Um dia, a caminho da escolinha, Agnes tirou o dedo da boca e me disse que a Oma vai pro céu. Eu pensei na viagem que a minha mãe fará pra cá quando a minha Oma completar 100 anos em setembro e disse: "sim, a Oma vai entrar num avião."
Agnes não se abalou e prosseguiu no seu raciocínio: "A Oma tem cabelo branquinho, ela vai pro céu." Eu, que estava com a cabeça no trânsito e não consegui abandonar a ideia do centenário da minha avó, comentei que o cabelo da Oma era branco como as nuvens.
Agnes perdeu a paciência comigo e exclamou que a Oma vai morrer porque tem cabelo branco e tá velhinha. Quase chorou dizendo que não queria ficar velhinha e não queria morrer.
* * *
Ontem, Agnes emergiu de seus pensamentos e concluiu em voz alta: "Então vão ser quatro Omas."
De novo, estávamos no carro, a caminho da escolinha. Mais uma vez o meu pensamento foi direcionado pra Gramado e pro centenário da Oma. Comecei a contar as Omas: "a minha Oma, a tua Oma, a Oma da Helena e Ulla, a Oma da Liah."
"Não, mãe. Eu vou ficar de cabelo branco, vou ficar velhinha e vou ser Oma. Você vai ficar velhinha e vai ser Oma. A minha Oma e a sua Oma. Quatro Omas."
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