Quando terminei de ler o último livro da Eliane Brum (2021), apareceu outro dela (2014) na minha escrivaninha (Meus desacontecimentos). Agora preciso dar um tempo de tanta emoção à flor da página.
A partir do olhar de Greta Thunberg, Eliane Brum presta atenção nas crianças e nos jovens, filhos desses deflorestados, desterritorializados que perderam seu modo de vida e seu futuro. Que futuro terão os filhos desses adultos?
Na análise da jornalista, Trump e Bolsonaro não têm um futuro para oferecer, porque o futuro é colapso climático - que eles se esforçam para negar, já que esse futuro é ruim. Vendem então um passado que nunca existiu.
"Òkòtó é um caracol, uma concha cônica que contém uma história ossificada que se move em espiral a partir de uma base de pião. A cada revolução, amplia-se 'mais e mais, até converter-se numa circunferência aberta para o infinito'." (p. 338) Pois é, assim como no outro livro, a definição do título aparece lá pro final do livro...
Achei bom passar por essa imersão, mas não sei identificar a escritora.
O texto é uma construção. Percebo na jornalista a compulsão pela escrita, mas não enxergo engenhosidade na forma do texto. É um jornalismo diferente, que contém a sensibilidade da escuta, a relação de quem escuta com quem lê e a mediação entre mundos.


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