sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Passeio na restinga

As nuvens pesadas nos trouxeram de volta da exploração da restinga. No caminho encontramos e coletamos uma borduna, pitayas e cajus pequenos amarelos.

Luis comentou que Agnes será uma coletora. Já é. 

A maior parte das pitayas está já aberta. Tivemos sorte de encontrar pitayas fechadas.  
Olha a cor do mar no contraste com o céu carregado.
Melhor caju que Agnes comeu hoje.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Passeio de barco


Ontem fomos à barra (onde o rio entra no mar) à procura de peixe fresco e compramos sardinhas de um homem que nos ofereceu passeio de barco na manhã seguinte. Combinamos 7h30, mas chegamos antes dele. 
Primeiro ele nos levou nos corais (eu diria que são recifes), que seguram as ondas do mar. Na maré baixa, pudemos subir e ver peixinhos tigrados, azuis, maiores e menores, além de ouriços.

A rede laranja da Agnes foi muito usada por todos (menos eu) e virou "puçá" na mão do pescador.
Na volta, tudo isso estava coberto pela maré alta.
Seguimos de barco até uma aldeia potiguara, onde tinha um banho de lama preta que preferimos não tomar.
No mangue, fomos atacados por mutucas (parece mosca, mas pica e dói). 
Ninguém conseguiu pegar o siri.
Nem os caranguejos.

Almoçamos na aldeia Camurupim e voltamos pra tirar a siesta.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Barra de Mamanguape

Por vias não asfaltadas, mas com nome de PB, chegamos.
Depois do burburinho de Cabo Branco, achamos um lugar em que os mercadinhos são bodegas, o caminho ao mar é pela restinga, a praia é limpa e deserta e os galos nos acordam cantando.
Agnes está juntando diversos tipos de caju.
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Comer o que pescou

Agnes tinha essa insistência de comer o peixe/caramujo/siri que pescou/pegou. Mas o siri foi tão difícil de comer, que ela concluiu que pegar é mais legal que comer.
 

Ponta Seixas

Ontem caminhamos pelo asfalto até a Ponta Seixas, porque a maré estava muito alta no fim da tarde. O que era praia e pedra passou a ser barulho de onda forte.

Caminhando pelas vias onde não passa carro, percebemos os esforços do poder público local de impedir o acesso à margem erodida. Os carros não chegam, mas pedestres e ciclistas circulam à beira do precipício.  

João Pessoa

Luis tinha feito reserva pelo Booking de um apartamento com cozinha. Quando chegamos no hotel, disseram que não havia reserva em nosso nome. Overbooking: havia outra família hospedada no lugar que tínhamos reservado meio ano antes. A Booking ofereceu de nos hospedar em outro lugar pelo mesmo valor, mas os valores que pagamos em julho triplicaram agora. A cidade estava cheia, não havia carros pra alugar. 

Por conta própria,  alugamos uma kit pelo Aibnb. Era a primeira locação da nossa anfitriã.  Na manhã seguinte, quando eu quis fazer café, não veio gás na boca do fogão.  Depois de virar e desvirar a chave, testar fósforos e isqueiros, acionamos a anfitriã.  Ela veio em seguida com plano A (marido) e plano B (uma boca elétrica). O marido resolveu o enigma da chave (tem que virar pra cima!) e ficamos todos aliviados.

Luis e Agnes assumiram o papel de caçadores-coletores de frutos do mar.

No primeiro dia, pegaram 7 caramujos - que nos serviram de jantar.
Pela areia, demos a volta na extremidade mais a leste do país. Desconfiamos de um severo processo de erosão. 
Arroz con caracoles. 

sábado, 28 de dezembro de 2024

Nossa árvore de Natal

 vai crescer!

E se tudo der certo nos próximos anos, vai dar pinhão.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Preparação para o Natal

 


Neste ano, Agnes ganhou um calendário de advento bem diferente - e muito apelativo! Desde o dia 01 de dezembro, ela vem abrindo janelinhas a cada dia e descobrindo pedras semipreciosas. Achei bacana como ela manteve a contagem dos dias e a alegria de descobrir com o pai que pedra era aquela.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Terceira pessoa

Agnes é constantemente corrigida por mim quando diz "eu se esqueci", "eu se limpei", "eu não se lembro". Ela sempre se mostrou impermeável às minhas admoestações. Daí ela ganhou um celular e ficou doidinha querendo interagir pelo WhatsApp. Ela escrevia, eu respondia. Quando deixei de responder, ela escrevia em maiúsculas: MERRESPONDE!

Usei esse dado como parâmetro e passei a corrigir: você não escreveu SE RESPONDE. Ela ria, mas continuava usando a terceira pessoa pra se referir a si.

Até que um dia essa história veio à tona na mesa do almoço e Agnes se defendeu: mas eu sou a terceira pessoa! Você é a primeira, ele é a segunda e eu sou a terceira pessoa!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

MUSA

No último dia, tínhamos a manhã livre. Topei o passeio no MUSA com a Veronica, a professora da véspera. Eu achava que o MUSA era um museu. Está mais pra jardim botânico. Me chamou atenção o fungário.

A parte ruim de subir a torre não era a dor nas pernas ou a falta de fôlego, mas a areia que caía dos sapatos de quem estava mais acima. Deviam colocar um negócio pro pessoal bater os pés antes de subir.

O sol morde a cara da gente, nem dá pra ficar muito tempo no topo da torre.
Fiz muitas fotos no borboletário. Porque era difícil capturar uma boa imagem das borboletas inquietas.
Essas duas fotos são da mesma borboleta. Fui a última do nosso grupo guiado a sair do borboletário...
Gostei das trilhas, de andar em grupo, de estar na floresta.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Pra amarrar tudo

No dia do retorno, precisamos da manhã inteira pra chegar em Manaus. Depois do almoço, tivemos aula sobre o panorama histórico das negociações ambientais. E de noite teve desfile da beleza indígena.

O que mais me surpreendeu foi reconhecer, entre as modelos que usavam vestidos do estilista Maurício Duarte, uma moça da aldeia e outra moça do curso.

Eu tinha conhecido o Maurício (de azul) na condecoração do Ailton Krenak. Dessa vez pude ver como ele usa o artesanato pra pensar os vestidos/roupas. O desfile fazia parte de outro projeto da FAS e, como pros indígenas a circularidade faz sentido, juntou tudo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Difícil acesso

Não sei bem se a comunidade Três Unidos pode ser descrita como de difícil acesso. São 3 horas de lancha com o rio seco (é preciso saber navegar entre o capim).

Ou então se vai de helicóptero. Esse aí levou a enfermeira do posto de saúde pra outra comunidade.

Não vi qualquer veículo sobre rodas na aldeia - nem bicicleta. Onde a gente andava, era areia.

A vivência

Dormimos dois dias em Três Unidos, aldeia kambeba. No segundo dia, os alunos do Programa Kuntari Katu, que estão em processo de formação para se tornarem negociadores em espaços como as COPs, desenvolveram mini projetos em grupos menores.

De noite, todos apresentaram seus projetos e foram criticados/avaliados por eles. Foi um exercício interessante e produtivo.
Defender um projeto - mesmo que num teatro - foi importante para lhes dar a dimensão de como discutir questões de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Os alunos são dos seis biomas brasileiros, então a vivência de cada um era única.
Foi massa participar dessa missão, aprender e rir com eles.
O último grupo interagiu com a equipe MPI como "financiadores".


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Japim

Acordei bem antes do despertador ou qualquer barulho humano. Acordei ao som de pássaros desconhecidos.

Quando abri a janela do meu quarto de pousada escuro, me deparei com essa árvore cheia de ninhos e pássaros escandalosos.

Depois entendi que a pousada tinha sido batizada em referência a eles e que o restaurante, sumimi, levava o nome kambeba desses pássaros pretos e amarelos que emitem sons peculiares até no voo.

Ida à aldeia

Estou há mais de um ano no MPI e pela primeira vez tenho uma passagem emitida pelo ministério. A viagem de avião foi até Manaus, onde descansamos por algumas horas antes de começar o módulo 2 do curso de formação de jovens lideranças indígenas para negociar projetos na COP 30 de Belém. O nome do curso foi tirado do nheengatu e significa falar bem: kuntari katu.

No dia seguinte, fomos de ônibus cheio até a sede da FAS - Fundação Amazônia Sustentável,  que havia captado recursos numa COP passada pro curso acontecer. Como a FAS é ligada aos bancos, o discurso do mercado de crédito de carbono está muito mais presente que demarcação de territórios e garantia de direitos. 


Eu fiquei escandalizada com essa hierarquização de prioridades: água, energia e internet acima de saúde, educação e direitos. Achei péssimo também o discurso de prosperidade na aldeia - no MPI acreditamos no bem-viver, mesmo que cada um o interprete ao seu modo.

Depois do almoço, fomos de ônibus até o rio Negro, onde embarcamos numa lancha em direção a Três Unidos, a comunidade indígena - kambeba - mais próxima de Manaus em que a FAS desenvolve projetos de empreendedorismo. 

A viagem que devia durar 2 horas ultrapassou 3. O barqueiro teve que usar uma lanterna potente pra enxergar o caminho entre as gramas que cresceram no leito do rio seco.

Tinha uma bandeira indicando a entrada, mas não foi fácil acertar o caminho na escuridão. 
A liderança local veio nos ajudar a desembarcar e tirar as malas do barco.
Havia um restaurante com lanche nos esperando, redário para os cursistas e pousada para nós, equipe do MPI. Eu tive a sensação de estar numa comunidade ribeirinha comprada (escola Samsung, laboratório de informática Americanas, restaurante que FAS incentivou) e enfeitada com plaquinhas coloridas com dizeres edificantes, habitada por indígenas.

O rio Negro está no fundo. O braço que vem pra cá está coberto de vegetação devido à seca do rio. Gostei de comer tambaqui assado, mingau de banana e farinha, ver a chuva amazônica, tomar banho gelado de noite e os japins (sumimi em kambeba). Gostei de ter vindo porque preciso entender a realidade altamente diversa (entre si e diferente de nós) dos povos indígenas. Por fim, essa turma é bastante animada.


terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Sim?

O MPI está com edital aberto para participar de curso de inglês oferecido pela embaixada estadunidense. Pelo edital, a pessoa precisa se encaixar num certo perfil: estar com idade entre 18 e 40 anos, ser indígena, não ter participado de qualquer curso de inglês oferecido pela Embaixada, não ter feito intercâmbio em país cuja língua oficial é inglês, ter disponibilidade para participar de curso online de 4h semanais e ter condições para participar do curso (computador e internet). Para que nós possamos avaliar as inscrições, colocamos todas essas informações num formulário pra pessoa responder. Então, para se inscrever, é preciso responder ao formulário e enviar documentos por email.  

Se tiver algum parente aí: https://www.gov.br/povosindigenas/pt-br/assuntos/editais/em-parceria-com-embaixada-norte-americana-programa-oferece-curso-de-ingles-para-liderancas-indigenas-jovens

Estou recebendo respostas de formulário e conferindo o email. O formulário criou uma planilha com as respostas. Passei a me concentrar na coluna referente à pergunta "Você é indígena?", porque o padrão de resposta varia muito:

sim 

SIM

sim.

sim! 

SIM!!

simmmm

sim munduruku

sim, MURA.

sim, tuxá

sim, povo pataxó

sim. Povo guarani

sim - xukuru 

sim (kaingang)

sim, tenho rani

sim, já sou indígena 

sou indígena nato

indígena 

indígenas

eu sou indígena

indígena do povo kayapó

indígena marubo

tapirapé

não

A Veronique Dahlet considera maiúsculas e repetição de letras como sendo sinais de pontuação (eu não consigo). Pelos modos como cada "sim" foi registrado, posso imaginar histórias de como a identidade indígena é/foi/está sendo construída. O uso recorrente (!) do plural "indígenas" me chamou atenção, bem como o "já sou", que indica um processo individual aí.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Bodas de aço

Por incrível que pareça, foi a minha mãe que nos lembrou do aniversário de casamento. 11 anos se passaram desde o casamento - superamos a crise dos 10 anos!

Como Vao (no meio) estava em Brasília, chamamos o pessoal de Porto Velho pra jantar. Zezinho, Rosa e Antônio nos colocaram de volta ao cenário das eleições esquisitas em Porto Velho, a militância e as articulações. Foi um túnel do espaço-tempo e nem comentamos com os convidados que 11 anos atrás, num sábado, casamos na igreja.

Agnes transformou uma casca que protege o fruto da graviola em coração. E transformou nossas vidas.