segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Fim dos tempos

O Madeira foi manchete nos jornais quando alcançou a marca de 41cm. O maior afluente da margem direita do Amazonas agora pode ser atravessado a pé, com a água no joelho. Procurei notícias sobre a paralisação das usinas, mas não encontrei. Como pode uma usina a fio d´água, que se declara sem reservatório, cuja vazão afluente é supostamente igual à vazão defluente, seguir operando com 41 cm de rio? 

Eu lembro do discurso "tem que aproveitar essa água toda" que os técnicos faziam quando fomos visitar a usina de Santo Antônio, instalada a 5km do centro de Porto Velho. Eu lembro da disputa entre Jirau e Santo Antônio pelos 9m de queda que a água tinha que ter pra gerar energia. No Alto Madeira, a montante, onde está o reservatório, provavelmente tem os 9m que permitem que a usina siga gerando energia. No Baixo Madeira, a jusante, tem 41 cm. 

Do alto de sua cabine, os técnicos estão vendo os peixes morrendo, os botos agonizando, a população atravessando o leito do rio. Como as crises climáticas não estão previstas no contrato, não abrirão as comportas.

Hoje de manhã eu deixei a Agnes no contraturno e fui pro MPI, bater ponto. Chegaram mensagens da escola avisando que as aulas da tarde tinham sido canceladas por causa da fumaça na Asa Norte. O contraturno é vizinho da escola. Esperei um pouco e chegaram também mensagens do contraturno avisando que as atividades tinham sido canceladas. Fui buscar Agnes e passamos a jornada de 8h + 1h de intervalo obrigatório juntas no MPI. Se amanhã as aulas e atividades do contraturno forem canceladas de novo, vou pedir pra ficar em home office, porque submeter a criança a essa jornada é o fim.

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