segunda-feira, 8 de julho de 2019

Viva São João!!!

Agnes e eu fomos na Festa Junina da escolinha. Ela ficou muito à vontade invadindo famílias alheias: entrava nas fotos, roubava bolhas de sabão, brincava com espadas que brilham no escuro. Dançou também, mas a maior parte do tempo ficou fugindo de mim - e entrando na vida dos outros.
Na festa Junina da UNIR, fomos todos juntos. Tinha música ao vivo e Agnes dançou muito, com muita alegria. Mathias dançou com ela:


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Aprovado!

A Editora da Unicamp tinha um edital 2018 (que encerrou em fevereiro de 2019) com chamada para obras dirigidas a estudantes de graduação. Havia dez vagas a serem preenchidas e escolheram apenas cinco livros - dentre eles, o meu. O livro é sobre os sinais de pontuação!!!

quinta-feira, 27 de junho de 2019

E pode, isso?

Não é só a chantagem - mal argumentada, porque quem vota em deputado é o povo, e o povo não tem qualquer interesse na aprovação da Reforma da Previdência, porque ela é muito prejudicial a quem tem pouco. É também o lugar em que este outdoor foi colocado: na saída do mais tradicional, consolidado e prestigiado condomínio de Porto Velho, onde residem políticos, pessoas ligadas ao judiciário, donos de empreendimento etc. e na saída do Classe A, a escola da elite de Porto Velho (situada dentro desse condomínio).

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Ensine aquilo que está disposto a aprender

É isso mesmo: muito melhor ensinar aquilo você mesmo está disposto a aprender. Assim a viagem é conjunta. O livro é uma grande aventura e é protagonista desse curso de extensão que Leidijane e eu estamos dando na EDUFRO.
No primeiro dia, apresentamos um pouco da história da escrita e do livro. No segundo encontro, Leidijane apresentou as diversas partes que podem compor um livro com base em muitos livros diferentes. Ver o livro, poder folheá-lo, anotar a referência é importante. No terceiro encontro, psicodramatizamos os papéis das figuras envolvidas na elaboração do manuscrito do livro (escritor, autor, coautor, organizador, ghost writer, ilustrador, tradutor, agente literário, editor, livreiro e leitor). A atividade foi muito legal, porque eles se prepararam pra ela, puderam tirar dúvidas e trazer experiências.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Nona


Agnes e eu fomos até o sítio 3 dias depois que a estrada da beira abriu. Damián tinha dito que a estrada tava um tapete, porque esperaram dar a frigem pra passar a máquina. O que ele não sabia é que tinha água na estrada (as usinas operam o rio, não há dúvida) e o meu coração foi acelerando conforme o carro ia afundando ali na boca do Maravilha, onde os dois lados do igarapé se juntam na estrada; e mais adiante, numa curva submersa (e a agonia maior era de não ver o fim da gigante poça).

Além de visitar o Damián, queríamos pelo menos dois animais: um filhote do Taurus com a Luna e uma companhia pra nossa galinha caipira.

A galinha caipira estava muito sozinha depois que a mucura matou a Nagasaki. Íris não tinha galinha, mas tinha galo "rupiado". Levei o galo e uma pintinha. Luis brigou muito comigo. Na primeira manhã aqui em casa, o galo não cantou. Mas na madrugada seguinte, Luis me jogou pra fora da cama às 2 da madrugada pra ir lá conversar com o galo cantador. Nesse mesmo dia, Luis conseguiu, depois de muita ginástica, capturar o galo e trocar por uma galinha. Essa nova galinha só faz barulho na hora de empoleirar quando escurece, porque ela ainda não definiu bem o lugar dela.

Luna tinha parido muitos filhotes, e como Preto e Íris já têm muitos cachorros, estavam dando filhotes. Como gostamos muito do Taurus, pensamos que podíamos pegar um. Preto já tinha decidido que o único macho da ninhada seria dele. Escolhemos uma fêmea de patas claras e pontinha branca no rabo. Barriguda (cheia de verme), cheia de pulga (tomou três banhos de água e dois de talco contra pulga) e bicho de pé (passei pomada por quatro dias e as patas desincharam).

As aves foram numa caixa grande no assento do passageiro, a cachorrinha foi numa caixa pequena - e aberta - atrás do banco do motorista.

- Mamãe, ela saiu da caixa.
- Tudo bem, Agnes.
- Mamãe, ela quer me lamber!
- Empurra ela com cuidado, Agnes.
- Sai, Nona, senta Nona!

Foi assim que Nona ganhou seu nome. Eu sei que Agnes ainda não conta consistentemente até 9, mas podia ser nossa nona bichinha: 1 galinha, 6 porquinhos da índia, 1 hamster, Nona, o galo e a pintinha. Mas talvez também fosse Nonna (Agnes ainda não sabe escrever), tipo Oma em italiano. Agnes Maria deve seu nome às nossas avós (Marie Agnes e Maria).

Seja como for, Nona agora está sem pulgas, sem dor nas patas, barriga desinchando. Ainda não entendeu que ração é comida e água é bebida, mas estamos trabalhando nisso.


domingo, 19 de maio de 2019

32º Reunião anual da ABEU

Dia 14 de maio embarquei pra Porto Alegre, pra participar da 32º Reunião anual da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias). A ABEU conta com 122 associadas e desde 2018 a EDUFRO voltou a fazer parte deste grupo. Como da outra vez eu conheci os editores da Região Norte (e seguimos em contato através de grupo no whats), dessa vez foi como rever amigos. E por coincidência, toda a ABEU Norte - exceto sua diretora, Maristela (UEA), estava hospedada no mesmo hotel.

A abertura do evento seria de noite, mas eu cheguei de manhã. Aluguei um carro e fui a São Leopoldo, levar o Harro numa consulta com o neurologista. A conversa com Dr. Athos Torres durou uma hora e descartamos Alzheimer, já que Harro acompanha bem as conversas, só está suspenso no tempo e espaço. Como eu precisava do meu celular funcionando pra me guiar até o hotel, conectei o celular no rádio do carro pra recarregar a energia. Aí a voz do GPS parava de falar. Liguei o rádio do carro e passei a ouvir as instruções. Tentei transpor a tela do celular pra tela do rádio do carro, mas acabei ligando o GPS do carro, que me dava outras instruções, com outra voz. Daí a esquizofrenia se instalou. Uma voz conhecida dizia: vire à esquerda. Uma voz desconhecida dizia: dobre à direita. E eu, que entro em pânico quando ouço qualquer uma dessas instruções, porque sei que demoro a decidir de que lado ficam direita e esquerda, fui atravessando pontes e duvidando da rota, passando por baixo de viadutos em construção... Consegui desligar o GPS do carro e cheguei no hotel. Deu tempo de tomar banho e fui a pé até o Centro Cultural da UFRGS, pra abertura.

Velhos desafios, novas adversidades. A crise do livro, da leitura, da gestão da comercialização dos livros, nossa especificidade: o livro acadêmico. Todas as rodas de conversa giraram em torno desses temas.
Em sentido horário a partir de mim: Chris (EDUFRA), Jamerson e Martistela (Editora UEA), Cynthia (EDUFT) e Sérgio (Editora UFAM)
Foram discutidas muitas coisas. Grandes editoras universitárias começam a se perguntar se devem mesmo vender seus livros, editoras universitárias de médio porte ensinam o caminho das pedras pra instaurar uma práxis altamente burocrática e morosa (3 anos) no começo, mas que funciona depois, e eu percebi que há muito mais editoras que eu imaginava que não comercializam seus livros. Muitas delas têm sérios problemas de estoque e ouvimos atentos as várias experiências de doação de estoque (pra presídios, calouros, bibliotecas).
Maristela, Chris, eu, banner, Jamerson, Sérgio, Cynthia
A questão jurídica foi assunto de uma roda de conversa e o representante da Procuradoria da UESC (Ilhéus, BA), casado com a editora da Editus, teve uma longa fala sobre conhecer as leis e proteger o servidor. Jurídico tem escopo sobre a venda de livros dentro de uma universidade pública - como fazer - e a lei do direito autoral.
Outra roda de conversa foi sobre o que publicamos e como isso é avaliado por exemplo pela CAPES. Um coordenador de área da CAPES veio dar notícia do sistema de avaliação de livros para os programas de pós-graduação.
Alexandre Martins Fontes, filho do Waldir Martins Fontes explicou a crise do livro (modelo de vendas que inclui descontos insustentáveis, consignação a perder de vista e abundância de lançamentos) e apresentou a editora (afetada pela crise) e a livraria (prosperando e se transformando no que foi a Livraria Cultura da Paulista nos anos 2005). Pra fechar, Castilho lembrou de outras crises na história (eu mesma, que estou lendo a biografia de Max Perkins, lembrei da crise de 29 que afetou todo e qualquer comércio) e concluiu que esta crise do livro é uma crise de gestão de sua comercialização.

No dia 15 estava marcada a mega manifestação gigante contra os cortes anunciados na Educação. Quando saímos da sala em que estávamos, mergulhamos nas palavras de ordem, barulho de helicóptero sobrevoando, trânsito parado, gente caminhando, corking de mãos dadas, cartazes e muita gente nas ruas. Fiquei emocionada de ver tanta gente jovem nas ruas. Agnes saiu na mídia também, segurando um cartaz que ela mesma desenhou. A interpretação foi bonita: Bolsonaro e sua política são inomináveis. Conversando hoje com Damián no telefone, ele me perguntou o que tinha sido aquela manifestação enorme que ele viu pela primeira vez em Porto Velho. Foi no Brasil todo!

No Cisne Branco
Na última noite, o carro estacionado na garagem voltou a ser útil: ele nos levou ao Cisne Branco, atracado ao lado do Gasômetro. Mas antes passamos por uma barreira policial. Como não tinha outra alma ali naquela hora, fomos parados. Ele perguntou se eu estaria disposta a fazer o teste do bafômetro, eu não hesitei em sair do carro, assoprar no bico descartável e constatar o óbvio: 0,0.

O barco fez longa viagem noturna no Guaíba. Quando subimos no convés, vimos o Beira-Rio, todo iluminado de vermelho (do Inter). Depois da volta, o barco atracou de novo e nada mudou dentro do barco: as pessoas continuavam conversando nas mesas, no andar de baixo a discoteca continuava emitindo músicas que todo mundo cantava junto. Já era tarde, nós saímos e voltamos pro hotel, o resto ficou pra trás.
No topo do barco. Sérgio, Jamerson, eu, Rosy (EDUFT) e Glauco (Passo Fundo)
Diretoria eleita
No último dia ainda teve roda de conversa de manhã, mas muita gente chegou atrasada/ saiu antes por causa do retorno pra casa. Eu fiquei muito grata de ter conseguido participar de tudo e ainda ver Harro em São Leopoldo. Levei uns livros da editora Lote 42, que eu tinha comprado por metade do preço na Feira do livro da UFRGS e ele achou bacana essa sacada do livro enquanto objeto.

Cheguei em casa de madrugada. De manhã, desfiz a mala. Quando achei que tinha tirado tudo da mala, uma gatinha fez dela sua casa.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Abralin 50 - terceiro dia

Este seria pra mim o último dia (8), porque eu não pretendia participar da Balada Abralin, prevista para o dia 9. Fiz minha própria happy hour na praia de manhã: caminhei por duas horas na areia e dei um mergulho no mar salgado, de ondas fortes e altas.
De tarde, tinha mesa redonda intitulada Linguística e Resistência. Fiquei surpresa com a criatividade dos palestrantes para nos mostrar como os linguistas podem resistir aos tempos sombrios que vêm por aí. Anna Bentes falou das redes sociais, de comunicar aos leigos com clareza o que fazemos e como somos importantes para a sociedade. Eleonora Albano falou (entre outras coisas) do amor que devemos devotar aos nossos alunos e nossas pesquisas. Nosso amor à profissão nos legitima perante a sociedade. Marcus Maia falou de eye-trackers que mostram ao aluno como está lendo, de modo que ele possa ser protagonista do seu aprendizado. Pablo Arantes, do meu lado, comentou que isso literalmente é Linguística Aplicada. Marcus Maia ainda falou de um projeto que está desenvolvendo chamado Viva Língua Viva, de incentivo à descrição de línguas indígenas. Por fim, Rodrigo Oliveira Fonseca dissecou formas e funções do fascismo e encaixou o atual governo no modelo. Muito elucidativo.

A última conferência do dia foi dada por Daniel Everett, que começou por uma longa homenagem a Marcelo Dascal (filósofo e linguista que faleceu em 15 de abril deste ano). Apresentou slides em inglês, mas falou fluentemente em português. Apresentou suas próprias pesquisas sobre as relações entre cultura, gramática e cognição. Ofereceu muitos exemplos em pirahã e contou a aventura que foi conhecer a língua e como ele precisou reformular hipóteses a cada vez que o que eles diziam não correspondia às suas expectativas.
Daniel Everett é uma figura rodeada de polêmica: foi viver entre os pirahã com a família (três filhos pequenos e esposa) na função de missionário. Com base na SIL (Summer Institute of Linguistics) em Porto Velho, sua missão era aprender pirahã para traduzir a bíblia para a língua indígena. Com a convivência com os pirahã e a impossibilidade de convertê-los, Everett virou ateu. Além disso, virou linguista. Como o que o pessoal da SIL faz é religiosamente orientado, seus trabalhos linguísticos (descrição de línguas indígenas) não têm valor para a comunidade linguística. Porque missionários têm uma visão de mundo própria, não compartilhada pelos indígenas, por exemplo. Cultura, gramática e cognição estão imbricados: Deus e o Diabo podem aparecer no relato dos missionários sobre a língua que não conhece nem Deus nem o Diabo, porque quem tem a voz são os missionários, que projetam o seu ponto de vista sobre a língua. Everett mesmo faz isso no livro Don't sleep: there are snakes, quando enfatiza que pirahã não tem uma infinidade de coisas (números, recursividade, casas duráveis, noção do que é infância etc.), ao invés de se ater a descrever a língua e cultura.

Everett se doutorou na Unicamp como linguista e voltou aos Estados Unidos pra esfregar na cara de Chomsky que nem todas as línguas têm recursividade. E a tal da recursividade (possibilidade de aumentar uma sentença infinitamente através do encaixamento de orações) foi debatida por anos: tudo bem, não tem recursividade gramatical, mas tem recursividade semântica etc. No final da conferência, Everett falou da recursividade e lembrou da conferência de Geoffrey Pullum, que dizia que as teorias não deveriam se interessar pela contagem de sentenças, mas deveriam se concentrar na sua descrição.

Eis que Tom Roeper fez uma pergunta (que não era pergunta, era um comentário que pretendia ensinar) em inglês sobre recursividade. Everett respondeu parte em inglês, parte em português. Mencionou textos e resenhas de textos sobre a famigerada recursividade. Tom Roeper retomou a palavra, avisou que não tinha entendido a explicação em português e quis falar mais sobre as resenhas e textos que ele escreveu sobre recursividade. Everett ficou furioso: this is my talk! e não deixou ele terminar a tréplica, explicou ao público que são praticamente vizinhos e que aquela era a primeira vez que Tom Roeper lhe dirigia a palavra. Depois ficou se vangloriando que era a pessoa que mais amava o Brasil e os pirahã, que não devemos ter racismo linguístico etc.

Quando foi que vi tanta emoção num debate linguístico?

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Abralin 50 - segundo dia

De manhã fui acompanhar um simpósio temático sobre Linguística Funcional centrada no uso. Confirmaram pra mim que fenômenos de gramaticalização agora estão sendo analisados como construções. A última pessoa a apresentar foi uma orientanda de pós-doc do Ataliba sobre preposições introdutoras de verbos (comecei a fazer/ terminei de fazer/ dá pra fazer). Percebi grande esforço por parte dela de estabelecer os graus de gramaticalização das preposições e fiquei com muita vontade de dizer pra ela que eu já fiz isso na minha dissertação, depois na tese e também no capítulo da preposição que saiu na Gramática do português falado. Mas como dizer isso sem admitir minha vaidade? Fiquei quieta.

Neste congresso, calculo que entre 85% e 90% das pessoas que apresentam seus trabalhos são alunos (de pós-graduação, mas sob orientação de outro professor). Neste simpósio não foi diferente: uma professora apresentou juntamente com a orientanda, todos os outros estavam na condição de estudantes. Mas na parte que sucedeu as apresentações, pessoas do público como Marcos Bagno, Lilian Ferrari e Sebastião Votre fizeram comentários valiosíssimos e perguntas interessantes para cada trabalho. Fiquei grata de ver como eles lidaram com os estudantes.
Ataliba, o apresentador e Jaime Pinsky

Na parte da tarde, Ataliba e Pinsky, o editor da Contexto, compuseram uma mesa redonda sobre o papel da Contexto nesses últimos 32 anos na difusão do conhecimento produzido pela Linguística. Quando entrei na sala, Ataliba conversava justamente com a orientanda de pós-doc. Sentei do lado deles e Ataliba nos apresentou: a Lou sempre estudou preposições, veja que coincidência!

Depois dessa mesa redonda, havia uma hora de intervalo até a conferência seguinte. Abrindo caminho por entre os pôsteres, dei de cara com Ataliba que me chamou. E seguimos conversando até o início da conferência. E como Ataliba é Ataliba, fomos interrompidos milhares de vezes, tirei um montão de fotos do Ataliba com alunos, apareci em outro montão de fotos, acompanhei conversas e vidas de pessoas que vinham conversar com ele. Num caso, até dei uma solução prum problema cabeludo, pelo qual eu mesma já passei (prestação de contas para CAPES ... 3 anos depois de encerrado o projeto!).

A conferência de encerramento do dia era sobre a ineficiência do gerativismo para descrever dados de linguagem humana. Ótimo para descrever e prever linguagem lógica, computacional, mas inaplicável para a linguagem humana. Alguns argumentos me convenceram: para os gerativistas, não há gradiência de agramaticalidade, ou seja, se algo é agramatical, não é possível na língua, não pode ser analisado. Ora, dados como "estou na esquina, eu" aparecem na fala e são estigmatizados. Não tanto como "bicicréta", no entanto não são tão agramaticais como "na eu esquina estou". Outro argumento é que o que não é da língua, não pode entrar nela. Ora, temos um vocabulário virtual que nos dá pistas de como podem ser as palavras de nossa língua materna. O último (dentre vários outros) que me pareceu cristalino como uma revelação - diz respeito à aquisição. Pra Chomsky, não há aquisição, porque a língua já está em nós: a gramática universal. No entanto - e eu observo isso na Agnes - a aquisição é gradual, com hipergeneralizações e deformações. Exemplo de hipergeneralização: nossa vizinha se chama Júlia (5 anos). Quando fomos a Gramado, Agnes chamava a Helena (filha do meu primo) de Júlia. Agnes adotou "Helena", mas recentemente falou da "outra Júlia", referindo-se à Helena. Exemplo de deformações: arroti, puli, fazi, pegui etc. Alguém no público lembrou que, para as crianças em fase de aquisição, muitas e muitas palavras são mistérios por muito tempo (o tal vocabulário virtual), e no entanto, com tempo, são assimiladas. Por fim, Geoffrey Pullum apresentou a sua MTS (Model Theoretic Syntax) e criticou a postura do gerativismo de medir o tamanho das línguas: capacidade de gerar infinitas sentenças a partir de um número finito de regras; porque a finitude não pode ser verificada. Claro que Daniel Everett e o caso da não recursividade do pirahã foi mencionada, entre outros exemplos de línguas que não dispõem dos mecanismos previstos pela sintaxe gerativa e que deveriam ser universais.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Abralin 50

Estou em Maceió (AL), participando do Congresso comemorativo dos 50 anos da Associação Brasileira de Linguística. O hotel em que estou hospedada fica de frente pro mar. O hotel em que acontece o evento também. Mas não vejo ninguém na praia, nem espaço na curta faixa de areia. Cheguei ontem de noite, depois de muitas horas em aeroportos vários. Por causa de um atraso na saída de PVH, perdi uma conexão em CNF para um voo direto e fui parar em Recife, onde terminei de preparar os meus slides. Só depois segui a Maceió. Quando cheguei, tinha perdido a abertura do evento.

Hoje de manhã cedo fui logo procurar a central de mídia, porque tinham avisado que todos os slides que apresentássemos tinham que ser levados à central de mídia que mandaria o arquivo pros lugares certos. Cheguei lá e disseram que como minha apresentação era no quarto, eu tinha que inserir o pendrive no computador do quarto. E era quarto mesmo. O evento acontece no Ritz Lagoa da Anta. Fui ao apartamento 238. Fechado. Avisaram que tinha mudado pra 237. Cadeiras ocupavam o lugar destinado à cama. E foi chegando gente e eu comecei a falar e de repente a única cadeira livre era aquela em que estava a minha bolsa.

Apresentei sobre construções de tópico-comentário no Jornal Nacional. Tomei como base o TCC de um orientando meu, mas quando vi que os dados dele estavam furados, coletei dados novos - e cheguei a outras conclusões. Ou seja: a minha proposta inicial era pegar carona no trabalho do orientando; e agora que os dados mudaram, ele está pegando carona comigo. A pesquisa é outra, fiz até uma descoberta (categorização nova).

Achei bem legal apresentar pra quem acena com a cabeça, mostrando que está entendendo. O tempo de 15 minutos é muito curto, mas como a pessoa que apresentaria depois de mim não veio, pude invadir um pouco o tempo dela. No final, depois que todos apresentaram, vieram as perguntas e comentários. Me dei conta que eu estava rodeada de gerativistas que falavam em movimento na estrutura e violação de princípio. Dei minha contribuição como pesquisadora da Neurolinguística e ofereci formas (novas pra eles) de pensar alguns problemas.

Fui ver uma conferência intitulada O sim, o não, o talvez, o nem tanto na gramática da língua. Maria Helena Moura Neves analisou cada um desses advérbios. Faraco e Marcos Bagno fizeram falas políticas, apelando para projetos coletivos de linguistas que cheguem nas escolas e no senso comum. Os linguistas têm como missão descrever a língua, então por que as gramáticas continuam colonizando as escolas e disseminando o preconceito de que quem não fala bem, não pensa bem? As gramáticas da língua portuguesa (do Brasil) são todas de autor, não há autoridade que chancele as gramáticas.
Em seguida, Chomsky deu uma videoconferência. O som falhava, eu me perdi na engenharia das construções, acabei prestando mais atenção na Ronice Müller Quadros interpretando e pensando: putz, só ela mesmo pra interpretar, porque é preciso entender tanto o idioma como o conteúdo do discurso pra poder interpretar. Eu falharia no segundo ponto.
Neste evento, um aplicativo coloniza nossas atenções. Os participantes do evento - e são muitos! - constantemente tiram fotos de si mesmos e postam no aplicativo. A programação está no aplicativo, os avisos de mudança de sala também, as reclamações de pouco espaço, denúncias de motorista de Uber mal intencionado, registros de alunos orgulhosos de estarem aqui.

Na vida real, encontrei o Pablo Arantes e tudo é como 10 anos atrás. Revi também o Élcio Fragoso, colega de departamento afastado pra pós-doc em Santa Maria. Ele entrou na UNIR quando eu estava na UFSM. Revi a Dudu e percebi que ela envelheceu, mas o modo de falar, responder e conduzir sua pesquisa não mudaram uma vírgula. Anna Bentes tava ao lado dela e parece que as duas conseguiram casar Neurolinguística com Linguística Textual. Queria acompanhar Lilian Ferrari, da Linguística Cognitiva, mas haverá dois outros eventos simultâneos, um deles com o Ataliba sobre a editora Contexto e a Linguística. Como editora da Edufro, me sinto chamada. Em 2015, Ataliba levou o jornalismo da TV Globo ao Gel. Agora é a Contexto. Mas isso é amanhã.

domingo, 28 de abril de 2019

Cosme e Damião

 
Analisando em retrospecto, Agnes estava inapetente já fazia um tempo. Teve febre na quinta de noite e foi pra escolinha na sexta de manhã. Suspeitávamos que a febre voltasse, então pedimos pra ligar se tivesse febre. Ligaram 11h e fomos buscar. Disseram que tinha tido 39 de febre. Luis deu dipirona (antitérmico) no carro e voltamos pra casa. Agnes estava bem abatida e dormiu durante a viagem pra casa. Chegamos, trocamos a roupa dela, percebemos que a febre não tinha baixado, Luis deu mais dipirona e a deitamos na cama. Deitei junto dela, até ela pegar no sono. Depois fui almoçar.

Depois do almoço, Luis foi ao quarto e viu a Agnes deitada, contorcida e vomitando. Achando que era uma crise epiléptica, entrou com a Agnes debaixo do chuveiro e enfiou o dedo na boca dela. Tinha medo que ela mordesse a língua, mas o que aconteceu foi que ela mordeu o dedo dele. Tão forte, que vi sangue escorrendo. Depois vimos que um dente dela (embaixo) deslocou. Ela estava convulsionando. O olhar não via, o corpo não tinha consciência de si, tudo parecia rígido e ainda assim em moto contínuo. Entramos no carro com ela convulsionando. Estabilizou a uma curva do hospital.

Luis parou o carro como se fosse uma ambulância, entramos e nos guiaram adiante. Tinham pouca experiência com criança no João Paulo, mas todos se esforçaram muito pra ajudar a entender. Sim, tinha tido febre alta; sim, era a primeira vez que convulsionava; ela tem três anos. Já descartaram epilepsia, mas pediram tomografia, pra ter certeza. Agnes parou de bater os dentes e abriu os olhos, mas não parecia ver. Olhava fixamente para a direita. Uma enfermeira alertou que ela estava com "olho de boneca". Nós tentamos atrair a atenção dela pro outro lado, mas não funcionou. Tiraram a roupa molhada e vomitada dela e botaram o único tipo de fralda que tinha lá (geriátrica).

Luis foi chamado a remover o carro e não deixaram ele entrar mais. Seríamos encaminhados ao Cosme e Damião, o hospital pediátrico. Os operadores da máquina de tomografia tiveram receio: será que ela vai ficar paradinha? Os enfermeiros que me acompanharam e eu não tínhamos dúvida: ela vai colaborar. Ajeitamos a menina embalada num avental hospitalar e me pediram pra sair da sala. Quando voltei, ela estava dormindo.

As imagens foram rapidamente analisadas e não se percebeu nenhuma hemorragia ou qualquer outra lesão cerebral. Enquanto Agnes e eu esperávamos a papelada evoluir pra transferência, notei que ela não falava, só choramingava de tristeza e cansaço. Entramos na ambulância, Luis foi de carro. Quando chegamos no Cosme e Damião, já sabiam o nome da Agnes. Estava sendo aguardada porque Luis ligou pra Berenice que acionou a Marilene que apita alguma coisa lá dentro.

Dessa vez, eu fui barrada. Só pode entrar um acompanhante. Fiquei do lado de fora, com as minhas memórias do episódio, com medo de ela ter alguma sequela. Duas horas depois de esperar, pude entrar: era hora de visita. Agnes e Luis estavam numa poltrona reclinável no corredor. Ele mais vomitado, ela no soro. Sentei na cadeira, Agnes deitou em cima de mim (eu ainda estava com a roupa vomitada). Dormimos as duas enquanto Luis foi pra casa tomar banho. Não lembro do sonho, mas lembro de ter pensado que esse devia ser um sonho de Agnes.

Luis voltou e brigou por um leito num quarto. Conseguiu. A primeira palavra da Agnes foi "xixi". Depois disse "mamãe" muitas vezes. Mesmo estando de fralda, fazia questão de não usá-la. O quarto tinha dez berços, uma poltrona reclinável ao lado de cada berço, nenhum ar condicionado, três ventiladores dos próprios internos e um banheiro. Tudo bem parecido com a maternidade. Marilene sugeriu que pedíssemos transferência pro Hospital da Unimed, já que temos convênio, mas a nossa preocupação era o neurologista - que garantidamente viria na manhã seguinte ao Cosme e Damião e não está previsto no Hospital da Unimed.

Fui pra casa comer e tomar banho. Voltei às 19h, crente que era hora da visita. Depois fui entender que era hora da troca. Luis foi pra casa, eu passei a noite com Agnes. A luz foi desligada perto de meia-noite. Tinha enfermeiro entrando a cada hora pra trocar soro, injetar antibiótico, trazer máscara de nebulização. E quando entrava, ligava a luz e não desligava ao sair. Eu é que levantava e apertava o interruptor. Cheguei a deitar com a Agnes no berço, mas foi difícil dormir. Muito bebê chorando, muito entra e sai. Agnes não tinha serenidade e queria falar - e falava alto.

Às 5h da manhã perguntei pra enfermeira que veio administrar o antibiótico quando iam coletar exame da Agnes, porque tinha que ser em jejum. A médica tinha visto na tomografia uma infecção grande na garganta da Agnes. Essa infecção tinha causado a febre que foi o gatilho para a convulsão. A enfermeira me disse que eu tinha que ir no laboratório pra coletar exames. Achei estranhíssimo que o laboratório não vinha ao leito, mas fomos. Coleta de sangue, cotonete no nariz e na garganta.

Quando veio o café da manhã, Agnes só comeu a goiabada espalhada no pão. Luis chegou perto de 7h e ficou até 13h. Eu pude dormir nesse tempo. A casa foi ressignificada nesses dias. A casa era um lugar limpo, vazio, grande. Quando voltei ao hospital depois do almoço, Agnes finalmente dormia e seguiu dormindo apesar da atividade no quarto. As duas vizinhas tinham tido alta. Um leito permaneceu vazio, o outro foi ocupado por uma mãe que botava músicas de louvor no celular pra acalmar o bebê que chorava. Foi duro. Música de milagre naquele volume - e ela cantando junto - justo quando Agnes tinha finalmente conseguido dormir. Por volta das 16h entraram quatro senhoras evangelizadoras pregando a palavra de Jesus em alto e bom som. Não teve jeito. Agnes acordou, eu peguei ela no colo e saímos do quarto. Elas provavelmente acham que curam; eu achei a pregação extremamente desrespeitosa.

Luis ficou com o turno da noite e depois relatou que ela teve sono muito agitado. Se debatia, batia nas grades do berço, gritava, acordava chorando e voltava a dormir. O que ele não me contou foi que ela acordava fora de si. E foi isso que aconteceu quando cheguei de manhã. Ela acordou gritando feito bebê, me repelia com todas as forças, não falava, me batia e me arranhava. Fiquei completamente perdida diante desse espetáculo. As outras mães olhavam pra mim assustadas por eu não saber lidar com a criança assim. Um abraço e uma caminhada apaziguaram a menina e de novo a primeira palavra foi "xixi". Depois, tentando interpretar o ocorrido, chegamos à conclusão que ela passou por uma reinicialização. O primeiro sono dela tinha sido esse, na segunda noite. Os neurônios dela tiveram que se reorganizar. O neurologista tinha dito que convulsões febris em crianças de até 5 anos acontecem porque o sistema neuronal ainda não está formado.

A médica confirmou que Agnes teve uma forte infecção nas amídalas, que agora estava melhor, que ela precisaria continuar com o antibiótico por mais cinco dias. Explicou que dipirona provoca um pico de calor antes de baixar a temperatura da pessoa (o que explica a temperatura alta antes da convulsão) e disse que Agnes seria liberada amanhã. Pedi que fôssemos transferidos pro Hospital da Unimed, ela me explicou que eu precisava acionar a Unimed e deu detalhes do processo burocrático. Perguntou onde morávamos, se mais perto de lá que dali. Respondi que morávamos do lado do João Paulo, que foi pra onde fomos em primeiro lugar. Ponderou se podia nos dar alta. O antibiótico é vendido na farmácia. Depois de hoje, administrar de 12 em 12 horas. Se a febre voltar, dipirona e banho. Vou escrever a liberação de vocês.

Uma das mães suspirava alto que queria sair desse hotel de uma cama. Um menino mais velho, no primeiro berço, contou pra alguém no telefone que estava no hospital de animais. Nas janelas que não abrem havia adesivos com animais. Luis tinha prometido dar uma festa pra Agnes se conseguíssemos sair hoje do hospital. Agnes pediu bolo de girafa. Pro papai, bolo de rinoceronte e pra mamãe, bolo de leão. Por sorte, na confeitaria tinha um bolo decorado com physalis na pétala que parecia bem rústico e selvagem.

Como se chama esse hospital? ela perguntou. Cosme e Damião, respondi. Come Damián?

Mesmo sabendo que o que ela teve foi uma convulsão febril - e não epilepsia - temos medo de deixá-la sozinha. Temos medo de febre também. Somos gratos que ela não teve sequela e acumulamos mais essa experiência humana de SUS.

domingo, 21 de abril de 2019

Feliz Páscoa-Tiradentes

Nossos ovos são assim


Segunda festa

No sábado, Agnes teve a melhor festa de todos os tempos. Júlia, Mathias e os três mosqueteiros (Gabriel, Cecília e Augusto) brincaram a festa toda. A galinha, os porquinhos-da-índia e o hamster  promoveram a integração inicial entre as crianças e deram a elas uma noção do espaço da casa. Depois foram descobrindo as bicicletas, o trampolim, massinha, o quarto da Agnes, até o balão gigante com coisinhas dentro escondido no guarda-roupa.
Mais de uma vez Agnes exclamou: Que bagunça! no quarto dela, mas igualmente se entregou à produção de desordem. As seis crianças valiam por trinta.
Cecília com o coelhinho, Júlia com a calimba e Agnes tentando abrir uma bala
Agnes caiu muitas vezes, queimou os dedos na vela-fogos-de-artifício, trombou com os meninos, mas não perdeu a compostura nem a vontade de continuar brincando. Na véspera da festa, tínhamos passado a manhã com ela no hospital: diarreia e vômito e soro na veia. No sábado, ela era pura energia e alegria.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Festinha de aniversário na escolinha: 3!

Hoje teve 3 festas de aniversário acontecendo em paralelo no Mundo Encantado. A única que me importava era a de 3 anos da Agnes. Deixei Agnes na escolinha e fui até a banca de artesanato buscar as lembrancinhas dos colegas da Agnes: chocalhos suruí que eu tinha encomendado semana passada, pensando que o Dia do Índio cai perto do aniversário da Agnes. Dali fui buscar os salgados. Quando cheguei na escolinha, o telefone tava tocando: era o bolo que tinha chegado. Como todas as funcionárias da escola estavam envolvidas em alguma preparação de festa, tivemos que achar lugar na geladeira.
Depois de montada a mesa, o protocolo estipulava a sessão de fotos. O item seguinte era cantar o parabéns, mas tivemos que esperar pelas proprietárias da escola. Primeiro o suco, depois os salgados, por fim o bolo e brigadeiros. Tudo estava muito bom (mesmo!).

Quando fomos buscar a Agnes, teve a logística das sobras e dos presentes (todos, exceto o vestido, eram cor de rosa! Acho que os chocalhos indígenas foram um choque para os pais que escolheram os presentes da Agnes...).
De noite, antes de dormir, Agnes me disse que hoje eu fui na escola dela.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Oficina de cartonera

Semana passada fui na Arigóca pra conversar com Elizeu sobre uma participação dele num curso de extensão que quero oferecer sobre produção editorial. As meninas logo me convidaram pra oficina de cartonera (livros manualmente produzidos com capa de papelão) e garantiram que Agnes poderia participar.
Fomos hoje pra oficina. Quando vesti o avental na Agnes, Elizeu exclamou: você trouxe sua armadura! As meninas já conheciam a Agnes e se divertiram com ela. Percebi que Agnes propicia que algumas pessoas dêem asas à criança dentro delas.
Mais pro final, quando Agnes já não estava mais pintando papelão nem capa de livro de poesia, nem brincando de fazer barulhos pra dentro de um cano retorcido, ela pediu os ovos pro Elizeu. É, eu quero tocar na banda, ué. Todo mundo caiu na risada quando entendeu que ela se referia aos chocalhos em formato de ovo que ela tocou na nossa primeira visita.
 A Edufro estava lá: Leidijane e Vitoria (e eu), olhando para o livro enquanto objeto.

domingo, 31 de março de 2019

Sapucaia

Semana passada compramos um ouriço de sapucaia na feira. Conversei bastante com um senhor que me explicou que o tampo se abriria sozinho em 8 dias, mais ou menos. Depois da conversa, ele se despediu e foi embora, e só então entendi que ele não estava vendendo os ouriços, só passando.
Hoje uma rachadura abriu. Agnes conseguiu enfiar o dedinho ali e a tampa caiu.
Pra nossa surpresa, vimos unidades marrons e brancas. Qual delas se come? O primeiro video que apareceu no youtube me esclareceu que a parte branca é morcego que come. A parte escura é a castanha.
A parte branca apenas segura a castanha dentro do ouriço - que, em condições normais, fica pendurado na árvore. A tampa se abre pra baixo e as castanhas só caem depois que a parte branca não segurar mais as castanhas dentro do ouriço.
Separamos as castanhas dos prendedores de castanha. Agnes foi de grande ajuda nessa tarefa.
Depois tentamos quebrar as castanhas.
Ainda não chegamos na melhor técnica, mas conseguimos comer castanhas de sapucaia.
E são muito mais gostosas que castanhas do Pará (Brasil) frescas.
 O ouriço vazio:


domingo, 10 de março de 2019

Flor-surpresa

Foi com alegria que notamos que o abacaxi estava dando fruto. E depois foi com surpresa que notei flores roxas saindo do abacaxi!
Quando mandei fotos dessa flor de espinhuda pro Philip, ele perguntou se esse era o tipo de planta que dá flor a cada 7 anos. Se não me engano, demora tipo 7 anos pra dar flor (inflorescência, diria qualquer botânico), mas depois a planta joga sementes e ela toda morre. Não tem outro ciclo de 7 anos pra mesma planta.
E vi outras inflorescências iguais a essa na cidade, o me leva a crer que o fenômeno não é isolado.
Fui regar o gengibre e descobri esses botões de flor. Quantos você enxerga?

segunda-feira, 4 de março de 2019

Cota de inundação

Boca do lago do Maravilha
Quando o nível da água do Madeira em Porto Velho chega a 17m, atinge a cota de inundação, ou seja, o rio sai da calha. Ontem foram registrados 17,18m pela CPRM.
A linha vermelha no gráfico oscila porque as usinas controlam a vazão do rio: ora soltam, ora seguram água.
Praça Madeira-Mamoré
Na Rogério Weber, onde é a feira de domingo, a água cobre a avenida. Damián disse que a feira mudou de lugar. Fomos até a ponte que atravessa o rio Madeira. Fila de caminhões aguardando liberação à direita. Lembrei de novo da conversa telefônica que tive com Damián: a ponte virou porto, porque a estrada do Belmont, que leva a várias distribuidoras de combustível e gás, está embaixo d'água. Atravessamos a ponte, mas não fomos muito adiante. Antes da vila do DNIT havia água na pista. Um igapó que liga com o Madeira. Viramos à direita e enveredamos pela estrada da beira rumo ao Maravilha. Já na primeira curva tivemos que parar, porque o lago atravessava a estrada. Não dá mais pra visitar o Damián: o carro não chega. E como agora o rio não tem mais margens, Damián terá dificuldades para atracar deste lado do rio.