sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Monitoramento do rio Madeira

Fonte: CPRM. Clicando na imagem, ela aparece maior
O rio Madeira sai da calha quando a cota chega a 14 metros. Atualmente o rio está (em Porto Velho) na cota 12. O gráfico acima, coletado na CPRM, mostra que o nível do rio (linha azul) se manteve na cota 10 até a noite do dia 11 de janeiro. As linhas pretas verticais na parte superior do gráfico indicam o volume de chuva. Pouca chuva pra muita elevação de nível.

No dia 30 de dezembro de 2016, o Ibama autorizou a elevação da cota da usina de Santo Antônio de 70,5 para 71,3m, para que as 50 turbinas instaladas possam funcionar melhor. O plano original prevê 44 turbinas e cota 70,5m. O Gerente de Operação da SAE disse pra câmera que durante a cheia de 2014 a cota de 70,5 m foi mantida. Elevação de cota significa mais água armazenada, mais energia e mais área alagada a montante (antes da barragem). Entre os dias 03 e 10 de janeiro ocorreu grande estabilidade no nível do rio Madeira a jusante: a usina estava segurando água para chegar na cota 71,3. Pra subir 80 cm na régua da barragem, é preciso acumular água por uma semana!

O Diário da Amazônia de hoje traz uma matéria sobre aumento anormal de chuvas. Não menciona o nível do rio. A cidade está voltada de costas para rio.

O aumento do nível do rio Madeira está acontecendo muito rápido. De ontem pra hoje subiu um metro. De ontem pra hoje choveu 10 milímetros. O jornal prepara o leitor pra chuvas que virão, a usina comemora o aumento da cota. Não encontro boletins de monitoramento nem na ANA nem na CPRM, apenas informes diários. É preciso fazer o exercício de juntar esses fragmentos e entender o cenário que se desenha: risco de outra cheia - e não é por causa da chuva. Quem controla o rio Madeira não é o clima, mas as duas usinas hidrelétricas instaladas nele.

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