Passei uma semana em Porto Velho ocupada com a mudança e encerramento do aluguel do apartamento em que moramos 4 anos. Não coube tudo no caminhão de mudança, então precisei distribuir muitos móveis e objetos. Tentei vender algumas coisas, outras foram de grátis porque tenham um valor (emocional, artesanal) tão alto, que ninguém compraria.
Levei o meu Mac sucata (o segundo de 2011, cuja bateria morreu) que ficou sem o cabo porque o pessoal da mudança jogou o cabo numa caixa, mas deixou o computador, e ofereci as peças. Ele não sabia quanto vale e pediu que eu sugerisse um valor. 300? Pago 250. Fechou.
Aí veio a vistoria de saída do apartamento. O vistoriador testou todas as lâmpadas (mas quando entramos no apartamento, não havia energia pra constatar que 7 lâmpadas estavam queimadas ou ausentes, que o chuveiro 110 estava ligado na rede 220 e causando curto), abriu e filmou todas as torneiras pra comprovar que não havia vazamentos (mas quando pedimos pra proprietária trocar as torneiras, ela disse que podíamos levar as nossas quando saíssemos), abriu todas as portas e gavetas, fotografou todas as janelas.
O laudo de vistoria pedia pra eu repor aquela decoração que cobre a lâmpada, mas a lâmpada era do tipo que tem um reator - que não se fabrica mais, então eu não acharia uma lâmpada chata e redonda o suficiente pra colocar o vidro decorativo em cima. Pedia pra trocar maçaneta e fechadura de porta - que não existe mais também. Rodei várias lojas de porta e uma loja só de fechaduras pra ouvir que não existe mais fechadura desse tamanho faz uns 30 anos. Achei uma menor, mas com furação compatível que eu mesma instalei com a minha chave philips. O laudo pedia a substituição dos tampos de vaso - adivinha? que não existem mais naquele material que racha e quebra com o tempo (3 assentos quebrados!) e cuja furação na cerâmica não é compatível com qualquer assento disponível no mercado. O laudo pedia a colocação de pastilhas de vidro na parede do chuveiro (caíram 24) - que saíram de linha há 2 anos.
O esposo da proprietária entendeu que o tempo passou e que consertar essas coisas implica em mudanças mais drásticas (trocar os vasos sanitários, trocar o azulejo do chuveiro etc.), mas a proprietária pediu que o pintor colocasse tinta sulvinil no orçamento de pintura. As paredes não estão vestindo a tinta mais cara do mercado. A agente imobiliária pediu um segundo orçamento e a discrepância entre os dois orçamentos é de quase 3 mil reais.
Nos primeiros quatro dias, passei a maior parte do tempo no apartamento: distribuindo coisas, chamando eletricista, chaveiro, vidraceiro; apertando parafusos. Depois eu fui na Heloisa. Teve um dia que ela foi buscar o som (minissistem, olha o nome do 3 em 1) que ela tinha mandado pra conserto, mas que não foi consertado porque o homem não achou a peça do leitor de CD. Tinha datashow, caixa de som e outros equipamentos antigos no pacote. O cara que não consertou indicou outro. Fomos lá, mas acabamos encontrando um consertador de TV. Ele mesmo conserta TV, mas quer comprar um projetor bom, porque as TVs de hoje em dia estão durando 2 ou 3 anos. Deu conselhos pra Heloisa de como consertar as coisas vintage dela: vá pra São Paulo de carro. Na Santa Ifigênia, na parte de cima, cê vai achar quem tem as peças que os seus objetos precisam. Ninguém mais conserta som.
Curioso que ao me desligar de Porto Velho e da profissão de professora, eu tenha passado por tantos objetos do passado que não tem mais como recuperar.
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