quarta-feira, 11 de outubro de 2023

O velho Madeira

As notícias que chegam do rio Madeira são assustadoras. Eu vi a cota máxima (19,74m) do Madeira em 2014, e agora estou desacreditando que o rio tenha chegado ao nível mínimo jamais registrado (1, 11m). Fiquei chocada com a chamada de um jornal que tratava do rio, mas mostrava a foto da usina. Santo Antônio parou de operar em outubro. Olhaí que maravilha: usina hidrelétrica num bioma com regime de chuva sazonal.

Voltei a consultar os boletins da ANA (Agência Nacional de Águas) e conferi coisas curiosas: 1) sim, a linha preta que representa a evolução do nível da água atingiu a mínima histórica;

2) Tanto Jirau como Santo Antônio estão com a água na cota mínima (lembrando: a cota de Jirau varia entre 82 e 90m e a cota de Santo Antônio era 70,5 em 2014 e foi aumentada com o acréscimo de outras turbinas). Jirau segue operando, enquanto Santo Antônio parou - mas repare que Santo Antônio não abriu as comportas: segue acumulando água no reservatório. Do outro lado da barragem, o Madeira em Porto Velho está com 1m de profundidade.

O argumento que move o (agro)negócio é o abastecimento. É preciso continuar navegando no rio apesar da escassez de água para abastecer outros municípios. A solução proposta sela o fim do rio: dragagem. Fazer do rio um canal navegável é desfigurar o velho Madeira.

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