terça-feira, 8 de julho de 2014

Acabou o carnaval

Vi os gols da Alemanha contra o Brasil, mas não lembro de ter visto a comemoração dos jogadores alemães - ou da torcida alemã. A câmera da Fifa enfocava o choro, o desespero e o susto dos torcedores brasileiros. Assisti o jogo transmitido pela Globo e não registrei as vaias da torcida brasileira, nem os olés que outras emissoras mostraram.

Enquanto Casa Grande e Ronaldo Fenômeno comentavam que o Brasil não tinha feito grande campanha, não tinha mostrado serviço nessa Copa, Galvão Bueno dizia que "assim é o esporte". Júlio César, o goleiro que tomou 7 gols, deu depoimento de que era "complicado explicar o inexplicável".

E quando, no Jornal Nacional, que dedicou 80% de seu tempo à Copa, os comentaristas (que falaram por último) foram explicar o que aconteceu na semifinal de hoje, quase todos atribuíram a responsabilidade pelos "erros" ao treinador que escalou mal o time. Detalhe: em bloco anterior (e notavelmente longo) Felipão assumira a total responsabilidade pela derrota. Mas considero importante destacar que desses 80% de tempo de Jornal Nacional dedicados à Copa, apenas 10% foram avaliações de pessoas que recebem salário para fazer avaliações. A maior parte das avaliações foi feita pelos torcedores.

A capa da Folha online traz, nas imagens cambiantes, um quadro com imagens de 8 pessoas: 1 homem e 7 mulheres da torcida com o rosto contorcido de dor. Tanto Patrícia Poeta como Galvão Bueno rasgaram elogios para a torcida (que cantou "sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" incansavelmente e aplaudiu os jogadores da Alemanha no final do segundo tempo). Mas a atuação da Tropa de Choque no Mineirão foi silenciada na Globo.

A máscara (do hexa, do Brasil campeão, do orgulho da camisa) caiu. Todas as propagandas em que os jogadores brasileiros (que recebem salários astronômicos para - segundo David Luiz: "alegrar o povo brasileiro") aparecem como herois parecem agora a mais pura enganação. Todas as cidades-palco decoradas de verde-amarelo, todos os figurantes que torceram pelo time, pelo país e pelo sonho, acreditando na importância do seu papel, foram pegos no contrapé porque os atores em campo não desempenharam seu papel conforme o script. Porque os jogadores deixaram claro que até então estiveram atuando, não jogando futebol campeão de Copa.

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