pandemia) mostra que aproximadamente 70% dos brasileiros que têm o hábito da leitura (e portanto leem porque precisam) preferem ler no papel impresso. Quanto mais proficiente o leitor, mais flexível é para ler em formato digital. Só que a maior parte das leituras digitais se dá no celular. A menor fatia de leitores que lê livros digitais os lê no e-reader (tipo Kindle). Livros e poder aquisitivo.

Essa pesquisa revela que 40% dos que se autointitulam leitores (para os parâmetros da pesquisa, leitor é quem leu pelo menos um livro inteiro ou parte dele nos últimos 3 meses), são leitores de um livro só: a Bíblia. Leem e releem trechos, livros ou tudo. Não compram outros livros, a Bíblia passa de mão em mão. Religiosidade e classe social.

Em leitores de livros (no plural), é comum que a escolha do livro seguinte seja determinada pelo próprio autor: não que se leia todos os livros de um autor, mas que se visite mais de uma obra. Concentrar no escritor parece ser importante. Montar uma biblioteca com livros que conversam entre si parece ser interessante. Livros e conhecimento, livros e estilo.

Achei curioso que os respondentes indicaram o professor ou amigo como sendo aquele que oferece sugestões de leitura - e não o influenciador digital ou o bibliotecário. Em 2019, as bibliotecas funcionavam. Mas elas têm livros novos? Como elas disponibilizam livros digitais? As bibliotecas são locais acolhedores? Elas contam com pessoal capacitado? Achei ainda curioso que os respondentes não consideram a biblioteca como lugar para ler livros. A casa dos livros é um lugar pra estudar, emprestar livros, usar internet. Mas não pra ler. A leitura se concentra em casa. 

Achei super bacana que a maior concentração de leitores que escolhem ler livros porque gostam de ler são crianças e adolescentes. Isso dá esperança.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Parque depois da escola

Agnes se orienta pela linha pra escrever: o x paira sobre a linha

A escolinha da Agnes vai das 8h às 11h e Luis a acostumou a passar em algum lugar antes de voltar pra casa. Como ela normalmente não come o lanche na escola (porque fica conversando), essa é a hora de fazer pique-nique. Nessa hora, os parques e parquinhos estão desertos.

E eu, em meio à reunião anual da ABEU, só penso em livro.


terça-feira, 22 de junho de 2021

33 Reunião anual da ABEU

 

A 33º Reunião anual da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) estava programada para acontecer em maio de 2020. Minha passagem tinha sido comprada (pela Reitoria), eu mediaria uma roda de conversa, o último dia estava reservado à socialização sem a formalidade das palestras. Mas o encontro não aconteceu. Está acontecendo agora, online. São conversas muito importantes e esclarecedoras sobre o ofício editorial.

domingo, 20 de junho de 2021

Vacinansiedade


A história poderia começar assim: 

Vacinei.

E é assim que ando ouvindo esse verbo ser conjugado: Vacinou? Vacinei. Tipo aposentar, operar e tantos outros que são conjugados como se o sujeito fosse também o agente de um verbo intransitivo:

João aposentou ano passado. (Aposentou a bicicleta?)

Maria operou da vesícula. (E ela é médica?)

Mas quem ainda lembra disso? Hoje em dia, as pessoas aposentam, operam e vacinam. No caso da vacina, não fui eu quem aplicou a vacina: foi a vacinadora. Contudo, não tive papel de paciente para conseguir a vacina: tivemos que ser agentes, o que envolveu muita ansiedade.

Havia rumores de tantas mil doses adquiridas pela Prefeitura de Porto Velho. Em seguida vimos um video do prefeito anunciando um aplicativo que deveríamos baixar no celular chamado SASI e que organizaria a fila de vacinação. Fizemos o cadastro e percebemos que esse aplicativo tem poucos botões, sendo que o mais movimentado era o das notícias. Bem no começo do mês de junho, veio a notícia de que os Trabalhadores da Educação tinham que refazer o cadastro para informar em que nível atuavam, porque quem trabalha em creche e Ensino Infantil seria vacinado primeiro ... e quem atua no ensino superior, por último.

Refizemos o cadastro, esperamos ansiosos e o SASI passou a ser o aplicativo mais visitado no celular. Passaram-se os dias e fomos surpreendidos pela notícia de que a vacinação dos Trabalhadores da Educação estava sendo temporariamente suspensa - então tinha sido iniciada...

O SASI informava que era a vez dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (como Uber e taxi estavam de fora e há apenas 30 ou 40 ônibus rodando em PVH, calculamos que essa etapa seria cumprida rapidamente). Começaram rumores de que receberíamos a vacina da Janssen, que é dose única. Assim poderíamos voltar ao trabalho presencial. De repente começaram a vir pelo WhatsApp informações sobre local e data de vacinação dos professores. 

Em Porto Velho existem pelo menos 4 universidades/ faculdades particulares e a UNIR, única pública, fica a 10km da cidade. A UNIR não era local de vacinação, mas Uniron, São Lucas e FIMCA eram. Segundo a tabela, havia dois locais distintos para Trabalhadores da Educação privada e um terceiro local para os Trabalhadores da Educação (sem adjetivo qualificando). Esse último, em que nós seríamos vacinados, também era Mecca dos sem comorbidade entre 50 e 55 anos.

Entendi que nós, profissionais da Educação, éramos as últimas prioridades a serem vacinadas, já que conosco seriam vacinados aqueles que não eram prioridade, eram apenas mais velhos. Chegaram informações de que era tudo fake news. Chegaram áudios de fontes fidedignas que confirmavam que a vacinação seria no fim-de-semana, mas que o local ainda não estava definido. Voltaram a aparecer tabelas com local e hora de vacinação diferenciando o setor privado (maior em PVH) do público. Começaram os planos, as estratégias, os cálculos: ansiedade.

Ainda houve margem para interpretações: Trabalhadores da Educação e colaboradores. Seriam os técnicos? Seriam os terceirizados? Alguém perguntou se os estagiários também entravam, mas aí já é demais: estagiário não tem vínculo empregatício. Cada um alimentava, do seu isolamento, esse comboio de perguntas e respostas pelas redes sociais - já que esse é o meio em que socializamos atualmente. Alguém dizia que a validade da vacina da Janssen estava perto do fim, outros disseram que a vacina da Janssen não chegaria. Muitas vozes (por escrito). O jornal (G1, hein) anunciava um quarto ponto de vacinação com drive-thru (que depois não se confirmou).

Quinta-feira de noite, na cama, vendo o celular, Luis vibrou: fui agendado! Vou vacinar amanhã pela idade. O agendamento (e a notificação) chegou menos de 12 horas antes do evento. Sexta-feira ele foi, passou a manhã na fila e voltou vacinado, com data pra tomar a segunda dose. De noite, pouco antes da meia-noite, foi a minha vez de receber a notificação do agendamento. No dia da manifestação, eu seria confinada à fila de vacinação.

A manifestação, descobri no meio do caminho, era uma carreata que passava pelo meu caminho ao ponto de vacinação. Quando cheguei na FIMCA (que não era o local de vacinação previsto na tabela da Prefeitura, mas o local indicado no agendamento), fila sem distanciamento:

Reconheci colegas na fila, vi gente segurando o braço (na verdade, o algodão) e fui progredindo, ao longo de uma hora, até a sala de vacinação. Depois de vacinada, segurando o algodão, só consegui dizer "não dói" à primeira pessoa que reconheci na fila dos que aguardavam.

No dia em que o Jornal Nacional mudou o tom para descrever as manifestações populares, destacando o valor da ciência, a bandeira do Brasil (ignorando as bandeiras vermelhas) e o FORA BOLSONARO (reforçando, no editorial ao fim, que não tem dois lados nessa história), no dia em que o Brasil ultrapassou a marca dos 500 mil mortos por covid, eu fui vacinada. 

Nas redes sociais, cada um dava testemunho das reações à vacina. Reparei que aqueles que tiveram covid relataram febre, frio e tremedeira, dores de cabeça e nas pernas. Eu não tive nada. Luis teve enjôo de noite e dores no fígado, mas também já passou. Reparei também que mesmo que nós, professores, tenhamos tomado vacina no mesmo dia, não estamos agendados para a segunda dose na mesma data. Imagino que isso esteja relacionado ao lote da vacina que tomamos. De todo modo, a segunda dose será em setembro e o semestre (2020-2) que começa amanhã encerra em outubro. Imagino que quando dermos o semestre de 2021-1, será em modo presencial.

domingo, 13 de junho de 2021

Jambobaum

 


Flor de jambo, a "maçã da Amazônia"


Instalação da Agnes com botões e pétalas numa folha de jambo

domingo, 6 de junho de 2021

Ninho de beija-flor

 

Na sexta, o/a beija-flor estava quietinho/a, sentado no ninho, deixando a gente se aproximar do limoeiro. Fiquei de trazer uma câmera com zoom decente e, quando voltei com a câmera hoje, o ninho parecia vazio. Subi na casa do Damián e tirei essa foto. Ficamos impressionados com a trama do ninho: parece que teias de aranha, musgos e materiais bem finos foram usados pra construir essa tigela. Mas dali, da casa, nem com zoom eu conseguia ver se tinha ovo dentro do ninho.

Damián botou uma cadeira em frente ao limoeiro e depois botou um banquinho mambembe em cima. Eu fiquei com medo das habilidades circenses não serem suficientes pra se equilibrar, acertar os botões da máquina e fazer uma boa foto. Achei um cavalete da altura do banquinho em cima da cadeira. Ele removeu a cadeira, posicionou o cavalete no lugar - e o banquinho em cima. Quando ele puxou o galho pra perto de si, dois bicos se abriram.


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Colheita

 

Agnes foi guiando, Rompe-Mato foi acompanhando. Não conseguimos avançar muito na trilha, porque na primeira baixada tinha água.

Damián se surpreendeu com a quantidade de quiabo maduro e depois entendeu que não se pode deixar o quiabo passar do ponto no pé. Colhemos muitos quiabos - provavelmente duros.

João Gomes - ou cariru. 

Primeira abóbora foi dividida em duas partes. Uma ficou, a outra veio.

terça-feira, 1 de junho de 2021

O Madeira em tons dourados

 

O céu emenda no rio através da chuva

O sol

O porto

Cai n'água

Minha companheira

Porto flutuante

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Organizadores

Em inglês, o organizador de um livro é editor. Essa descrição, traduzida de volta ao português e um pouco idealizada, se aplica a organizadores que planejam um livro - não apenas o conteúdo, mas também a forma de apresentação. 

O organizador envia aos colegas terra e sementes. Cada autor que recebe a terra, a coloca num vaso/canteiro e planta as sementes. A terra é a mesma para todos, as sementes foram escolhidas a dedo para cada autor. O modo como cada um cuida das plantas define o número de mudas no vaso, o tamanho, vigor das plantas e a sua orientação. Quando o autor se considera satisfeito com o resultado, envia ao organizador o seu canteiro. O organizador terá um duplo olhar: para a unidade e para o conjunto. Poderá usar a tesoura de poda para acertar encaixes e evitar sobreposições, poderá criar pontes e passagens entre os canteiros, poderá construir uma cerca em volta, fazendo com que o todo seja um jardim orgânico. Quando entrevistado, o organizador terá uma história para contar: a história da composição de um projeto conjunto.

*

Em português, o organizador de um livro é org. Na minha experiência, este organizador trabalha mais ou menos como alguém que propõe um dossiê temático: anuncia o tema da coletânea, dá diretrizes e depois coleta textos que chegam prontos, como caixas fechadas. O organizador identifica o título na caixa, força uma abertura para ter acesso ao resumo, fecha de novo e percebe que cada caixa é de uma cor. Entende que sua função é organizar as cores (arranjando as cores quentes no início, frias no fim, seguindo o arco-íris, agrupando tons da mesma cor etc.). Para mitigar a sensação de que o resultado final é um mosaico de textos multicoloridos de pesos e tamanhos diferentes, o organizador escreve uma apresentação em que revela seu critério de organização.

sábado, 29 de maio de 2021

Audiodescrição

Ocorreu ontem o lançamento dos 13 ebooks da Coleção Pós-Graduação da UNIR publicados pela EDUFRO. O evento foi organizado pelo Cerimonial da UNIR, então teve intérpretes de Libras e o rito foi seguido conforme o roteiro. A novidade (pra mim, ao menos) foi ser convocada a fazer audiodescrição.

Depois de ter feito a minha audiodescrição (cortei o cabelo ontem, pintei de escuro, estou de óculos etc.), percebi que as outras, que se seguiram, eram mais próximas de histórias do que descrições objetivas: "sou caboclo daqui da Amazônia" era mais uma reivindicação identitária do que uma descrição. "Sou descendente de orientais" era mais uma explicação para os olhos puxados do que a descrição dos olhos. "Barba retirada e camisa abotoada até o último botão" me pareceu uma postura. "Uso óculos como quase todo professor nessa idade" afetava a todos nós. "Com alguns fios brancos" da fala de uma professora contrastou com "tenho a intenção de que o meu cabelo seja louro" de outra, que, por sua vez, foi usado por contraste em "não tenho cabelo, não tenho céu azul no meu fundo".

Conclusão: toda identidade é construída.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Antes do eclipse

 

Acho pouco provável que estarei acordada no momento do eclipse... então registro a lua cheia.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Parques na pandemia

O Google não informa se o Parque Natural de Porto Velho (situado fora da cidade) está aberto ou não. Então a gente foi. Muita gente vai, especialmente aos domingos. Nem guarda não fica mais lá na frente, explicando que o parque está fechado. Só tinha um cartaz informando que o parque estava fechado por tempo indeterminado. No começo da segunda onda, o parque fechou e não abriu mais.

Não deu pra fazer passeio de cavalo 

Com o parque fechado, o restaurante ao lado também fechou. O ingresso pra andar de cavalo era vendido no restaurante, então não tem mais passeio, mas os cavalos continuam lá, às vezes curiosos em relação aos visitantes, às vezes cuidando da vida. 

Só deu pra montar na onça estátua no Parque Circuito

O Parque Circuito (que agora tem nome de gente, depois que botaram guarita e portão na frente) fechou junto com o Parque Natural, mas reabriu recentemente. Dos parques com portão que conheço em Porto Velho, é o único aberto.

A Praça Madeira-Mamoré, que foi cercada e fechada, está em reformas desde tempos imemoriais. O Parque da Cidade, situado ao lado do Shopping, está fechado. O parque, um local aberto, está fechado; o Shopping, um local fechado, está aberto. Dionizio Bueno já tinha reparado nesse padrão.

domingo, 23 de maio de 2021

Novos sinais

 

Interrobang, interrogação retórica, ponto de ironia, ponto do amor, ponto de aclamação, ponto de certeza, ponto de dúvida, ponto de autoridade, asterismo, vírgula de exclamação e vírgula de interrogação



Ideia do Ziraldo.

 

Existe uma razão para você nunca ter visto qualquer um destes sinais de pontuação, mesmo que alguns deles tenham sido patenteados. Em primeiro lugar, nossos teclados não são capazes de registrar esses sinais. E mesmo que fossem, não gostamos muito de novidades radicais, totalmente inventadas. 

Vamos ao paralelo com a morfologia. Quando criamos novas palavras (piscinar, future-se, abreviações como bjoks, bio, tbt ou novos sentidos para seguir, cancelar, amigo), não inventamos palavras novas do zero (isso seriam logatomas). Usamos palavras para compor outras palavras, usamos morfemas para derivar novas palavras de palavras existentes, ressignificamos palavras, diminuímos palavras. Na sua palestra sobre neologismos no Abralin ao Vivo, a professora Ieda Alves conclui que os neologismos são, na maior parte das vezes, reciclagens. Como os sinais de pontuação não são divisíveis em unidades menores (radical e afixos ou desinências), novos sinais teriam que ser justaposições do tipo :) ou :. ou ..!

A outra razão tem a ver com a função dos sinais de pontuação. Se todos os sinais podem (1) marcar, (2) separar e (3) delimitar, não são muitos os que só assumem uma dessas três funções. Estes sinais novos, que vemos acima, foram criados para fins específicos.

Em termos cognitivos, é mais econômico adaptar do que aprender novidades radicais.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Morfologia conservadora

Na prova de morfologia apareceram coisas surpreendentes, como sempre, mas dessa vez a novidade se dá na escala temporal. 

Tivemos uma aula só sobre neologismo e um seminário todo sobre neologismo e chegamos juntos à conclusão de que qualquer estratégia de formação de palavras (seja derivação - prefixal, sufixal, regressiva etc., - composição -seja por cruzamento, aglutinação ou justaposição -, ou ainda abreviação, onomatopeia, estrangeirismo etc.) pode ser aplicada aos neologismos. O que distingue um neo-logismo é sua novidade, não o modo como foi criado.

Quando pedi que dessem exemplos de neologismos, eu esperava que mobilizassem seus conhecimentos adquiridos nas redes sociais, com seus colegas, enfim, palavras da moda atual. Os exemplos de neologismos que vieram foram:

deletar

escanear

petista

motoboy

que eram palavras novas ... tipo ... 30 anos atrás.

Prêmio de melhor neologismo não apareceu na questão em que se pedia exemplos de neologismo, mas na questão em que se pedia para determinar classes de palavras: "adjver". Acho que a pessoa ficou indecisa entre adjetivo e advérbio e fez um cruzamento vocabular.

Quando pedi que dessem exemplos de estrangeirismos, vieram:

bife

sutiã

abajur

balé

xampu

todas assim, em sua forma aportuguesada. 

Quem lembra da entrada desses antigos neologismos na língua portuguesa? Quem lembra que bife vem de beef, sutiã de soutien etc.? Os gramáticos de plantão na internet lembram. Em vez de puxar da memória, da vivência, da vida cotidiana, meus alunos preferiram consultar sites normativos para responder a essas questões.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

domingo, 16 de maio de 2021

Old Internet People

Estou lendo Because internet, da Gretchen McCulloch e me identificando com o que ela chama de Old Internet People. Ela é linguista, entusiasta da comunicação científica e escreve sobre a escrita nas redes sociais. Para chegar na linguagem, ela primeiro descreve as pessoas que estão na rede - e acabou me explicando coisas sobre mim que eu não sabia articular.

Na escola, da qual saí em 1995, eu tive aulas de informática. Lembro da tela em DOS, lembro de ter que aprender a programar no Pascal, lembro dos disquetes enormes e que não tinha computador em casa. Na graduação, tinha laboratório de informática, os disquetes mudaram. Meu mestrado está preso num disquete; meu doutorado começou sendo armazenado em disquete, passou pra pen drive e foi finalizado num computador próprio.

Nos anos 1999, as pessoas que passaram a usar a internet para trocas sociais (para além de email e trabalhos escolares), não tinham computador em casa. Eu mesma estava na Alemanha, num vilarejo a 30 km de Bremen. Para ter acesso a um computador, eu viajava de ônibus ou trem (e outros modos) para a UniBremen, onde eu tinha acesso a computador. Foi lá que eu criei minha primeira conta de email - que eu tenho até hoje. Foi lá, nos laboratórios de informática da universidade, que entrei para o mundo maravilhoso dos chats. Pseudônimo, adivinhar a identidade do outro através das escolhas de palavras, conversar (chatear) com pessoas completamente desconhecidas e situadas do outro lado do oceano era a aventura.

Depois, em 2006, em outra grande viagem (doutorado sanduíche na Holanda), fiz um blog chamado Pequena Lou pedalando na Holanda,  em que eu descrevia minhas aventuras em forma de diário. Segundo dados da Gretchen, homens tendem a manter blogs específicos de um assunto (bicicletas, por exemplo), enquanto mulheres tendem a manter blogs com cara de diário. De repente me vi comunicando com um universo de pessoas maior que o dos meus amigos reais. Começaram as amizades virtuais. Foi em 2006 que adquiri o meu primeiro computador (um laptop comprado na Alemanha). Acabou a viagem, encerrei o blog em 2007, mas mantive o mesmo nome (iglou) para começar um novo blog (este), também com cara de diário.

Facebook surgiu em Harvard (2004), passou para as outras universidades e depois se tornou aberto (2006). Facebook nunca me interessou - nem Orkut, e eu não entendia bem por que. Eu acompanhava os amigos na universidade metidos em discussões, eu percebia que aquela página era infinita, eu me sentia invadida por imagens e palavras que não me pareciam relevantes. Gretchen explica que a ideia do Facebook era se conectar online a pessoas que já eram conhecidas (velhos amigos do tempo da escola, parentes distantes etc.). 

Old Internet People entraram nas redes para se conectar ao desconhecido, ao virtual. Old Internet People têm certa idade para se lembrar da vida na internet sem computador e de ter que lidar com a linguagem do computador. Assim como os primeiros motoristas de carro precisavam ter noções de mecânica para dirigir e consertar o carro (eu, como cicloviajante precisava conhecer a mecânica da bicicleta para poder consertá-la), Old Internet People aprenderam, antes de comunicar com outras pessoas pelo computador, a comunicar com a máquina.

sábado, 15 de maio de 2021

Curumim



O nome popular da fruta é curumim, porque a criançada adora.

 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Palavra-alvo

Quando fui levar Agnes na escolinha, uma das tias que ajuda a lavar as mãos (na entrada) me contou que outro dia Agnes tinha se recusado a comer a manga (que eu tinha mandado no lanche) porque era ácida e ela tinha medo de morrer de câncer. Surpresa, a tia tinha perguntado que história era essa, de câncer, e Agnes respondeu que a vó da amiga da tia tinha morrido de câncer. 

Eu entendi que Agnes se referia à Madá. Ela confirmou e eu expliquei: Madá era a madrasta do pai da Agnes, não era avó direta, por isso ela colocou esse monte de gente no meio da história pra fazer a intermediação.

*

Em 2007, entrevistei MS, um sujeito afásico. Rosana (minha orientadora na época) e eu aplicamos o teste de nomeação: mostrávamos figuras e esperávamos que ele dissesse o nome do objeto representado no desenho. Apareceu a imagem de uma pirâmide e MS disse MÚMIA. Nos surpreendemos com a resposta, indicamos que não era bem essa a palavra e ele tentou de novo: ESFINGE. Rosana deu a ele um contexto: Sou louca para ir ao Egito e conhecer as ... CATARATAS - ele disparou. 

Cada tentativa de MS de chegar na palavra-alvo estava relacionada ao seu campo semântico (das pirâmides e depois do turismo).

*

Em 2012, conheci VA, uma moça de trinta e poucos anos que sofreu um AVC e ficou afásica. Diferentemente de MS, que consideramos ser agramático, VA lidava com a estereotipia: ela só dizia uma palavra - que nem mesmo é uma palavra em português. Ela escrevia no celular, lia se apoiando nas vogais, mas na fala espontânea só saía TISSA. 

E mesmo assim a comunicação era possível: VA usava gestos, entonação, a fala do outro e a escrita para comunicar.

*

A língua que falamos não se resume às palavras usadas. Tanto a criança como os dois sujeitos afásicos não chegaram na palavra-alvo, mas são falantes e se movimentam na língua.

terça-feira, 11 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Friagem: abre estrada da beira

Depois da friagem, o nível do rio Madeira deveria baixar. Só que quem controla o nível do rio é a usina. O rio baixou, mas a lama estava intensa em alguns pontos perto do igarapé Maravilha. Passou o patrol na estrada, empurrando a lama para as laterais, alargando um pouco mais a estrada. Mais uma vez a máquina entra em ação, para que outras máquinas trafeguem pela estrada da beira estreitada pelo mato.
 
Abrir estrada na Amazônia é chamar gente pra povoar o local. Antes da estrada da beira, a comunidade Maravilha se deslocava de canoa. Damián teve muita dificuldade para aprender a fazer (do zero, ele mesmo, com as mãos) uma tarrafa. Ia perguntando aqui, aprendendo ali, fazendo a amarração acolá, juntando com o que tinha aprendido do ponto inicial mais adiante. Percebeu que, ao perguntar, ao pedir pra demonstrar, a arte de fazer redes de pesca era ressuscitada na comunidade. O estrangeiro, o argentino querendo ser ribeirinho. E os ribeirinhos fatiando suas terras, querendo trazer supermercado e posto de gasolina pra perto de si.

Escrita inicial

 

Agnes escreve textos longos, sem ponto nem vírgula - e sem palavras. O texto é, pra ela, um todo, uma unidade gráfica. Acho que ela entende poesia concreta melhor que eu. Ela lê esses textos com o dedinho, de baixo pra cima, da direita pra esquerda.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Dá-me DOI

Digital Object Identifier é a sigla pra DOI. Trata-se de um identificador de localização de um conteúdo digital, não necessariamente um lugar de armazenamento. Como editora, peço DOI para os livros digitais da EDUFRO. Se o site da UNIR cair - e o da editora junto -, se o site da editora for hackeado e os arquivos forem deletados, o DOI aponta com segurança para o local de publicação dos livros que têm DOI. Quem mais usa DOI são os periódicos, que constantemente precisam migrar seus dados (do impresso para o digital, de uma plataforma para outra, de um servidor para outro). Nesse sentido, o DOI garante que os artigos com DOI cheguem todos e inteiros ao seu destino.

Quem atribui o DOI é o CrossRef, mas, no Brasil, é a ABEC (Associação Brasileira de Editores Científicos - isto é: periódicos). Quem tem contrato com a ABEC para emissão de DOI ganha um prefixo. Quem tem prefixo, paga 1 dólar por DOI; quem não tem, paga 5. No caso da EDUFRO, o DOI fica sendo então o prefixo + ISBN digital. No caso de periódicos, o prefixo é do periódico, infixo é o ISSN da Revista e o sufixo são informações de volume, número e página em que aquele artigo específico foi publicado (em PDF separado, dentro da revista). Como se vê, cada artigo publicado na revista ganha um DOI (e pode ser citado pelo DOI). Diferentemente de periódicos em geral ou mesmo dossiês, livros pressupõem uma unidade: um livro é publicado uma vez, num único arquivo. Tem gente que chama o livro de obra. Os capítulos não são publicados separadamente, por isso não é comum que se peça DOI por capítulo.

Em suma, a ideia por trás do DOI é segurança cibernética e gestão da informação na internet. Só que o CNPq, por exemplo, usa o DOI como uma espécie de certificação da produção científica. Autores que preenchem o Lattes passam a precisar de DOI para poderem lançar seus dados. E assim começa a corrida pelo DOI. 

A EDUFRO é editora de livros, não de periódicos, por isso não consegue (a Reitoria não pagaria por isso) se filiar à ABEC. Somos filiados à ABEU. Na UNIR, quem gerencia os periódicos é a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPESQ) - que é filiada à ABEC. Então eu peço DOI à PROPESQ. Os últimos 13 livros lançados pela EDUFRO eram todos vinculados à Pós-Graduação da UNIR, por isso foram alocados numa coleção chamada Coleção Pós-Graduação da UNIR. Quando fui pedir DOI para os 13 livros para a PROPESQ, veio a determinação de que DOIs seriam atribuídos não somente aos 13 livros, mas a todos os capítulos de todos os 13 livros. Apresentação de coletânea com DOI, isso é novidade pra mim. A justificativa: "para colaborar no processo de avaliação quadrienal CAPES também será atribuído DOI para os capítulos de livros."

Voltemos. DOI não é nada mais que um identificador de objetos digitais. Mas está sendo usado como selo de produtividade. Coletâneas não valem quase nada na avaliação da CAPES. O que vale é artigo em revista Qualis A ou B. Se queremos mostrar produtividade, precisamos investir na qualidade dos periódicos e publicar livros de autoria (em oposição às coletâneas).

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Nova bicicleta

Como é difícil a transição do triciclo pra bicicleta de rodinhas... Agnes ficou super contente com a nova bicicleta da Caloi, mas não acertava pedalar pra frente. O ângulo estava ruim, não fazia força nos pedais, o pé escapava.

Decidi levá-la para um lugar em que o chão fosse propício: liso, uniforme. Uma quadra. Fomos ao campus, onde não tinha ninguém. Tive que levar o triciclo também, porque a nova bicicleta causava mais apreensão que alegria.

 
Depois de muita insistência, ela topou pedalar na nova bicicleta. E eu registrei que de repente ela conseguiu desenrolar novas habilidades.
 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Six word story

Tenho visto, nas redes sociais, convocações para que se escrevam estórias em 6 palavras. O que eu acho curioso é que só é dado o limite de palavras, não de caracteres, espaços ou sinais de pontuação. Com poucas palavras à disposição, diversos sinais de pontuação são mobilizados para dar sentido às criações: 

Peguei algumas no Wired. Seguem o tema e a estória (nem sempre a vencedora):

A freaky discovery in Physics

Gravity was a consensual, shared illusion.

Review of a future work of art

Uninspired. Lacking originality. Try again, Earth. 

Tech-centric religion

In the beginning was the "www"...

Future american president

He died as he lived: online.

Apocalypse with a happy ending

Dinosaurs return - this time as pets.

Ler: essa é a questão

Quanto maior é o tempo que separa o autor e o leitor, mais difícil é a leitura, pois os critérios de invenção do texto são outros. (p. 36)

[...] uma coisa básica a ser lembrada é que o leitor deseja ler o texto e realmente o lê, mas também é lido pelo seu imaginário. (p. 44)

Assim, quando falamos de leitura, é fundamental dizer que, quando lê, antes mesmo de aprender qualquer coisa do texto, como os conteúdos dele, o leitor aprende com o próprio ato que a verdade do texto não é adequação, mas produção de novas significações e sentido. (p. 44-45)

[O] leitor deve refazer os atos da invenção do texto, que são atos intencionais. (p. 60)

Em qualquer leitura, o leitor tem de descomplicar a complicação do texto e, para isso, tem de operar as implicações dele: tem de dominar repertórios de informação muito variados. (63-64)

[...] em qualquer leitura, que é por definição variável, o leitor deve encontrar a estrutura básica do texto, que permite justamente a comunicação do ato da sua invenção com a sua leitura. Isso também define o que é um livro. (p. 66-67)

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A capa do livro

Não sei se em outras editoras é diferente, mas, na EDUFRO, desde que eu assumi a gestão, a questão das capas gera uma hipersensibilidade. Outras questões também, do tipo: "essa coletânea foi escrita por professores de alto gabarito, vai mesmo mandar para avaliadores?"

Antes, o editor da EDUFRO dava boas-vindas a capas sugeridas pelos autores, porque era o que tinha. Quando comecei a contratar estagiárias matriculadas no curso de Artes Visuais, fiz questão de criar e manter uma identidade visual para as capas dos livros. Só que foram 3 estagiárias fazendo capas, cada uma com seu estilo. 

Não chegamos ainda na tal identidade visual, mas chegamos a dois padrões: no painel, da esquerda pra direita, de cima pra baixo, as capas 1, 2, 3, 5 e 16 seguem o padrão faixa sólida no meio para informações textuais. Nesse padrão, o fundo é composto por uma imagem que tenta se aproximar de uma tradução do conteúdo do livro e o destaque é para o título. Já as capas 4, 6, 7, 8, 9, 11, 13 e 14 seguem o padrão em que a imagem tem mais destaque que o título. A imagem é única, enigmática, mas simboliza o conteúdo do livro. A capa 15 é uma fusão entre fundo e figura, a capa 12 era sugestão dos organizadores e foi aceita e as capas 10 e 18 são da Leidijane - que inspirou o padrão para as outras estagiárias, mas como esse padrão evoluiu, ela mesma não o seguiu.

Essa foi a primeira capa que Leidijane fez. A imagem é tão abstrata, que permite várias interpretações: rios que seguem cursos paralelos, diferentes linhas que seguem o mesmo caminho... Jôsy tentou imitar esse padrão na capa 6; na capa 8 surgiu a linha de contraste pra ressaltar o título, na capa 7 a linha foi quebrada, na capa 4 as linhas se juntaram e na capa 2 virou um bloco sólido. Vitória, que acompanhou essa evolução da Jôsy, fez dos dois padrões: 1, 3, 5, 9, 11 e 13 a 16. Por fim, capa 17 é do Edison, professor e mentor de todas as estagiárias que acompanhei.

No momento, estou sem estagiária. Porque, depois que a Leidaiane saiu, demorou até que se chegasse ao entendimento que a EDUFRO pode lançar edital de seleção de estagiário em separado da Reitoria, demorou porque a portaria que nomeia a comissão de seleção tardou a sair, porque os trâmites podem se arrastar, já que as contratações foram suspensas devido à descontinuidade do contrato de seguro de vida dos estagiários. Uma novela. 

Só que a editora recebeu 13 livros pra publicar fast-track. São livros produzidos no âmbito da Pós-Graduação da UNIR (só 1 não é coletânea) e advindos de programas que precisam melhorar sua nota de avaliação junto à CAPES. Como esses livros não entraram no fluxo normal, mas foram avaliados pela PROPESQ, o Conselho Editorial da EDUFRO decidiu criar uma coleção só para esses livros. Coleção Pós-Graduação da UNIR. Assim esses 13 se diferenciariam dos livros do catálogo. 

Algumas editoras criaram coleções que entraram pra história: da Coleção Primeiros Passos, por exemplo, eu nem lembro o nome da editora - mas lembro da coleção. A editora Perspectiva, por exemplo, tem uma Coleção Debates que se reconhece pela capa. Outra maneira de marcar a coleção é criando uma logo para a coleção, como a Unesp faz no caso da Coleção Arte e Educação. No caso da Unesp ainda, a curadoria da Coleção Biblioteca de Filosofia vai assinada por Marilena Chauí - na capa.

E a EDUFRO sem capista pra pensar as capas dessa coleção. Na imagem do painel acima, falta 1 capa, mas ela é similar à capa 6, só que em verde. A empresa terceirizada contratada pra diagramar os livros assumiu a tarefa de fazer as capas. Acho que só 3 propostas da gráfica foram aceitas de pronto pelos organizadores, todas as outras foram trocadas, daí que algumas parecem repetidas. E de repente alguém lembrou de uma regra da ABNT de escrever o nome de siglas por extenso na primeira vez que as siglas aparecem. Regra tão básica, deve servir para todos os contextos, inclusive nomes, certo? Eis que na folha de rosto e na ficha catalográfica constava Coleção Pós-Graduação da UNIR e na capa constava Coleção Pós-Graduação da Universidade Federal de Rondônia - sem a sigla: UNIR. 

Essa é a quarta vez que organizadoras de livros disputam capas com a editora. Mesmo depois de termos colocado no contrato de cessão de direitos autorais uma cláusula que estabelece que a capa é responsabilidade da editora. Nas outras vezes, era porque já tinham uma capa pronta que a EDUFRO rejeitava. Chegamos a oferecer mais de uma versão em alguns casos, mas sempre com muita tensão. Dessa vez o nó foi o nome da coleção que o Conselho Editorial criou - e que foi alterado na capa. 

Capas são importantes mesmo para livros que não são comercializados. O que uma editora pode fazer pelos autores (além de promover e distribuir o livro), é avaliar o livro (e não o currículo dos autores) e dar uma forma ao texto. O autor é responsável pelo texto; a editora normaliza o texto, coloca-o numa forma padronizada, e o embala numa capa, lombada, contracapa e orelhas.

domingo, 25 de abril de 2021

Do outro lado do rio

Estão anunciando uma friagem. Esse costuma ser o ponto da virada: o início do fim do isolamento do Maravilha. A estrada por trás já tem menos rios atravessando a via, as chuvas vão minguando e logo o Madeira começa a baixar. Aí a estrada da beira volta a ser trafegável e volta o movimento na beira.

Primeiro foi um tracajá filhote que saiu desse brejo. Depois vieram relatos de jacaré e sucuri. Enquanto eu ficava assustada, Luis e Damián ficavam satisfeitos: sinal que o brejo está vivo.

Enquanto ele oferecia minhocas num anzol que mais parecia um garfo, Agnes brincava com os gatos, cachorros, galinhas. Pediu água pra Íris e agradeceu pela água miReNal. Eu fui levar nossa compostagem pras galinhas e ver o que tinha nos ninhos.


Aqui foram jogadas as sementes de cupuaçu.
E aqui estão as cascas. As polpas estão no freezer ;]