terça-feira, 18 de maio de 2021

Morfologia conservadora

Na prova de morfologia apareceram coisas surpreendentes, como sempre, mas dessa vez a novidade se dá na escala temporal. 

Tivemos uma aula só sobre neologismo e um seminário todo sobre neologismo e chegamos juntos à conclusão de que qualquer estratégia de formação de palavras (seja derivação - prefixal, sufixal, regressiva etc., - composição -seja por cruzamento, aglutinação ou justaposição -, ou ainda abreviação, onomatopeia, estrangeirismo etc.) pode ser aplicada aos neologismos. O que distingue um neo-logismo é sua novidade, não o modo como foi criado.

Quando pedi que dessem exemplos de neologismos, eu esperava que mobilizassem seus conhecimentos adquiridos nas redes sociais, com seus colegas, enfim, palavras da moda atual. Os exemplos de neologismos que vieram foram:

deletar

escanear

petista

motoboy

que eram palavras novas ... tipo ... 30 anos atrás.

Prêmio de melhor neologismo não apareceu na questão em que se pedia exemplos de neologismo, mas na questão em que se pedia para determinar classes de palavras: "adjver". Acho que a pessoa ficou indecisa entre adjetivo e advérbio e fez um cruzamento vocabular.

Quando pedi que dessem exemplos de estrangeirismos, vieram:

bife

sutiã

abajur

balé

xampu

todas assim, em sua forma aportuguesada. 

Quem lembra da entrada desses antigos neologismos na língua portuguesa? Quem lembra que bife vem de beef, sutiã de soutien etc.? Os gramáticos de plantão na internet lembram. Em vez de puxar da memória, da vivência, da vida cotidiana, meus alunos preferiram consultar sites normativos para responder a essas questões.

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