segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O riso dos outros


Achei esse documentário de Pedro Arantes (que foi encontrado no Docverdade) surpreendente. Fiquei positivamente impressionada com a reflexão de alguns comediantes sobre o humor e seu trabalho (Laerte dá um show) e fiquei negativamente impressionada com a ausência de reflexão sobre o efeito de seu trabalho por parte dos comediantes mais em evidência no momento (destaque pro Gentili).

5 comentários:

Natalie Rios disse...

Assisti a esse documentário faz algumas semanas, e é realmente maravilhoso!

iglou disse...

Natalie!

Quanto tempo! E quanta mudança: você não está mais em Barão Geraldo... voltou pra estrada, né?

Luis disse...

Seria preciso relacionar essa onda de novos humoristas brasileiros com a emergência econômica do país, e dentro dele da chamada "classe C" (e nova "classe B" com capital cultural da de "C"). A volúpia com que abraçam o consumismo e a forma como ostentam de seu "novo padrão de vida" dão corpo a uma maré fascista(o fascismo social dos setores "integráveis" ) que se expressa abertamente na boca da maioria desses humoristas. Ainda bem que o doc deu voz aos atores e artistas que tratam o humor como antídoto ridicularizador de todas as formas de opressão.

iglou disse...

Luis,

obrigada pela conexão nova de fatores que joga outra luz sobre os humoristas.

Eu fiquei pensando no fazer-enquanto-a-bola-rola sem ter um projeto, uma reflexão sobre o próprio trabalho. O "enquanto estiverem rindo, continuo contando piadas que agradam ao público" me faz lembrar o "Cama de gato", filme em que a combinação de fatores é outra: jovens de classe média bêbados tecem uma estória absurda resolvendo conflitos conforme eles se avolumam. O final é trágico justamente porque não há moral, visão do todo e reflexão sobre os desejos. Tudo é imediato, tudo é reação impensada.

Vejo o fascismo no humor como a maré que leva todos a naturalizarem coisas que foram construídas, a descartar como ridículo (risível) aquilo que não faz parte do que é considerado normal. Me parece que esse fascismo é se recusar a questionar os próprios atos. É a impossibilidade de nadar contra a correnteza.

phil disse...

Nossa, só cheguei a ver hoje esse documentário, e fiquei pasmo com a estupides de tantos humoristas de óbvio sucesso no brasil atual!
O humor pop já era assim há 14 anos?
E esse negócio de piada sempre precisar de um alvo... logo pensei em kishon, que faz humor elevando cenas cotidianas ad absurdum, oum certo humor verbal, que tem como objeto central apenas palavras, ou um sketch que eu vi dos barbichas onde eles atuam como espectadores de um jogo de futebol e usam apenas vogais para se comunicar ou mostrar emocoes. claro que isso parodia o cráter torcedor, mas nao o tem como vítima.