Hoje de manhã cedo fui logo procurar a central de mídia, porque tinham avisado que todos os slides que apresentássemos tinham que ser levados à central de mídia que mandaria o arquivo pros lugares certos. Cheguei lá e disseram que como minha apresentação era no quarto, eu tinha que inserir o pendrive no computador do quarto. E era quarto mesmo. O evento acontece no Ritz Lagoa da Anta. Fui ao apartamento 238. Fechado. Avisaram que tinha mudado pra 237. Cadeiras ocupavam o lugar destinado à cama. E foi chegando gente e eu comecei a falar e de repente a única cadeira livre era aquela em que estava a minha bolsa.
Apresentei sobre construções de tópico-comentário no Jornal Nacional. Tomei como base o TCC de um orientando meu, mas quando vi que os dados dele estavam furados, coletei dados novos - e cheguei a outras conclusões. Ou seja: a minha proposta inicial era pegar carona no trabalho do orientando; e agora que os dados mudaram, ele está pegando carona comigo. A pesquisa é outra, fiz até uma descoberta (categorização nova).
Achei bem legal apresentar pra quem acena com a cabeça, mostrando que está entendendo. O tempo de 15 minutos é muito curto, mas como a pessoa que apresentaria depois de mim não veio, pude invadir um pouco o tempo dela. No final, depois que todos apresentaram, vieram as perguntas e comentários. Me dei conta que eu estava rodeada de gerativistas que falavam em movimento na estrutura e violação de princípio. Dei minha contribuição como pesquisadora da Neurolinguística e ofereci formas (novas pra eles) de pensar alguns problemas.
Fui ver uma conferência intitulada O sim, o não, o talvez, o nem tanto na gramática da língua. Maria Helena Moura Neves analisou cada um desses advérbios. Faraco e Marcos Bagno fizeram falas políticas, apelando para projetos coletivos de linguistas que cheguem nas escolas e no senso comum. Os linguistas têm como missão descrever a língua, então por que as gramáticas continuam colonizando as escolas e disseminando o preconceito de que quem não fala bem, não pensa bem? As gramáticas da língua portuguesa (do Brasil) são todas de autor, não há autoridade que chancele as gramáticas.
Em seguida, Chomsky deu uma videoconferência. O som falhava, eu me perdi na engenharia das construções, acabei prestando mais atenção na Ronice Müller Quadros interpretando e pensando: putz, só ela mesmo pra interpretar, porque é preciso entender tanto o idioma como o conteúdo do discurso pra poder interpretar. Eu falharia no segundo ponto.
Neste evento, um aplicativo coloniza nossas atenções. Os participantes do evento - e são muitos! - constantemente tiram fotos de si mesmos e postam no aplicativo. A programação está no aplicativo, os avisos de mudança de sala também, as reclamações de pouco espaço, denúncias de motorista de Uber mal intencionado, registros de alunos orgulhosos de estarem aqui.
Na vida real, encontrei o Pablo Arantes e tudo é como 10 anos atrás. Revi também o Élcio Fragoso, colega de departamento afastado pra pós-doc em Santa Maria. Ele entrou na UNIR quando eu estava na UFSM. Revi a Dudu e percebi que ela envelheceu, mas o modo de falar, responder e conduzir sua pesquisa não mudaram uma vírgula. Anna Bentes tava ao lado dela e parece que as duas conseguiram casar Neurolinguística com Linguística Textual. Queria acompanhar Lilian Ferrari, da Linguística Cognitiva, mas haverá dois outros eventos simultâneos, um deles com o Ataliba sobre a editora Contexto e a Linguística. Como editora da Edufro, me sinto chamada. Em 2015, Ataliba levou o jornalismo da TV Globo ao Gel. Agora é a Contexto. Mas isso é amanhã.



Nenhum comentário:
Postar um comentário