quarta-feira, 25 de outubro de 2023

De volta à bicicletaria

Estudei o mapa pra saber onde era a bicicletaria mais perto de casa e levei a Amarilda lá. Queriam saber a marca da bicicleta pra botar na ordem de serviço: os adesivos já não permitem mais que se leia Canadian - que não é uma marca que teve vida longa. Disseram que fariam revisão geral e que taria pronta no dia seguinte, ao final do dia. 

No dia seguinte voltei lá e me disseram que o mecânico tinha tentado me ligar pra pedir a chave do cadeado (da corrente que prende a bicicleta no poste) que estava em volta da mesa (conexão entre guidão e quadro). Como eu não tinha recebido ligação, verifiquei o número que eles tinham anotado na ordem de serviço. Tava tudo certo. Alguém reparou que o prefixo não é 61? Ah, então, pois é. Era hora de fechar a loja, o mecânico já não estava mais lá e me pediram pra voltar no dia seguinte no primeiro horário.

Na manhã seguinte, eu estudei o mapa pra entender como eu iria da biciletaria pro MPI. Quando cheguei na bicicletaria, dois funcionários estavam sentados na calçada, vendo celular. Sentei na calçada também e esperei a loja abrir. Procuraram a minha ordem de serviço e não acharam. Qual é a marca da sua bicicleta? O quadro é Canadian, mas não dá mais pra ler, então procura por uma bicicleta amarela. Tá. É essa daqui? Não. 

No andar de cima, o mecânico chamou. Ele estava remontando a Amarilda e se declarou responsável por ela. Mostrou as sapatas de freio desgastadas que tinham sistema de troca de refil. Explicou que na loja não tinha sapatas iguais, porque hoje em dia o suporte e a borracha estão integrados numa peça só. Foi falando das peças e das marcas das peças que compunham a minha bicicleta e eu fui lembrando de tempos remotos. Essa bicicleta tem mais de 25 anos, não é? Tomei um susto e calculei que são só 17. Ele elogiou coroa, câmbio, até os raios: eu troco tanta peça que não aguenta.

Quando me despedi, avisei que no outro mês vou levar a minha Caloi 10. O rosto dele se iluminou: essa é mais antiga ainda, não é? Quadro de ferro - que cor que é? É das azuis? Não... a minha dificuldade com ela sempre foi achar os pneus. Pode trazer que a gente tem.

O caminho que eu percorri até a Esplanada era um tanto diferente do que eu lembrava de ter visto no mapa e exige de fato um planejamento, porque algumas vias são difíceis de atravessar. Demorei 38 minutos pra chegar (quantos anos faz que não pedalo?) e voltei por outro trajeto (cujo início precisa ser repensado). O biciletário do Bloco C fica no subsolo, então a bike ficou na sombra e escondida. Uma vez lá dentro, descobri que posso sair por outra rua que entrei - o que me faz recalcular a rota de ida ao trabalho. 

Amarilda tá nova de novo!

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