sábado, 23 de outubro de 2021

Sem celular

Eu estava de férias, Luis e Agnes não. Pra Agnes, não fez muita diferença viajar, porque apareceram dois casos de covid na escola, então decidiram migrar pro online. Mas pro Luis fez muita diferença estar conosco fora de casa - mesmo que em home office. Aconteceu que fomos roubados. Levaram minha mochila (tão organizada, contendo 50 máscaras pff2, carteira, celular, óculos e livros) e o computador do Luis. Daí home office sem computador fica quase inviável.

O problema de terem levado o celular é que lá tinha tudo, inclusive o endereço da casa que tínhamos alugado. E qualquer email ou aplicativo que eu tentasse acessar mandava um código de verificação pra esse celular furtado. Passamos a tarde na delegacia, na companhia de policiais convencidos que o iPhone tem um sistema de rastreio impecável - exceto quando o telefone está desligado, o que era o caso.

Na casa (alugada) de Marcão e Kika, consegui entrar no Aibnb e perguntar o endereço da casa que tínhamos alugado. Fiquei observando os filhos adolescentes de Marcão e Kika imersos no celular, tablet, tela de tv. Alternavam entre jogo e um passeio rápido por tiktok, instagram, whatsapp e facebook. Quando vieram nos visitar num dia de sol, churrasco e piscina, ficaram no sofá, capturados pela tela. 

O celular não é apenas um telefone. É um GPS: o tablet da Agnes (que me salvou) não tem conectividade longe de um roteador, nem me fala as direções enquanto dirijo. O celular é o banco, são as conversas assíncronas, a previsão do tempo, o relógio, uma máquina fotográfica, filmadora e ilha de edição, a passagem de avião, a reserva do carro, a carteira de motorista.

No litoral, o atendente da Claro não tinha condições de me vender um chip com o mesmo número do chip que tava no celular roubado, porque ele só tinha acesso a DDD 11 a 19... longe de 69. Em Campinas, consegui comprar um chip de mesmo número na Claro, mas não o aparelho de celular, porque eles vinculam o aparelho a uma linha - e eles não poderiam me vender uma linha com DDD de outro estado. Comecei a baixar os aplicativos todos. Verifiquei o que havia de backup pela conta Google. No whatsapp, eu tinha os contatos dos grupos e de quem tinha escrito pra mim. Todo o resto se perdeu. Nas fotos, tinha quatro vídeos de Agnes bebê. Túnel do tempo total.

Antes eu achava super legal a ligação entre computador e iPhone. Só que tinha o excesso: toda imagem que chegava pelo whats era automaticamente armazenada no álbum de fotos no computador. Era muito lixo pra limpar - especialmente porque o iCloud vivia mandando mensagem de que a nuvem estava quase cheia e que era preciso comprar espaço. Agora, que não tenho mais iPhone, faço fotos meio tremidas que eu nem sei como mover para álbum de fotos no computador. Pelo visto, o Google vai passar a organizar minha vida mais que eu imaginava.

Agnes e Ruy depois do passeio no Parque Ecológico de Campinas

Abaporu

Circo dos Sonhos

Praça do Coco

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