Rondônia faz divisa com a Bolívia, mas pra viajar a La Paz, a rota passa por São Paulo. É como se os gaúchos tivessem que ir a Cuiabá pra chegar em Buenos Aires. A diferença é que Porto Velho fica no Norte e o sul maravilha fica na borda do centro das rotas aviárias.
Luis sentiu um leve aperto no coração quando o avião de Santa Cruz de la Sierra atrasou. O voo de Guarulhos a Brasília sairia de noite. Apesar do atraso, deu tempo. Mas o avião de Guarulhos a Brasília atrasou 40 minutos e o avião de Brasília a Porto Velho não esperou. Enquanto ele me dava notícia de que estava preso em Brasília, procurei por voos nas outras companhias. Nada. Todos os passageiros com destino a Porto Velho foram encaminhados prum hotel. Procurei voos pro dia seguinte: a Gol não tinha voos BSB-PVH, a Azul só tinha voos com pelo menos duas escalas e a Tam tinha um direto, ao meio-dia. O voo não alcançado era Gol. Em vez de acomodar os passageiros no voo da Tam, ao meio-dia, a Gol os acomodou num voo Gol às 21h. Por causa de um atraso de 40 minutos ocasionado pela Gol, todos com destino Norte ficaram 24 horas (menos 40 minutos) em Brasília. A Gol pagou hotel e alimentação, mas não fez nada além disso, pra compensar o dia perdido em Brasília. E ainda tiveram que ouvir que “pro Norte é difícil mesmo”.
Everal tinha a seguinte teoria: como São Paulo é o centro de tudo, tudo que estivesse dentro de São Paulo deveria ser denominado “interior”. E o que fica fora é o “exterior”.
Porto Velho é exterior, estranho, isolado. Luis entendeu isso de forma dura e burocrática.
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