terça-feira, 10 de setembro de 2013

A abordagem

Recentemente peguei carona. Por infortúnio, pegamos trânsito lento e o carro parou na altura de um policial. O homem olhou pra dentro do carro e mandou encostar. Enquanto encostava, o motorista pensou qual poderia ser o motivo da abordagem. Colocou o cinto antes do policial chegar.
- O motivo da abordagem, senhor, é que o senhor estava sem cinto. Eu vi.

*

Philip me contou que num dia bem bonito, tipo aqueles primeiros dias de primavera depois de um longo inverno, ele atravessou a rua sem olhar para o semáforo. Do outro lado da rua, um policial o abordou:
- O senhor confirma que acaba de atravessar a rua no farol vermelho?

*

Muito tempo atrás, logo na primeira vez que eu cortei o cabelo bem curtinho, fiz uma excursão ciclística a Paulínia. O acostamento era muito poroso e cheio de pedrinhas, de modo que eu me equilibrei com a minha bicicleta em cima da linha branca que separa a faixa do acostamento. O policial que me esperava de pernas afastadas e braços cruzados gritou:
- Quê que cê fez de errado, mermão?

Não considero que qualquer uma das posturas relatadas aqui seja defensável. Erramos todos que fomos abordados pelos policiais. Mas a maneira como fomos abordados é tão diversa... O grandalhão que me parou na rodovia achou que eu era homem (ficou super sem-graça quando percebeu o equívoco) e que era preciso ser autoritário. A tentativa de ser didático ficou na sombra da cordialidade. O policial que abordou o Philip negociou com ele uma verdade. O rapaz estava distraído, nem tinha se ligado no farol. Quando se virou para trás, viu a mudança de cores e se viu obrigado a concordar com o policial. Já o policial que abordou o motorista sem cinto de segurança insistiu em ter razão. O motorista poderia ter dito o que quisesse, o policial manteria a razão: eu vi.

Um comentário:

Rose disse...

Bem divertido isso aqui.Amei!