domingo, 23 de outubro de 2016

Guajará-Mirim

Lamentei muito a falta de um zoom decente nessa máquina fotográfica. Do outro lado do rio está Guayaramerín, na Bolívia. Poderíamos ter pego uma embarcação para atravessar o Mamoré, entrado na fila pra trocar dinheiro, pego um bicitaxi e almoçado saltenha na Bolívia. Mas entendemos que demoraria muito e viajar com uma criança de 6 meses exige uma logística e um tempo diferenciados. E tinha saltenha onde estávamos, no porto, em Guajará-Mirim.
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré tinha como propósito transportar borracha boliviana a partir de Guajará-Mirim até Porto Velho. Trata-se de uma obra estadunidense. Metade dos trabalhadores que fizeram a ferrovia morreram (principalmente de malária) durante a obra. A Maria Fumaça fez poucas viagens por causa do mercado da borracha (de repente não valia mais a pena fazer a mercadoria percorrer esse caminho, porque a borracha havia se tornado abundante e barata). Retratos dessa história podem ser vislumbrados na leitura de Mad Maria (tanto a série como o romance), Ferrovia do diabo e Trem fantasma.

Mais assombroso que o intento da empreitada, o número de mortos ou as variações do mercado é o abandono que se observa em volta da estrada de ferro. Na foto abaixo, os trilhos estão escondidos na grama.
Recentemente tivemos visita de um historiador aqui em casa. Numa manhã, Marcão foi a pé do cemitério da Candelária até a praça Madeira-Mamoré em Porto Velho. Não tinha cemitério aos olhos dele, mas mato. Quis seguir pelos trilhos até o centro de Porto Velho, mas os trilhos acabaram, porque partes do bairro Triângulo desbarrancaram, engolindo os trilhos. Chegou no galpão da praça Madeira-Mamoré achando que encontraria um museu e se deparou com barraquinhas de artesanato. A história dessa ferrovia está sendo abandonada e alienada do povo que vive onde ela existiu.

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