Temos cursos universitários reconhecidos e concorridos de Medicina, Enfermagem e terapias (fisio, fono, ocupacional etc.). Significa que temos profissionais competentes atuando.
Temos Secretarias de Saúde (municipais e estaduais) gerindo postos de saúde, Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e hospitais. Significa que temos burocracia funcionando de maneira integrada.
Temos tradição de escolher para cargos executivos perfis mais politicamente orientados que tecnicamente definidos. Significa que os gestores da Saúde nem sempre entendem de saúde pública.
Na sua última entrevista, Atila Iamarino conversou com Drauzio Varela sobre o SUS. Me chamou atenção o dado trazido pelo Dr. Varela de que nos últimos 10 anos (isso extrapola as gestões de Bolsonaro e Temer - que assumiu em 2016) o Ministério da Saúde teve 13 ministros.
Temos um presidente impenetrável a evidências científicas, que fez do ataque ideológico a estratégia preferida para reagir a qualquer aperto, que não governa e não trabalha em equipe. Significa que o STF delegou aos estados e municípios a gestão da pandemia.
Na base, o SUS é elogiado como maior programa de acesso universal aos serviços de saúde do mundo, porque a saúde é entendida como um direito do cidadão e dever do estado. Na Piauí tem um texto ótimo sobre o papel do SUS na pandemia. No topo, os Ministros são políticos e os secretários são mais da confiança do governador e prefeito que dos profissionais de saúde ou do povo.
"Infelizmente, é no campo da liderança que reside o principal problema do Brasil. As divergências entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro [...], que culminaram com a demissão do ministro, somam-se aos embates que o presidente promove contra governadores – e tudo isso ameaça comprometer a resposta à epidemia. Os resultados alcançados até agora decorrem de um conjunto de ações entre os vários níveis de atenção à saúde, entre o SUS e o sistema privado, entre o Ministério da Saúde, os estados e municípios – e que estão concentrados exatamente naquilo que o Brasil está mais bem preparado para fazer: a prevenção de novos casos e a contenção da epidemia. A politização da doença e seu uso para a obtenção de dividendos eleitorais são uma ameaça contra esse equilíbrio, pois comprometem a confiança das pessoas nas políticas e decisões do governo. O maior problema é que as falhas na liderança afetam principalmente a prevenção, pois ameaçam as estratégias para reduzir a exposição ao vírus, colocando em risco desnecessário a vida de milhares de brasileiros." (Marina Socal: A peça-chave. Piauí, maio de 2020).
No momento, não temos Ministro da Saúde. O interino, Eduardo Pazuello, é militar e nomeou 9 militares para cargos no Ministério da Saúde. Nenhum técnico. Liderança? À deriva...
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