domingo, 23 de outubro de 2016

Pakaas

Vieram dedetizar a nossa casa porque estava precisando. Enquanto Luis supervisionava o serviço (e ajudava a matar barata), Agnes e eu tomamos café da manhã na casa do Narcísio. Ele ficou bem feliz com a visita, até trocou a fralda da menina por livre e espontânea vontade. Daí Luis veio nos buscar e atravessamos o estado de Rondônia em direção a oeste. Pasto, boi, vegetação morta por afogamento e/ou fogo formavam a paisagem. Sempre com o rio Madeira à direita, seguimos pela BR 364 até quase Abunã, pegamos a BR 425 que acompanha a curva do Madeira, entramos em Guajará-Mirim e pegamos a RO 370 até acharmos que a gasolina ia acabar. 

No primeiro trecho, pela BR 364, passamos pelas duas usinas instaladas no rio Madeira, portanto o linhão era uma imagem constante. Eu já conhecia esse trajeto, porque eu já tinha acompanhado o meu marido até a usina de Santo Antônio, Jacy-Paraná, Nova Mutum-Paraná (a company-town da usina), a usina Jirau, Vila Jirau (onde os reassentados de Mutum-Paraná se firmaram depois de desistirem de viver em Nova Mutum-Paraná) e Mutum-Paraná (extinta e onde Nicinha foi assassinada. Tem uma cruz branca lá lembrando). Tivemos sol e chuva no caminho, inclusive aquaplanagens. Parece que aqui, onde a água é abundante, não sabem lidar com ela.

O resto da viagem foi pra mim em terras desconhecidas. A BR 425 está parcialmente recapeada e sem sinalização, a RO 370 está parcialmente pavimentada (muitos buracos onde tem asfalto e também onde não tem asfalto). Narcísio tinha garantido que haveria placas até o nosso destino final, mas a realidade não foi bem assim. Por sorte ele tinha me mostrado que antes do estádio em Guajará é pra virar à esquerda - e eu lembrei disso quando chegamos lá. Perguntamos para várias pessoas onde era o Hotel Pakaas, porque não acreditávamos que fosse tão longe e que não tivesse placa indicando. Quando finalmente apareceu algo similar a um portão com uma grande placa anunciando o hotel Pakaas, veio a absurda sensação de estar sendo enganado: à 6km - e o problema maior não era a crase. A estrada de chão que se estendia à nossa frente estava densamente ocupada por bois, vacas e bezerros. E a gasolina se acabando.

Na manhã seguinte fomos premiados com o espetáculo do sol nascendo no rio Pacaás Novos. O hotel fica de frente pro encontro das águas (de cores diferentes).
Pacaás escuro, Mamoré mais barrento, ambos seguindo para a direita.
Essa foto é um parêntese na sequência da alvorada. Do outro lado é Bolívia.


Quando Luis se hospedou no Pakaas muitos anos atrás, ficou num quarto no hotel. Parece que hoje não há mais quartos, mas chalés em palafitas (não se caminha no chão).
É uma pena que a manutenção das madeiras e telas seja tão dificultosa (de noite, ao redor das lâmpadas, tem um universo inteiro semovente de insetos variados, por isso as telas), porque a ideia e arquitetura são empolgantes.
E quem olhar no mapa, vai ver que o rio Mamoré, que faz a divisa com a Bolívia, beira o hotel Pakaas. Juntamente com o rio Madre de Dios, o Mamoré forma o rio Madeira (quando os dois se juntam, o resultado é o Madeira). Saímos de Porto Velho, às margens do rio Madeira, atravessamos o estado acompanhando o Madeira e chegamos no rio que desemboca no Madeira.

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