sábado, 7 de agosto de 2021
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
Segunda dose
Sangrei por 32 dias. Nas duas primeiras semanas, tive a impressão de serem dois ciclos emendados - só mais intensos que o normal. Na terceira semana, comecei a tomar a pílula. Em seguida, consegui agendar ginecologista que me receitou um medicamento que deveria estancar hemorragias, mas não fez diferença. Pediu ultrassom. Como eu ainda sangrava (pouco), a pessoa que fez o ultrassom ficou em dúvida se estava diante de cistos, adenomiose ou outra coisa. O laudo do ultrassom recomendava uma ressonância magnética. A ginecologista pediu que eu agendasse a tal ressonância e receitou outro remédio que de fato estancou o sangue. Ela mesma me preparou para o procedimento de esvaziamento intestinal que eu teria que atravessar: laxantes e Luftal em doses cavalares na véspera e jejum no dia.
A moça que me deu roupas hospitalares, instalou o acesso na minha veia e me preparou para o exame da ressonância magnética não me disse quanto tempo eu ficaria naquele tubo apertado. Ela colocou fones no meu ouvido e avisou que eu ouviria uma voz que me daria instruções, mas não disse que a máquina produziria tantos sons torturantes. Os sons de máquina não tinham o tempo dos segundos, nem o tempo do coração. Apesar de regulares, me pareciam alienígenas. Lembrei da Agnes que saiu da tomografia dormindo (quando convulsionou), mas apesar da fraqueza, a máquina não me deixava descansar. Eu revelaria qualquer segredo se, em troca, a máquina parasse. Aí veio a voz nos fones de ouvido. Eu ouvi a pessoa falando nos fones - e também na sala ao lado. Por que a pessoa gritava no meu fone? Em seguida, uma voz gravada dava instruções sobre parar de respirar. Essa voz veio tão plosiva, tão de repente, que me contraí toda de susto. Não consegui parar de respirar no tempo certo, nem pelo período de tempo exigido. PARE DE RESPIRAR! tu tu tu tu tu tor tu ra.
Pela internet, tive acesso ao laudo. O laudo dizia que não havia nada anormal. Fui buscar as imagens e depois Agnes e eu ficamos olhando aquelas formas, tentando entender de que se tratava. Aqui seria a nossa cauda, aqui estão os ovários.
A ginecologista se surpreendeu com a ausência de indícios que explicassem o sangramento de 32 dias. Deve ter sido a vacina. Expliquei que já podia tomar a segunda dose e que eu tinha medo de tudo voltar de novo. Se voltar a sangrar, você volta aqui. Receitou outra pílula pra regular o ciclo. Falei das gestantes que não tomaram Astrazeneca justamente por causa da coagulação sanguínea, mas ela não achou boa ideia mudar de vacina na segunda dose. Então eu comprei um monte de Modess, juntei minha coragem e fui lá, tomar a segunda dose.
sábado, 31 de julho de 2021
Princesa?
Agnes está participando das atividades recreativas de uma casa de brincadeiras. Como ali ela é livre pra brincar, correr e interagir com outras crianças (e não é obrigada a sentar, escutar, escrever e obedecer), ela se destaca bastante. Hoje fui levá-la numa oficina de Lego e a Gabi, idealizadora do Maternar e Brincar, me deu um retorno de como foi a Colônia de Férias.
Gabi contou de um momento em que montaram um castelo lindo e maravilhoso e que, quando perguntaram pra Agnes que função ela assumiria no castelo (esperando que ela dissesse que seria a princesa), a menina respondeu que seria a caçadora de sapos que ficam em volta do castelo.Criativa, autônoma, "fora da caixinha", ímã para as outras crianças, Agnes ultrapassava as expectativas das monitoras.
domingo, 25 de julho de 2021
Boca do Maravilha
Normalmente tem muita gente pescando na boca do Maravilha. Hoje de manhã não tinha ninguém. Descemos do carro pra conhecer o lugar.
Na árvore, a marca da última cheia. Agnes andaria em baixo da água - e ela tem pouco mais de um metro de altura.
A manilha que liga o lado de lá da estrada da beira ao lado de cá.
Trilha com Agnes.
O Madeira está baixando.
Devir
Fluxo permanente, ciclo, constante transformar-se.
Vir a ser, por vir.
Movimento que dissolve, cria e transforma.
Em tempos de seca, preparação para os tempos de chuva.
quinta-feira, 22 de julho de 2021
Judô para meninas
Liguei na academia de judô perguntando sobre horários e se o grupo era só de meninos. A pessoa que me atendeu disse que "hoje em dia não tem mais isso não, é tudo mesclado, tem meninas fazendo judô, sim." Em seguida, ele me perguntou por que eu queria levar a minha filha de 5 anos pra fazer judô. Pra ela aprender a cair, respondi. "Aprender a cair, e depois levantar!" ele completou.
Fomos lá, Agnes e eu, para uma aula-teste. Agnes não era a única novata e havia duas outras meninas além dela (contra uns 10 meninos). Todos os pais e mães assistiam à aula (aqueles que conseguiam não olhar para o celular. O próprio sensei olhava o celular de vez em quando). Notei que o sensei tinha consciência de que era ouvido pelos pais quando reparei nas concordâncias sibilantes e no esforço de falar de acordo com o padrão culto. O sensei impunha respeito gritando e anunciando avanços individuais. A competitividade estava posta nos troféus, nos golpes, na conduta. Nem o sensei nem as crianças usavam máscara, adultos treinavam judô ao lado, os pais faziam torcida pelos filhos: "pega ele!"
Luis recebeu da Paula (carateca) uma indicação de um instrutor que dava aula de judô como atividade extracurricular num colégio. Aproveitamos pra conhecer o colégio, já que Agnes ainda não está matriculada em escola alguma.
Os alunos de judô foram entrando na sala aos poucos. Todos usavam máscara, inclusive o instrutor, que era chamado de "tio". O ar condicionado não foi ligado e os pais (menos nós - só tinha 2 cadeiras) ficaram do lado de fora, vendo a aula pela porta aberta. Todos os alunos exceto Agnes eram meninos e estavam matriculados no colégio. Alguns meninos eram bem levados (cada um à sua maneira).
O instrutor fazia os exercícios junto, conversava (com autoridade e razão) ao invés de gritar, dialogava com todos e tinha muita paciência. Não ensinou golpes, mas a incorporar estratégias: deu essa bola de rugby para um menino proteger. O menino deitou em cima. Como tirar a bola? Virando o menino, como se fosse uma tartaruga! Pra criança, perceber que o outro pode ser movido é um enorme passo. Em vez de prometer faixas, macarrão, medalhas e sucesso olímpico, o instrutor observava e comentava questões de ordem com as crianças, questões corporais com os pais.
Não é nessa escola que Agnes vai passar as tardes, mas é lá que vai fazer judô.
quinta-feira, 15 de julho de 2021
Entre escolas
Agnes vinha reclamando da escolinha porque só tinha atividade pra fazer sentado, não podia sair, correr, brincar. Até aula de atividade física era dentro da sala de aula. Da prisão de casa, ela ia pra prisão da sala de aula. A escola vinha reclamando do comportamento da Agnes que era muito agitada e liderava a turminha na bagunça. Nós estávamos sentindo a insubordinação dela: não obedecia, respondia, fazia que não escutava, se perdia.
Aproveitamos o recesso escolar para testar outras escolas, mas em sua colônia de férias. O que tinha disponível era a escola de elite da cidade. No primeiro dia, voltou deslumbrada: tinha visto um filme. Então eles deixam a TV ligada? Não, era CINEMA! Tinha ganhado balas, tinha achado tudo ótimo. No segundo dia, reparei que todas as crianças saíam da escola segurando alguma coisa na mão. Agnes nem falou muito do peixe que a tia fez, mas disse que ela tinha sido escolhida pra ser o tubarão e não gostou disso. Fiquei tentando imaginar a situação de ser escolhida por último pra composição de um time. No terceiro dia, reparei o trânsito que todos aqueles SUVs fazem num drive thru de dois lugares. Todos querem estacionar no drive thru, muitas picapes param em fila dupla, eu mesma não consegui sair da vaga de estacionamento porque tinha um carro enorme (vidros escuros, óbvio, não dá nem pra saber se tem alguém dentro) parado na rua. Pais e mães mergulhados no celular se plantam na porta e quando chega a criança que lhes pertence, é uma gritaria: meu amor! Que lindo!
Reparei que Agnes não comia o lanche que eu mandava. Perguntei por que e ela respondeu que as outras crianças têm um lanche que vem na sacola. Lá vai eu encomendar lanche gourmet na sacola, porque afinal de contas, comer junto é uma forma de socialização. Ontem perguntamos pra Agnes se as crianças falavam inglês com ela. A resposta foi triste: ninguém fala comigo.
Taí. Método pedagógico excelente ... mensalidade em dólar ... sociabilidade complicada.
quarta-feira, 7 de julho de 2021
68º GEL - dessa vez online
sábado, 3 de julho de 2021
Manifestão 03JL
As pessoas tiveram que olhar pra baixo pra verificar de onde vinham os gritos "Fora Bolsonaro" de voz fina. E ela gritava, caminhava e mostrava o cartaz que ela tinha feito de manhã.
Em Porto Velho, a LCP e o PT (e MAB) são - cada qual demarcando seus espaços - quem convoca e organiza as passeatas com carro de som, palavras de ordem, trajeto, faixas, cordão, corking, ou seja: dominam a tecnologia de manifestação. Poucos são os não filiados que aderem espontaneamente à manifestação, cujo mote acaba deixando de ser "Fora Bolsonaro" pra ser o que a pessoa no microfone diz que é.
Quando Agnes chegou com seu cartaz, atraiu todas as lentes disponíveis. Avisei que ela vai ficar conhecida. Ela logo vibrou: vou ficar famosa!
Família manifestante.
terça-feira, 29 de junho de 2021
sábado, 26 de junho de 2021
-(c)ulo
As formas latinas -ulus (masc.), -ula (fem.) e -ulum (neutro) eram sufixos que indicavam o diminutivo. Essa ideia de diminutivo persiste em português em palavras como
versículo (verso diminuto); vernáculo (pequeno doméstico = escravo nascido na casa do senhor); fascículo (pequeno feixe); maiúsculo (um pouco maior); minúsculo (um pouco menor);
óvulo (ovo diminuto); glóbulo (pequeno globo); testículo (pequena testemunha); furúnculo (pequeno ladrão que acumula seiva); cálculo (pequena calcificação); tentáculo (pequeno membro que serve para apalpar, experimentar, tentar); ventrículo (pequena cavidade, barriga, ventre);
cubículo (cubo diminuto);
homúnculo (mini homenzinho);
módulo (pequeno modelo); rótulo (pequeno rolo que carimba uma marca).
Como diz o outro, toda boa filosofia começa com um bom dicionário. No caso, um dicionário etimológico.
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| Quem é grande e quem é pequeno aqui? |
sexta-feira, 25 de junho de 2021
Pós-vacina (astrazeneca)
Tomei a vacina astrazeneca no sábado. Não tive reação no dia. Fiquei consultando os outros acerca de suas reações e fiquei esperando as minhas chegarem 12 horas após aplicação, mas nada aconteceu. Nem no domingo, nem na segunda. Na terça, tive cólicas muito fortes logo de manhã. Achei que eu não conseguiria levar a Agnes pra escola, porque eu não podia nem sentar. Associei ao frio (esse ano tivemos um recorde de friagens no Norte. Luis afirma que "mudança climática" é eufemismo pra "transformação irreversível"), mas como Luis também teve fortes dores no fígado, suspeitei que era a vacina atacando os órgãos. Justo o meu órgão reprodutor?
Na quarta de noite eu fui surpreendida com sangue no papel higiênico. Podia ser a menopausa. Porque a menstruação é um ciclo regular. Depois que Agnes nasceu, passou a ser um ciclo que podia até regular o relógio: a cada 4 semanas, ao meio-dia. Se ela vinha uma semana antes do regulamentar, algo estava desregulando o ciclo.
Nessa madrugada acordei com o lençol molhado. Isso não acontecia há tempos. Isso que eu uso o coletor (aliás, usei o mesmo coletor por 10 anos, encomendei outro da República Tcheca que caiu vítima da descoberta da Agnes de como funcionam as tesouras - aquele cabinho deve ter lhe parecido irresistível - e encomendei um terceiro) e modess noturno.
Uma busca no Google confirmou que um dos efeitos da astrazeneca é alteração do ciclo menstrual - com sangramento muito mais intenso.
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Concentração
É comum que religiões concentrem seus dogmas num texto. Um texto único contém a narrativa, a revelação, os testemunhos, os livros. A Bíblia é o livro dos livros. Para os católicos pré-modernos, o texto sagrado tinha que ser em latim. Um texto, uma língua: sem variação, sem brecha para novas interpretações além daquelas autorizadas e controladas. Língua e poder. Nesse sentido, a Reforma foi uma afronta - traduzir o texto sagrado para o vernáculo.
A pesquisa Retratos da Leitura 2020 (referente a 2019, antes da pandemia) mostra que aproximadamente 70% dos brasileiros que têm o hábito da leitura (e portanto leem porque precisam) preferem ler no papel impresso. Quanto mais proficiente o leitor, mais flexível é para ler em formato digital. Só que a maior parte das leituras digitais se dá no celular. A menor fatia de leitores que lê livros digitais os lê no e-reader (tipo Kindle). Livros e poder aquisitivo.
Essa pesquisa revela que 40% dos que se autointitulam leitores (para os parâmetros da pesquisa, leitor é quem leu pelo menos um livro inteiro ou parte dele nos últimos 3 meses), são leitores de um livro só: a Bíblia. Leem e releem trechos, livros ou tudo. Não compram outros livros, a Bíblia passa de mão em mão. Religiosidade e classe social.
Em leitores de livros (no plural), é comum que a escolha do livro seguinte seja determinada pelo próprio autor: não que se leia todos os livros de um autor, mas que se visite mais de uma obra. Concentrar no escritor parece ser importante. Montar uma biblioteca com livros que conversam entre si parece ser interessante. Livros e conhecimento, livros e estilo.
Achei curioso que os respondentes indicaram o professor ou amigo como sendo aquele que oferece sugestões de leitura - e não o influenciador digital ou o bibliotecário. Em 2019, as bibliotecas funcionavam. Mas elas têm livros novos? Como elas disponibilizam livros digitais? As bibliotecas são locais acolhedores? Elas contam com pessoal capacitado? Achei ainda curioso que os respondentes não consideram a biblioteca como lugar para ler livros. A casa dos livros é um lugar pra estudar, emprestar livros, usar internet. Mas não pra ler. A leitura se concentra em casa.
Achei super bacana que a maior concentração de leitores que escolhem ler livros porque gostam de ler são crianças e adolescentes. Isso dá esperança.
quarta-feira, 23 de junho de 2021
Parque depois da escola
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| Agnes se orienta pela linha pra escrever: o x paira sobre a linha |
A escolinha da Agnes vai das 8h às 11h e Luis a acostumou a passar em algum lugar antes de voltar pra casa. Como ela normalmente não come o lanche na escola (porque fica conversando), essa é a hora de fazer pique-nique. Nessa hora, os parques e parquinhos estão desertos.
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| E eu, em meio à reunião anual da ABEU, só penso em livro. |
terça-feira, 22 de junho de 2021
33 Reunião anual da ABEU
A 33º Reunião anual da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) estava programada para acontecer em maio de 2020. Minha passagem tinha sido comprada (pela Reitoria), eu mediaria uma roda de conversa, o último dia estava reservado à socialização sem a formalidade das palestras. Mas o encontro não aconteceu. Está acontecendo agora, online. São conversas muito importantes e esclarecedoras sobre o ofício editorial.
domingo, 20 de junho de 2021
Vacinansiedade
A história poderia começar assim:
Vacinei.
E é assim que ando ouvindo esse verbo ser conjugado: Vacinou? Vacinei. Tipo aposentar, operar e tantos outros que são conjugados como se o sujeito fosse também o agente de um verbo intransitivo:
João aposentou ano passado. (Aposentou a bicicleta?)
Maria operou da vesícula. (E ela é médica?)
Mas quem ainda lembra disso? Hoje em dia, as pessoas aposentam, operam e vacinam. No caso da vacina, não fui eu quem aplicou a vacina: foi a vacinadora. Contudo, não tive papel de paciente para conseguir a vacina: tivemos que ser agentes, o que envolveu muita ansiedade.
Havia rumores de tantas mil doses adquiridas pela Prefeitura de Porto Velho. Em seguida vimos um video do prefeito anunciando um aplicativo que deveríamos baixar no celular chamado SASI e que organizaria a fila de vacinação. Fizemos o cadastro e percebemos que esse aplicativo tem poucos botões, sendo que o mais movimentado era o das notícias. Bem no começo do mês de junho, veio a notícia de que os Trabalhadores da Educação tinham que refazer o cadastro para informar em que nível atuavam, porque quem trabalha em creche e Ensino Infantil seria vacinado primeiro ... e quem atua no ensino superior, por último.
Refizemos o cadastro, esperamos ansiosos e o SASI passou a ser o aplicativo mais visitado no celular. Passaram-se os dias e fomos surpreendidos pela notícia de que a vacinação dos Trabalhadores da Educação estava sendo temporariamente suspensa - então tinha sido iniciada...
O SASI informava que era a vez dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (como Uber e taxi estavam de fora e há apenas 30 ou 40 ônibus rodando em PVH, calculamos que essa etapa seria cumprida rapidamente). Começaram rumores de que receberíamos a vacina da Janssen, que é dose única. Assim poderíamos voltar ao trabalho presencial. De repente começaram a vir pelo WhatsApp informações sobre local e data de vacinação dos professores.
Em Porto Velho existem pelo menos 4 universidades/ faculdades particulares e a UNIR, única pública, fica a 10km da cidade. A UNIR não era local de vacinação, mas Uniron, São Lucas e FIMCA eram. Segundo a tabela, havia dois locais distintos para Trabalhadores da Educação privada e um terceiro local para os Trabalhadores da Educação (sem adjetivo qualificando). Esse último, em que nós seríamos vacinados, também era Mecca dos sem comorbidade entre 50 e 55 anos.
Entendi que nós, profissionais da Educação, éramos as últimas prioridades a serem vacinadas, já que conosco seriam vacinados aqueles que não eram prioridade, eram apenas mais velhos. Chegaram informações de que era tudo fake news. Chegaram áudios de fontes fidedignas que confirmavam que a vacinação seria no fim-de-semana, mas que o local ainda não estava definido. Voltaram a aparecer tabelas com local e hora de vacinação diferenciando o setor privado (maior em PVH) do público. Começaram os planos, as estratégias, os cálculos: ansiedade.
Ainda houve margem para interpretações: Trabalhadores da Educação e colaboradores. Seriam os técnicos? Seriam os terceirizados? Alguém perguntou se os estagiários também entravam, mas aí já é demais: estagiário não tem vínculo empregatício. Cada um alimentava, do seu isolamento, esse comboio de perguntas e respostas pelas redes sociais - já que esse é o meio em que socializamos atualmente. Alguém dizia que a validade da vacina da Janssen estava perto do fim, outros disseram que a vacina da Janssen não chegaria. Muitas vozes (por escrito). O jornal (G1, hein) anunciava um quarto ponto de vacinação com drive-thru (que depois não se confirmou).
Quinta-feira de noite, na cama, vendo o celular, Luis vibrou: fui agendado! Vou vacinar amanhã pela idade. O agendamento (e a notificação) chegou menos de 12 horas antes do evento. Sexta-feira ele foi, passou a manhã na fila e voltou vacinado, com data pra tomar a segunda dose. De noite, pouco antes da meia-noite, foi a minha vez de receber a notificação do agendamento. No dia da manifestação, eu seria confinada à fila de vacinação.
A manifestação, descobri no meio do caminho, era uma carreata que passava pelo meu caminho ao ponto de vacinação. Quando cheguei na FIMCA (que não era o local de vacinação previsto na tabela da Prefeitura, mas o local indicado no agendamento), fila sem distanciamento:
Reconheci colegas na fila, vi gente segurando o braço (na verdade, o algodão) e fui progredindo, ao longo de uma hora, até a sala de vacinação. Depois de vacinada, segurando o algodão, só consegui dizer "não dói" à primeira pessoa que reconheci na fila dos que aguardavam.
No dia em que o Jornal Nacional mudou o tom para descrever as manifestações populares, destacando o valor da ciência, a bandeira do Brasil (ignorando as bandeiras vermelhas) e o FORA BOLSONARO (reforçando, no editorial ao fim, que não tem dois lados nessa história), no dia em que o Brasil ultrapassou a marca dos 500 mil mortos por covid, eu fui vacinada.
Nas redes sociais, cada um dava testemunho das reações à vacina. Reparei que aqueles que tiveram covid relataram febre, frio e tremedeira, dores de cabeça e nas pernas. Eu não tive nada. Luis teve enjôo de noite e dores no fígado, mas também já passou. Reparei também que mesmo que nós, professores, tenhamos tomado vacina no mesmo dia, não estamos agendados para a segunda dose na mesma data. Imagino que isso esteja relacionado ao lote da vacina que tomamos. De todo modo, a segunda dose será em setembro e o semestre (2020-2) que começa amanhã encerra em outubro. Imagino que quando dermos o semestre de 2021-1, será em modo presencial.
domingo, 13 de junho de 2021
domingo, 6 de junho de 2021
Ninho de beija-flor
Na sexta, o/a beija-flor estava quietinho/a, sentado no ninho, deixando a gente se aproximar do limoeiro. Fiquei de trazer uma câmera com zoom decente e, quando voltei com a câmera hoje, o ninho parecia vazio. Subi na casa do Damián e tirei essa foto. Ficamos impressionados com a trama do ninho: parece que teias de aranha, musgos e materiais bem finos foram usados pra construir essa tigela. Mas dali, da casa, nem com zoom eu conseguia ver se tinha ovo dentro do ninho.
Damián botou uma cadeira em frente ao limoeiro e depois botou um banquinho mambembe em cima. Eu fiquei com medo das habilidades circenses não serem suficientes pra se equilibrar, acertar os botões da máquina e fazer uma boa foto. Achei um cavalete da altura do banquinho em cima da cadeira. Ele removeu a cadeira, posicionou o cavalete no lugar - e o banquinho em cima. Quando ele puxou o galho pra perto de si, dois bicos se abriram.
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sexta-feira, 4 de junho de 2021
Colheita
Agnes foi guiando, Rompe-Mato foi acompanhando. Não conseguimos avançar muito na trilha, porque na primeira baixada tinha água.
Damián se surpreendeu com a quantidade de quiabo maduro e depois entendeu que não se pode deixar o quiabo passar do ponto no pé. Colhemos muitos quiabos - provavelmente duros.
João Gomes - ou cariru.
Primeira abóbora foi dividida em duas partes. Uma ficou, a outra veio.



















































