sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Seminário PIBIC

Depois de um ano de pesquisa, chegou o dia de apresentar o que fizemos e como, a que resultados nossos dados nos trouxeram e por que ... e ruminar perguntas da avaliadora.

Gisele coletou 89 peças publicitárias impressas publicadas no jornal local Alto Madeira relativas aos anos 40 e 50. O estudo dela era pra ser paralelo ao meu, que investiguei peças publicitárias publicadas no primeiro ano da Revista Manchete, mas não foi tão simples assim. Na revista, eu não tinha dúvidas do que era uma propaganda e o que não. No jornal, os gêneros se misturavam: isso daí é anúncio? O que é uma propaganda? Tivemos que construir o nosso objeto: peças publicitárias em que há texto e imagem, sendo que a imagem não se limita à logomarca ou ilustração do produto, mas permite pensar uma narrativa.

Álany coletou 35 peças publicitárias impressas no mesmo jornal nos anos 2000. Por incrível que pareça, encontramos menos anos recentes do Alto Madeira (criado em 1917 e extinto em 2017) no Museu da Memória e nada digitalizado. Além de menor número de edições disponíveis, Álany encontrava muito mais anúncios que peças publicitárias (conforme nossa definição). 

Como os corpora não eram compatíveis em termos de volume de dados, tivemos que dar um tratamento estatístico aos dados: concentramos nos sinais finalizadores de sentença e dividimos o número de sinais pelo número de sentenças.

Nossas principais conclusões desse estudo diacrônico: sim, o modo de pontuar mudou ao longo do tempo porque as peças publicitárias mudaram. O volume de texto diminuiu, as sentenças são cada vez mais finalizadas com [nada] e a linha é, ela mesma, sinal de fim. 

As peças publicitárias passaram por mudanças no nível linguístico: nos anos 40 e 50, foram encontrados textos organizados em parágrafos. Isso mesmo, parágrafos. Ou seja, o texto linear é conjugado com uma imagem. Nos anos mais recentes, o espaço da peça (os centímetros quadrados adquiridos pelo anunciante) é mais explorado graficamente (por letras grandes) e o que era texto linear assume caráter de lista: uma lista de mercado arrola os itens sem separá-los por vírgula. Cada linha nova separa os itens. Mesmo que haja uma enumeração, se cada item estiver em linha nova, começa com letra maiúscula (que é indicadora de nova sentença). Ursula Bredel (2020) aponta para a própria linha como organizadora do texto que adquire formato de lista.

Parabéns às meninas que cresceram durante a pesquisa, se envolveram com o assunto e apresentaram o trabalho hoje!

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