- Agnes, qual é o contrário de colorir? (Eu esperava 'descolorir' como resposta)
- Não colorir.
- Qual é o contrário de feliz? (Eu esperava 'infeliz' como resposta)
- Triste.
Me parece que os prefixos ainda não são muito produtivos na linguagem da Agnes. Entendo que sejam deveras abstratos, já que estabelecem uma relação de negação (que tem várias facetas) com o radical.
Em 1984 (George Orwell), no capítulo 5, Winston conversa com o dicionarista do regime autoritário. Syme explica que a atividade lexicográfica dele consiste em destruir palavras. A ideia central é que com poucas palavras, poucos pensamentos são possíveis. Restringir o vocabulário equivaleria a restringir a capacidade de pensamento. Quando há duas palavras com sentidos opostos, escolhe-se uma e aplica-se a ela um prefixo que expressa o seu contrário, eliminando assim a segunda palavra. Exemplo: bom e mau são duas palavras. Se ao invés de mau for usado um prefixo negativo com bom, como em imbom, a palavra mau pode ser eliminada.
- O que você achou disso, menina?
- Isso é nem acreditável!
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